A Esperança do Chamado de Deus

A Esperança do Chamado de Deus

“(…) Uma ambulância não é a única viagem que exige coragem. Você pode não estar em sua última batida de coração, mas pode estar no seu último contracheque, na sua última solução ou no seu suspiro de fé. Cada nascer do sol parece trazer novas razões para ter medo (…)” (Max Lucado - Sem Medo de Viver – p. 12; 13).

Paulo em suas orações pediu a Deus que concedesse que o povo de Éfeso fosse fortalecido com poder pelo Espírito no homem interior. Orou pelos Filipenses pedindo a Deus que eles transbordassem em amor uns pelos outros e que continuassem crescendo em conhecimento e compreensão espiritual. Por Filemom orou para que a comunicação de sua fé fosse eficaz no conhecimento de todo o bem que nele havia por Cristo Jesus. Pelos Colossenses orou pedindo a Deus que os ajudasse a compreender o que o Senhor desejava que eles fizessem, e que os tornasse sábios nas coisas espirituais, a fim de que a maneira deles viverem sempre agradece a Deus e o glorificasse. Orou para que eles sempre fizessem pelos outros, coisas boas e agradáveis, aprendendo em todo tempo a conhecer a Deus cada vez melhor. Pelo povo em Corinto orou para que vivessem descentemente, não porque isso seria motivo de orgulho para eles, provando que o seu ensino estava certo; Paulo desejava que eles procedessem corretamente, ainda que fossem desprezados. Paulo entendia que sua responsabilidade era incentivar o bem em todas as ocasiões, e nunca desejar o mal. Ele chega a mencionar na carta que seu desejo era de que eles se tornassem cristãos amadurecidos. Ora pelos Tessalonicenses a fim de que Deus fizesse deles a espécie de filho que Ele desejava ter – e os fizesse bons ao ponto em que eles gostariam de poder chegar – recompensando-lhes a fé com o seu poder. Então todo mundo poderia louvar o nome do Senhor Jesus Cristo por causa dos resultados que eles viam neles; e a maior glória dos Tessalonicenses seria a de pertencerem a Deus. E ele deixa claro que a terna misericórdia do nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo tornou tudo isto possível a nós.

Ao povo de Éfeso ele diz o seguinte: “Tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos” (Ef 1.18).

O chamado de Deus nos faz relembrar o início da nossa vida cristã. Veja o que ele diz ao povo de Roma: “E aos que predestinou, também chamou; aos que chamou, também justificou” (Rm 8:30).

“Deus nos chamou para Cristo e para a santidade, para a liberdade e para a paz, para o sofrimento e para a glória. Simplificando, trata-se de uma chamada para a vida totalmente nova em que conhecemos, amamos, obedecemos e servimos a Cristo, desfrutamos da comunhão com Ele e uns com os outros, e olhamos além do nosso presente sofrimento para a glória que um dia será revelada” (John Stott).

Esta é a esperança para a qual Ele nos chamou. Paulo ora para que nossos olhos sejam abertos para conhecê-la. Veja o que ele diz aos romanos:

“Contudo, aquilo que sofremos agora é insignificante, se compararmos com a glória que Ele nos dará mais tarde. Toda a criação espera com paciência e esperança por aquele dia futuro quando Deus ressuscitará os seus filhos. Isto porque naquele dia todos os espinhos e ervas daninhas, todo o pecado, morte e corrupção – as coisas que por ordem de Deus dominaram o mundo contra a própria vontade do mundo – tudo desaparecerá, e o mundo ao nosso redor participará da gloriosa liberdade do pecado que os filhos de Deus desfrutam.

Sabemos que até mesmo as coisas da natureza, como os animais e as plantas, sofrem na doença e na morte enquanto esperam esse tão grande acontecimento. E mesmo nós, os cristãos, embora tenhamos o Espírito Santo em nós como uma amostra que nos permite conhecer o sabor da glória futura, também gememos para ser libertados da dor e do sofrimento. Nós também esperamos ansiosamente aquele dia quando Deus nos dará plenos direitos como seus filhos, inclusive os novos corpos que Ele já prometeu – corpos que nunca voltarão a enfermar e nunca morrerão.

Somos salvos pela confiança. E confiar quer dizer esperar ansiosamente conseguir algo que ainda não temos – pois um homem que já tem algo não precisa esperar e confiar que o conseguirá. Entretanto, se precisamos continuar a confiar em Deus por algo que ainda não aconteceu, isso nos ensina a esperar com paciência e certeza”. (Rm 8.18-25).

Mas a nossa esperança não será concretizada apenas na ressurreição quando Cristo voltar, mas está se realizando neste momento, pois estamos gradualmente nos transformando em novas criaturas.

Paulo escrevendo ao povo em Corinto diz: “Por isso não desanimamos. Embora exteriormente estejamos a desgastar-nos, interiormente estamos sendo renovados dia após dia, pois os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles. Assim, fixamos os olhos, não naquilo que se vê, mas no que não se vê, pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno” (2 Co 4.16-18).

Mas o que Paulo chama de “sofrimentos leves e momentâneos”?  Você já parou para “conversar” com ele? Garanto que sairá renovado. Veja o que ele diz: “Eles se gabam de ser hebreus, não é? Ora, eu também sou. E eles dizem que são israelitas, o povo escolhido de Deus? Eu também sou. E eles são descendentes de Abraão? Pois eu também. Eles  dizem que servem a Cristo? Mas eu o tenho servido muito mais! Será que enlouqueci para me gabar desse jeito?

Tenho trabalhado mais arduamente; tenho sido posto na prisão muitas vezes, e chicoteado um número incontável de vezes; e tenho enfrentado a morte a cada instante. Em cinco ocasiões diferentes os judeus aplicaram-me seu terrível castigo de trinta e nove chibatadas. Apanhei de vara três vezes. Fui apedrejado uma vez. Três vezes sofri naufrágio. Numa ocasião fiquei em alto mar a noite inteira e durante todo o dia seguinte. Tenho viajado quilômetros e mais quilômetros e estado freqüentemente em grandes perigos de transbordamento de rios, de salteadores, e do meu próprio povo, os judeus, assim como nas mãos dos gentios. Enfrentei grandes perigos de multidões nas cidades, e de morte nos desertos, e de mares tempestuosos, e de homens que afirmam serem irmãos em Cristo e não são. Tenho suportado a canseira, a dor e noites sem dormir. Muitas vezes tenho sofrido fome, sede e ficado sem o que comer; muitas vezes tenho tremido de frio, sem roupa suficiente para me agasalhar.

(…) Mas se devo me gloriar, eu prefiro gloriar-me nas coisas que mostram quão fraco sou. Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, aquele que deve ser louvado para todo o sempre, sabe que eu digo a verdade” (Rm 11.23-27).

Paulo chama a tudo isto de sofrimentos leves e momentâneos – ele fala de coisas que havia experimentado. Todas estas coisas, diz ele, trabalham em nosso favor, preparando-nos para uma glória eterna.

Todos os problemas que enfrentamos estão nos preparando para lidar com a pressão, nos ensinando sobre a paciência, estão construindo em nós o caráter de Cristo. Seja um pneu furado, a promoção que você perdeu uma discussão com seu cônjuge, um diagnóstico inesperado, um fracasso comercial, o coração quebrado pela perda de um amor – todas estas coisas trabalham em conjunto para o seu crescimento (Ray Stedman)

Deus não causa dores em nossa vida, mas Ele sabe usá-las para o nosso bem, para nossa transformação. Se aprendermos a olhar para a vida dessa forma, nunca perderemos a esperança de nosso chamado em Cristo.

  Regina Lopes

Published in: on Fevereiro 14, 2010 at 3:35 pm Comentários (0)

Passar Tempo com Deus

Passar Tempo com Deus

  “Não podemos cultivar um relacionamento íntimo com Deus apenas indo à igreja uma vez por semana ou mesmo tendo um período de busca diária. Uma amizade com Deus é construída ao partilharmos com Ele todas as nossas experiências. Sim! É importante estabelecer o hábito de um momento diário consagrado à Deus, mas Ele quer  mais que um compromisso nas  nossas agendas, Deus quer ser incluído em todas as nossas atividades, todas as conversas, todos os problemas, e até mesmo todos os pensamentos. Podemos manter uma conversa contínua e ilimitada com Deus ao longo do dia, conversando sobre o quer que estejamos fazendo ou pensando no momento. Orar continuamente significa conversar com Deus enquanto fazemos compras, trabalhamos nos dirigimos à faculdade ou realizamos qualquer outra tarefa diária. Tudo o que fazemos pode ser transformado em “passar tempo com Deus”, se Ele for convidado para tomar parte e estivermos conscientes de Sua presença. A chave para uma amizade com Deus, não é somente mudar o que você faz, mas mudar a sua atitude em relação ao que faz. Hoje em dia, freqüentemente sentimos que precisamos “escapar” de nossa rotina para estar com Deus; mas isso somente porque não aprendemos a praticar Sua presença durante todo o tempo! (“Uma vida com propósitos – Rick Warren).  Paulo descrevendo a natureza humana diz: “Antigamente vocês estavam sob a maldição divina, condenados eternamente por causa dos seus pecados. Seguiam a multidão e eram bem iguais a todos os outros, cheios de pecado e obedientes a Satanás, o poderoso príncipe do poder dos ares que está operando agora mesmo no coração daqueles que estão contra o Senhor. Todos nós costumávamos ser tais quais eles são, manifestando pelas nossas vidas o mal que havia dentro de nós, e fazendo todas as coisas ruins para as quais as nossas paixões ou os nossos maus pensamentos pudessem nos arrastar. Começamos mal, trazendo de nascença uma natureza má dentro de nós, e estávamos debaixo da ira de Deus tal como todos os demais.” (Ef 2.1-3).Mas Deus é tão rico em misericórdia, nos amou tanto, que embora estivéssemos espiritualmente mortos e condenados pelos nossos pecados, Ele nos deu de volta a nossa vida quando levantou Cristo dentre os mortos – somente por sua misericórdia imerecida é que nós fomos salvos – e nos levantou da sepultura para a gloria juntamente com Cristo, onde estamos assentados com Ele nas regiões celestiais – tudo por causa daquilo que Cristo Jesus fez; e agora Deus pode sempre nos mostrar como exemplos de como sua bondade é riquíssima, como é revelado em tudo quanto Ele fez por nós por intermédio de Jesus Cristo.Devido à Sua bondade é que nós fomos salvos, mediante a confiança em Cristo. E até a própria fé em Jesus não vem de nós mesmos; é uma dádiva de Deus também. A salvação não é uma recompensa pelo bem que fizemos; portanto nenhum de nós pode obter qualquer mérito para isto. Foi o próprio Deus quem fez de nós o que somos e nos deu uma vida nova da parte de Cristo Jesus; e muitos séculos atrás, Ele planejou que gastássemos essa vida em auxiliar aos outros.Nós vivíamos separados. Éramos estrangeiros quanto à aliança da promessa, sem esperança e sem Deus no mundo e Cristo nos aproximou através do Seu sangue e por esta razão nos tornamos membros da família de Deus e cidadãos do país de Deus e pertencemos à casa de Deus como todos os outros cristãos. Nós estamos simplesmente sobre o mesmo alicerce dos apóstolos e os profetas; a pedra de esquina do edifício é o próprio Jesus Cristo. Nós fomos colocados cuidadosamente com Cristo como partes de um templo a Deus – belo e em constante crescimento. Estamos unidos a Ele, e uns aos outros, pelo Espírito, e formamos parte desta morada de Deus.Mas a maior dificuldade do ser humano é ouvir, acreditar e aceitar estas coisas. O homem não tem uma visão realista sobre o verdadeiro desespero de sua condição sem Cristo – e esta só é revelada por Deus ao abrir o entendimento para a Sua Palavra.O homem sem Deus está morto em suas transgressões e pecados. Esta é a raiz do grande problema do ser humano. Não estão um pouco errados, não são culturalmente desfavorecidos, não estão enganados em seus pensamentos. A solução para a condição humana não é melhorar a educação, oferecer um programa social ou reformar a auto-estima.O grande problema do ser humano é decisivo e desesperador. Sem Deus estão todos mortos. É extremamente difícil acreditar que estão mortos quando podem gozar a vida, curtir a família, investir numa carreira, ir ao cinema e fazer exercícios. Mas a morte é a descrição exata da condição humana. A morte promove degradação – os cadáveres tendem a deteriorar-se rapidamente, vão se decompondo, perdendo a sua consistência. O pecado causa uma gradual e progressiva deterioração em nossas vidas, e é por isso que ele está relacionado com a morte.Há pecados que, no início, seriam horríveis e repudiados pelos homens; mas quando se infiltram em suas vidas, gradualmente começam a deteriorar sua moral e valores. Isto é sinal de morte.Uma pessoa morte é totalmente impotente, não pode fazer nada para mudar sua condição. Esta é a análise que Paulo faz da minha e da sua condição, não há saída. Sem Deus não temos um Salvador e estamos todos mortos em nossas transgressões e pecados.Não podemos nos submeter a um sistema de valores sociais que estão alienados de Deus. Independentemente da época em que vivemos, seremos sempre pressionados a aprovar determinados padrões. Tudo nos leva em direção à conformidade. Não podemos ignorar ao fato de que, como o ar está presente em nosso ambiente e ainda assim é invisível para nós, também Satanás e os seus anjos invisíveis nos rodeiam, invadem as nossas mentes e manipulam as ações da raça humana, com o objetivo de gerar e multiplicar desobediência contra Deus. Paulo rompe as fachadas do nosso mundo visível e desmascara as forças maléficas que há por trás da histórica trágica e vergonhosa da humanidade.Todos nascemos com a natureza carnal por causa do pecado dos nossos pais. Como cristãos podemos viver ainda segundo a carne, ou viver segundo o Espírito Santo. A escolha é nossa.Não será através de uma determinação firme que iremos superar o mal, a carne, o pecado em nossa vida. Tudo começa nas grandes e pequenas coisas quando de coração podemos dizer “miserável homem/mulher que sou”, quão incapazes somos para enfrentar o dia a dia, para mudar de cidade, de emprego, para amar, para ser uma verdadeira testemunha do Senhor Jesus. A condição humana é universal, ninguém escapa. Não é uma questão de raça, sexo, opção política ou posição sócio-econômica. Não existe nenhuma escapatória, exceto por duas pequenas palavras: “Mas Deus…”Deus nos traz esperança de uma vida maravilhosa para além desta condição de morte em que nascemos. Somos merecedores da ira. Estávamos mortos em nossas transgressões e pecados. Mas Deus…Cada um de nós é uma demonstração nítida da graça e de Deus e seu caráter. A glória de Deus se torna visível através de seus filhos, especialmente manifestada pela incomensurável riqueza da Sua graça para conosco em Cristo Jesus. É impossível aprender a profundidade destas verdades e continuar a mesma pessoa. É impossível não passar tempo com Ele. Como diz a canção: “Meu coração se aperta ao ouvi-Lo me chamando. Eu vou já to indo ao Teu encontro, Senhor. Vou correndo ao Teu encontro.Nem que seja pra ficarmos em silêncio a sós, Senhor, só nós. Não há como desprezar o Teu chamado. Não há como rejeitar Sua Presença” (Ouço Deus me Chamar – Ludmila Ferber). Regina Lopes 

Published in: on Fevereiro 13, 2010 at 1:24 am Comentários (0)

Olhos do Coração

Olhos do Coração

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 Quando pensamos em coração, logo nos lembramos do órgão muscular oco que se localiza no meio do peito, sob o osso esterno, ligeiramente deslocado para a esquerda.  Ele tem o tamanho de seu punho fechado e pesa cerca de 400 gramas.Ele precisa receber suprimento sanguíneo para um tecido orgânico. O sangue através das hemácias é o responsável por levar o oxigênio às células. Caso este coração sofra uma isquemia levará a hipóxia.  Quando a isquemia ocorre numa parte do coração leva ao enfarto ou infarto agudo do miocárdio. Se a eliminação do fornecimento de sangue ao tecido muscular cardíaco é completa ocorre privação do ATP e da fosfocreatina – acumulação de lactato e isso leva a uma ausência de contração muscular cardíaca o que leva a uma necrose celular dos tecidos isquêmicos. Geralmente pessoas que se encontram neste estado sentem dor de caráter opressivo na região pré cordial. É difícil de ser localizada pelo paciente, pode irradiar-se para o braço esquerdo, parte lateral esquerda do pescoço, mandíbula, pode ou não ser aliviada com repouso ou pode progredir com o tempo. Pode ser acompanhada por sudoração, taquicardia, palpitação, ansiedade, intranqüilidade, sensação de morte eminente, falta de ar, náuseas, vômitos.Aconteceu com uma das irmãs de meu marido neste final de semana passado (7/02/10). Nosso telefone toca na manhã de domingo informando que ela havia infartado. O que mais nos deixa perplexos é que com todos os sintomas descritos acima o médico disse que era um problema na coluna e a mandou de volta para casa.  No momento em que terminava meu devocional lendo uma advertência de Dee Brestin sobre o cuidado do corpo – e ela chamava a atenção para uma alimentação responsável. Logo em seguida, por volta das nove horas da manhã toca o telefone informando o que havia acontecido com minha cunhada.Estou contando esta experiência para pensarmos juntos sobre uma passagem que se encontra em Efésios. Paulo diz: “Oro também para que os olhos do coração sejam iluminados, a fim de que vocês conheçam…” (Ef 1.18).John Stott nos explica que “na linguagem bíblica, o coração é o completo eu, que consiste da mente bem como da emoção. Portanto, os olhos do coração são simplesmente nossos “olhos interiores”, que precisam ser abertos ou iluminados antes de podermos compreender a verdade de Deus.” “Fora da obra do Espírito Santo os olhos do coração são cegos. Desta forma os homens com esta espécie de cegueira necessitam de duas coisas: do evangelho e da percepção espiritual”. (W. Hendriksen).Assim como faltou percepção ao médico que atendeu minha cunhada para perceber que ela estava em perigo, em nossa vida espiritual podemos viver situação similar. Quando a dor se tornou insuportável ela não teve a idéia de ligar para os irmãos ou para a mãe – foi até a sacada de sua casa e o primeiro que passou na rua ela pediu ajuda. Ela está em um hospital onde simplesmente o médico tem uma mesa em frente a sua cama. Existe alguém ali monitorando todo o tempo. Fora dos cuidados médicos minha cunhada não terá nenhuma chance.Pense em sua vida espiritual. Isaias diz que o povo que estava andando na escuridão iria ver uma grande luz. Essa luz iria brilhar e iluminar todos os que viviam na região da sombra da morte. (Is 9.2)Jesus anuncia: “Eu vim ao mundo para dar vista àqueles que são cegos no espírito, e para mostrar, àqueles que pensam que vêem que são cegos” (Jo 9.-39-41).É interessante ver a reação dos fariseus: “Os fariseus que estavam ali perguntaram: ‘Você está dizendo que nós somos cegos? ’. Veja a resposta de Jesus: “Se vocês fossem cegos, não teriam culpa de nada”, mas a culpa de vocês permanece porque vocês pensam que sabem o que estão fazendo”. O pastor Ricardo Barbosa diz que as nossas orações nascem daquilo nós somos. E por esta razão devemos pedir que as respostas do Senhor façam de nós o que devemos ser.Muitas vezes podemos querer agir como meu filho Guilherme (5 anos) que deseja ardentemente que eu o alimente apenas com “lanchinhos”. Ele tem a capacidade me dizer: “Tudo bem mamãe, você come comidinha e eu lanchinho”. Não podemos imaginar que iremos ingerir todo tipo de alimento sem que nosso corpo sofra as conseqüências de nossas escolhas. Gui sabe que há o dia certo para o lanche, mas mesmo assim tenta convencer seus pais de que esta regra pode ser quebrado e que não fará mal algum comermos apenas pizzas, hambúrgueres, batata frita, refrigerante - e se nós, como pais não o orientarmos da maneira correta teremos um filho mimado.Muitas vezes nos tornamos adultos, mas com a alma de uma criança mimada, cheia de vontades. Não é este o caminho.Paulo entendia que o povo de Éfeso precisava ser preparado e que seus corações precisavam ser transformados para entender e aceitar aquilo que Deus estava fazendo. Deus não busca manipuladores de seus propósitos.Quando lemos atentamente as cartas de Paulo e suas orações em cada carta percebemos que sabia das oscilações na fé que os cristãos estão sujeitos, ele conhecia o perigo – que eu e você corremos – de perder a motivação no meio da luta cristã.Nesta terça-feira (9/02/10) observava um grupo de idosas no SESI de Jacarepaguá. Elas estavam em uma conversa animada enquanto aguardavam seu horário na piscina e uma reclamava a ausência de uma terceira pessoa e estimulava a volta dela dizendo que não podia parar de malhar. A paixão daquela idosa pelos exercícios se esfriou. Às vezes nossa paixão por Cristo se esfria e nossos espíritos se tornam apáticos, por isso a oração de Paulo reflete uma profunda compreensão das necessidades de todos os que lêem essa carta.Deus continua a operar seus milagres de transformação, silenciosamente, fazendo surgir à luz da vida onde há apenas a escuridão da morte!Que seus corações sejam inundados de luz a fim de que vocês compreendam qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos, e qual a suprema grandeza do Seu poder para conosco, os que cremos, segundo a operação da força do Seu poder, que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e fazendo-o sentar-se à sua direita nos céus, acima de todo principado, e autoridade, e poder, e domínio, e de todo nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro. (Ef 1.18—21). Regina Lopes

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8ª parte Uma Vida Digna da Vocação Que Recebemos

Uma Vida Digna da Vocação Que Recebemos

8ª parte

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O mundo em que Paulo viveu era cheio de idéias distorcidas e filosofias erradas a respeito de Deus, assim como o nosso mundo hoje. O evangelho nos traz então de volta à realidade, é verdade, é o fim da ilusão.“O evangelho descreve o verdadeiro estado do coração humano. Ele desvenda nosso falso e enganoso desejo de insistir em que não há nada errado com nossa maneira de viver e hábitos pecaminosos. O evangelho “esfrega em nossos narizes” a nossa condição ruim, desesperada, e que foram os nossos pecados que literalmente pregaram o Filho de Deus numa cruz!” (Ray Stedman).Todos aqueles que se afastam da verdade revelada na Bíblia estão propensos a entrarem em todo tipo de confusão.Certo homem bradava sua liberdade e o fazia usando palavras que revelavam um caráter ignóbil, que revelava obscenidade. O que ele chama de liberdade, na verdade é escravidão.Não podemos caminhar afastados da Palavra e muitos menos desprovidos do frescor e vitalidade do Espírito.  Não podemos subir em púlpitos, escrever, cantar, dar aulas estando estéreis, sem vida, apenas cumprindo um “dever cristão”, sem demonstrar motivação, satisfação, amor, carinho, alegria, santidade, temor. O Espírito interpreta a Palavra, e a Palavra se torna fresca e vital quando o Espírito de Deus está presente. É através do Espírito Santo que Jesus Cristo transpõe as páginas da Bíblia e permanece como uma presença viva em nossas vidas. Essa é a missão do Espírito: tonar vivas as páginas da Bíblia em nossa experiência cotidiana.É a Palavra de Deus que identifica o Espírito e valida Sua voz dentro de nós. O Espírito de Deus jamais vai nos indicar algo que viole o ensino da Palavra de Deus.Paulo deixa muito claro que não devemos apenas ouvir a palavra da verdade, mas também temos de agir em conformidade a ela. Segundo Ray Stedman “crença resulta em mudança em si mesmo, conforme a realidade daquilo que você acredita”Somos selados em Cristo com o Espírito Santo da promessa. Ray Steman nos explica que esta é uma referencia à antiga prática de selagem de cartas ou outros objetos com um fecho oficial de cera. A utilização deste tipo de selo denotava três conceitos: autenticidade, apropriação e preservação.Da mesma forma, ao sermos selados pelo Espírito Santo fica claro que a nossa vida pertence a Deus.Deus quer você para sempre. E resolveu marcar a sua vida mostrando que você é posse Dele.  Ele derramou um pouco da porção da Sua própria essência em você. O Espírito Santo. Que é a garantia da nossa herança até a redenção daqueles que pertencem a Deus.Paulo usa o conceito do Espírito Santo como garantia que no grego “arrhabon” significa um pequeno depósito ou primeira parcela. É o que acontece, por exemplo, quando ao comprar um carro você assina um papel e faz um depósito de pequeno valor (dá uma entrada) para garantir a negociação.O fruto que o Espírito Santo nos concede hoje “amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio (Gl 5.22-23) e a maravilhosa certeza da salvação (2Pe 1:3-11), é a primeira parcela do que está por vir. O Espírito Santo é o depósito de uma muito maior, ampla e rica experiência com Deus quando estaremos no céu com Ele por toda a eternidade.Quando vemos a ação os benefícios que cada uma das Pessoas da Santíssima Trindade tem realizado em nossas vidas, não nos resta nada a fazer a não ser glorificar a Deus.Além disto, viver para o louvor da glória de Deus não é somente adorá-lo com nossas palavras e ações, mas também levar outros a velo e adorá-lO (John Stott).Que você acorde todas as manhãs de 2010, consciente de que é filho de Deus, que seus pecados foram perdoados e você foi aceito (a) na família de Deus. Ele pôs seu Espírito dentro de você.  Mas há uma pergunta que precisa ser feita: Estamos vivendo uma vida digna da vocação que recebemos?Essa é uma pergunta que transforma nossas vidas. É onde paramos para reavaliar nossa caminhada. Reavaliar o que estamos oferecendo ao próximo no dia a dia, nos púlpitos, nos livros, nas músicas, nos artigos.Não temos que oferecer as pessoas o que o mundo oferece. Estamos cercados por uma sociedade amedrontada pelo caos e seus lábios só anunciam o que transborda seus corações.Um dia desses estava na sala de espera do médico e duas mulheres conversavam e elas lamentavam a situação de uma terceira pessoa. E ao ouvir o relato disse para Deus: Oh Senhor que terrível! Não sei quem é esta pessoa, mas te peço que tenha misericórdia. Mais a frente descobri que aquelas mulheres falavam de um personagem de novela. Se gasta tanto tempo com estes folhetins (e confesso ser completamente analfabeta no assunto já que não suporto novela), mas as pessoas gastam tanto tempo com estas coisas que sem perceber seus corações são tomados por fantasias e passam a viver uma vida que não existe.Mas nós não somos vocacionados para estas coisas. Nós somos diferentes. Não é possível que tudo o que temos para oferecer seja uma vida vazia, estéril. Nossa boca precisa produzir o som de um coração que teme ao Senhor e que prioriza as verdades de Deus “Infelizmente, nossas almas estão vazias. Nossos púlpitos estão vazios. O rebanho está sendo alimentado com capim seco. Ele está de barriga cheia, mas mal nutrido. Sua vida não tem tônus espiritual, sua fé é inconseqüente (…)” (Walter McAlister – O Fim de Uma Era – p. 96).“(…) Temos de voltar a pregar não apenas boas pregações. Mas, acima de tudo, temos de pregar a verdade. Toda verdade ensinada, toda tradição revisitada e toda pregação precisa ter como objetivo principal a mensagem da vida, dos ensinamentos, da paixão, da morte e da ressurreição de Jesus Cristo – Deus encarnado. Sem redescobrir o verdadeiro Jesus e sua mensagem, estamos perdidos (Walter McAlister – O Fim de Uma Era – p. 77).E antes que você possa pensar que esta função é apenas para pastores, deixe-me lembrar algo: “Ele disse aos discípulos: ‘Toda autoridade no céu e na terra foi entregue a mim. Portanto, vão e façam discípulos em todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo, e depois ensinem estes novos discípulos a obedecerem a todas as ordens que Eu lhes dei; e tenham certeza disso – que Eu estarei sempre com vocês, até o fim do mundo” (Mt 28.18).Precisamos nos voltar para a Palavra de Deus. Ela nos ensina a viver com sabedoria, enfrentando cada situação da maneira certa. Comunica aos filhos de Deus a forma de viver justa, correta e inteligentemente. Transforma as pessoas de coração aberto em verdadeiros sábios. Ensina a enfrentar e vencer os problemas da vida. E só nos tornaremos sábios quando entendermos que é preciso em primeiro lugar respeitar e obedecer ao Senhor. Somente os tolos se recusam a ser ensinados e desprezam a sabedoria (Pv 1.1-7).“(…) Nossa igreja está mostrando a cara, está marcando presença, estamos na televisão, marchamos pela rua. É como torcer por um time. Mas a Igreja não deve acrescentar torcedores, e sim discípulos de Cristo, e isso compreende necessariamente um envolvimento pessoal” (McAlister – p. 102).“(…) Mas o problema é que não revelamos sequer a nós mesmos quem somos. E por isso não somos. Não por uma decisão de Deus, mas por uma teimosia humana em aparentar apenas o que agrada. Que necessidade é essa de agradar o tempo todo? (..).“(…) Não há perfeição, meu amigo. Há manias, idiossincrasias, bobagens que colecionamos, mas que fazem parte de nós. Fomos nos construindo paulatinamente e chegamos até aqui. Até aqui, onde? Sem essa pergunta, mesmo que sem resposta, como prosseguir? (…)”.“(…) Quando ficarmos a sós conosco mesmos, o que seremos capazes de dizer? Que deu certo o nosso disfarce, que não perceberam as nossas culpas na nossa fragilidade? Vamos inventar um outro idioma, como o javanês de Lima Barreto, para que todo mundo fique surpreso com o que parecemos saber? E, quando olharmos para o lago imaginário, será que reconheceremos a nossa alma? Ou tentaremos enganar também? Ou fingiremos não ver o visível? (…) ( Gabriel Chalita – Carta entre amigos –p. 64;66;67).Oxalá você seja profundamente incomodado (a) e que este incomodo o leve a viver uma vida digna da vocação que recebeu.  Regina Lopes 

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7ª parte Uma Vida Digna da Vocação Que Recebemos

Uma Vida Digna da Vocação Que Recebemos7ª parte 

“(…) há uma beleza insondável no verbo “entender”. Há uma riqueza fascinante sugerida no conceito. Entender é entrar na tenda. É penetrar o significado. Eu o entendo à medida que entro na tenda com você. Eu o compreendo melhor quando faço o exercício de entrar no seu mundo. Entro para ver a coerência de suas verdades. Entro para desvelar os motivos que geram o seu jeito de ser e agir. Nisso consiste a grande força de Jesus. Ele entrava na tenda daqueles que dele se aproximavam. Fez assim com Pedro, com João, com Zaqueu. Não ficou do lado de fora, no lugar confortável de onde costumamos fazer o julgamento do mundo, mas assumiu o risco de tocar a história que estava diante de seus olhos. Esse entendimento lhe proporciona autoridade. Ele conhecia o coração de seus amigos. Sabia das possibilidades, mas sabia também dos limites. Gosto de identificar isso em Jesus. Ele encorajava as pessoas a se mostrar em sua verdade mais crua, e por isso não havia motivos para falsidades e hipocrisias. Ele provocara a verdade dos outros, estimulava o contato com a fragilidade, mas de um jeito novo (…)”.  (Fábio de Melo – Carta entre Amigos – Sobre medos contemporâneos; p.76,77).Nós fomos abençoados com toda sorte de bênçãos do céu porque nós pertencemos a Cristo. A origem de toda benção é Deus Pai. Ele nos escolheu para sermos santos e irrepreensíveis em Sua presença.Muitas vezes a palavra santidade é distorcida: “Santos significa plenos. Assim como atingimos a integridade física quando o nosso corpo funciona da forma correta, quando todos os órgãos, membros e sistemas cumprem suas funções; da mesma forma atingimos a plenitude espiritual quando todo o nosso ser cumpre sua função de acordo com o propósito de Deus, isto é … Deus nos escolheu, nele antes da criação do mundo para sermos restaurados a fim de atingir o propósito original para o qual fomos criados” (Ray Stedman).Sermos irrepreensíveis não significa que devemos ser sem pecado, porque como Romanos 3.23 diz: “todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus”.Irrepreensíveis aqui significa fidedigno, ou seja, alguém que é digno da fé, digno da vida, digno daquilo que compreendeu e creu acerca do evangelho.Deus não deseja uma santidade que pode ser medida pela freqüência aos cultos, por exemplo, mas uma santidade na presença de Deus, isto é, em tempo integral; não só na presença de líderes religiosos ou irmãos em Cristo.“Ele nos sugere que na fragilidade humana está o visgo que nos prende a Deus, pois ele nos aponta nossas ausências. Deus é o preenchimento dessas ausências” (Fábio de Melo – Carta entre Amigos – Sobre medos contemporâneos; p.77)“Avançar e santificar são movimentos que se dão pelo sopro do mesmo vento. O que não podemos esquecer é que nem a santidade nem o avanço serão possíveis sem a experiência das quedas e dos tropeços. (..) quiseram nos educar para a coragem e para a santidade, mas esqueceram de nos mostrar a fraqueza como parte integrante da força. Desarticularam as partes do todo, fragmentaram a realidade, quiseram nos entregar o pódio, mas esqueceram de dizer que o pódio só é possível depois do treinamento e que o tempo de treino é o tempo de reconhecimento e da superação dos limites.Essa desarticulação gera em nós o perigo das idealizações, o ideal, quando dissociado da luta, transforma-se em fator alienante e, por isso, nocivo. A idealização é muito comum nos dias de hoje. As pessoas estão à procura de realidades e pessoas perfeitas. Os encontros estão cheios de expectativas e, por isso, não são reais (…). A idealização não comporta defeitos e limites, mas projeta-se em caricaturas revestidas de uma cera frágil que lhes empresta feições perfeitas. No entanto, com o tempo tudo se quebra, tudo se fragmenta, porque a vida não é perfeita. O real da existência é fruto da conjugação de limites e possibilidades. O precário está em tudo o que é criado. É estatuto irrenunciável da condição”. (Fábio de Melo – Carta entre Amigos – Sobre medos contemporâneos; p.77).Em amor Deus nos predestinou para sermos adotados como filhos, por meio de Jesus Cristo.  Aqui está uma explicação parcial de como Deus cuida de todos os fracassos e vergonhas, para nos tornar santos e sem culpa. Deus realiza esta mudança em nós através de um novo relacionamento familiar, Ele nos adota e recebe como seus próprios filhos, dando também uma nova imagem, a imagem de Cristo (Rm 8.29).Quando Jesus entra em nossa vida a Sua luz dissipa a escuridão do nosso pecado (Jo 8.11). Ele pode colocar nossa culpa de lado e mandar seguir em frente.Jesus nos redimiu. Nele temos a redenção por meio de seu sangue, o perdão dos pecados. Nele não vivemos inseguros. “Quanto mais inseguros nos sentimos, mais malvados nos tornamos. Grunhimos e mostramos nossas garras. Por que? Por que somos maus? Em parte. Mas também porque nos sentimos encurralados” (Max Lucado –Sem Medo de Viver- p.17,18).Paulo usa a redenção para descrever a obra de Jesus para cumprir o bom propósito da vontade de Deus Pai. Redenção (apolutrõsis) significa livramento mediante o pagamento de um preço, e era aplicada especialmente no resgate de escravos.É o ato de comprar um escravo e tirá-lo do mercado, assim ele não estará mais à venda, não haverá mais negócio. Jesus fez isto, nos comprou e libertou do cativeiro, Ele pagou um alto preço com a sua morte na cruz.Para nós a redenção é de graça, mas para Ele custou muito. Seu sangue derramado sobre a cruz da vergonha colocou a nossa culpa de lado. Esta foi a obra do Filho.Que nossa vida seja digna da vocação que recebemos e não ignóbil. Uma vida cingida, apoiada, fundamentada Nele. Que vivamos como aqueles que se encontram em estado de graça perante Deus. Como aqueles que viram o Rei, o Cordeiro soberano, como diz a canção:  

 I see the LordAnd He is seated on the throne

The train of His robe

Is filling the heavens

I see the Lord

And He is shining like the sun

His eyes full of fire

His voice like the waters

Surrounding His throne

Are thousands singing

Holy holy holy

Is the Lord God Almighty

Holy holy holy

Is the LordQue sua vida seja digna como quem viu o Senhor: “Ele estava sentado em um trono alto e majestoso; todo o templo estava cheio da sua glória. À sua volta voavam poderosos serafins, anjos que tinham seis asas. Com duas asas, eles cobriam seus rostos, com duas cobriam os seus pés, e com duas voavam. Formando um grande coral, eles cantavam: “Santo, santo, santo é o Senhor do Universo; toda a terra está cheia da sua glória”. Era tão tremendo esse coral, que chegou a sacudir o templo, até os alicerces. De repente todo o templo ficou cheio de fumaça. Então pensei em voz alta: “Chegou a minha hora! Vou morrer porque seu um pecador. Cada vez que abro a boca eu peco, e isso acontece com todo o meu povo. E agora eu vi o Rei, o Senhor do Universo”.Foi aí que um dos serafins veio voando para perto de mim, Ele havia tirado uma brasa do altar, e com ela tocou a minha boca. Depois me disse: “De agora em diante você é considerado ‘inocente’ porque esta brasa tocou os seus lábios. Os seus pecados foram perdoados”.Então o Senhor fez uma pergunta: Quem será o mensageiro que Eu vou enviar ao meu povo? Quem irá? E eu respondi: Eu irei Senhor. Mande-me.” (Is 6. 1b-8  - leia todo o restante do capítulo). 

Regina Lopes

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6ª Uma Vida Digna da Vocação Que Recebemos

Uma Vida Digna da Vocação Que Recebemos

6ª parte

 

  

  “Qualquer pessoa que se sinta à vontade neste mundo, tal como se apresenta agora, não o percebeu adequadamente. Quem convive passivamente com as causas aparentemente aleatórias que distinguem felizes de infelizes, no mínimo ainda não teve coragem de levantar a cortina para ver o que se passa do outro lado do mundo visível”. (Ed René – Vivendo com Propósitos; p.3).Simplificamos excessivamente a vida, suprimimos a percepção da morte, dissemos a nós mesmos que a felicidade e a liberdade viriam automaticamente e concordamos que a solidão, ansiedade e o medo eram sempre neuróticos e podiam ser vencidos com um melhor ajuste. (May)O filme “The Reader” (O Leitor, 2008) começa com o que parece um estranho romance retirado dos sonhos de um adolescente fantasiando suas primeiras impressões sobre o “amor romântico”, encenado com a bela mulher experiente que iria iniciá-lo sexualmente. Mas o desfecho não será outro senão um envolvente drama com situações que nenhum código moral e ético será capaz de resolvê-las.Michael Berg (David Kross), um adolescente comum de família de classe média, e Hanna Schmitz (Kate Winslet), uma solitária que gasta sua vida em uma rotina de trabalho que a sustenta em seu modesto quarto de um condomínio no subúrbio alemão, terão suas vidas marcadas por tramas proporcionadas pelas casualidades dos encontros e desencontros em momentos distintos da vida.O romance termina repentinamente com o desaparecimento de Hanna, sem direito às respostas, mas com muitos mistérios e frustrações ao sonho do adolescente. Alguns anos depois, no pós-2ª Guerra, Michael, agora um proeminente estudante de Direito, vê o mundo sair dos trilhos ao reencontrar a misteriosa mulher do seu romance de adolescente em condições difíceis e problemáticas ante um julgamento de interesse público: acusação por crime nazista – em Auschwitz.Diante da situação, uma profusão de pensamentos embaralhados atinge o jovem. E aqui a moral e a ética são destoadas pelo que foi vivido no curto romance de sua adolescência.Nessas novas configurações da vida de Michael e Hanna, conflitos e angústias não irão faltar. O que proporcionará um desfecho surpreendente, onde muitos mistérios do romance da história de vida passada de Hanna e Michael poderão encontrar algumas respostas.A situação vivida por Hanna no julgamento pode ir de “culpada” a “inocente” facilmente: se do ponto de vista de Michael ou do público.Mas o que me chama a atenção é a interpretação de Ralph Fiennes e Kate Winslet, eles encarnam o personagem de tal forma que conseguem expressar todo vazio decorrente de suas escolhas e até mesmo a falta de coragem.A coragem é a virtude básica para todos os que continuam a crescer, progredir (Rollo May).Não se trata da coragem necessária para enfrentar ameaças externas, como a guerra. Referimo-nos antes à coragem como qualidade interior, como maneira de nos relacionarmos conosco mesmo (…). À medida que alcançarmos este ânimo para nos enfrentarmos é possível com maior equanimidade enfrentar as ameaças de uma situação externa. (May).Coragem nada mais é senão uma resposta afirmativa aos choques da existência, que precisamos suportar para atualizar a nossa própria natureza (Kurt Goldstein).O seu oposto não é a covardia e sim a ausência de coragem. Dizer que alguém é covarde significa o mesmo que afirmar que ela é preguiçosa (inativa, não diligencia). Revela simplesmente que uma potencialidade vital não foi realizada (…). O oposto de coragem, quando se procura compreender o problema em termos de nossa época, é a conformidade (estado de submissão) automática. (May).O apóstolo Paulo faz uma pergunta aos romanos: “Quando vocês pensam naquilo que Ele fez por vocês, isto será pedir muita coisa?” (Rm 12.1).E faz um pedido: “Não imitem a conduta e os costumes deste mundo, mas seja, cada um, uma pessoa nova e diferente, mostrando uma sadia renovação em tudo quanto faz e pensa. E assim vocês aprenderão de experiência própria, como os caminhos de Deus realmente satisfazem a vocês” (Rm 12.2).O filósofo Teilhard de Chardin diz que não somos seres humanos passando por uma experiência espiritual, somos seres espirituais passando por uma experiência humana.Qualquer projeto de vida que se esgote no aqui e agora está fadado ao fracasso, e qualquer conquista que não sobreviva ao túmulo é incapaz de trazer a experiência de plenitude e encher de significado aos dias (Ed René – Vivendo com Propósitos; p.38).A coragem para ser autentica dificilmente seria considerada a maior virtude nos nossos tempos. Um dos problemas é que muita gente ainda associa esta espécie de valor com as atitudes pedantes dos self-made men do século XIX, ou com o ridículo, porém sincero tema do poema Invictos: “Sou senhor do meu destino”. O especial valor que muita gente dá hoje em dia ao firmar-se nas próprias convicções fica bem claro na expressão “fazer pé firme”. A principal sugestão desta posição vulnerável é que qualquer um poderia dar uma rasteira nesse “pé firme”. A pessoa poderá ficar vegetando nesta posição, tal um hindu sentado numa árvore, exposto ao ridículo da população, que não dá valor a essa espécie de proeza, até que o galho se quebre (May).Ele nos tirou de um poço de destruição, de um atoleiro de lama; pôs nossos pés sobre uma rocha e firmou-nos num local seguro (Sl 40.2). Podemos clamar “Aba Pai”. Embora humanos e sujeitos à tentação da raça adâmica, deixamos de ser escravizados pela morte e pelo pecado. Fomos transferidos para uma nova família e recebemos então uma identidade. Pela obra de Jesus Cristo somos transformados em filhos de Deus para glorificá-lo.As pessoas temem ficar isoladas, sozinhas ou rejeitadas. Quando alguém mergulha na multidão não correm tais riscos. Não se trata de um segmento de imaginação neurótica: as pessoas têm um medo mortal de agir segundo as próprias convicções, ao risco de ser rejeitadas pelo grupo.  (May)Filiação também subentende responsabilidade. O Pai celestial não estraga os seus filhos, pelo contrário, Deus nos disciplina para o nosso bem, para que participemos da sua santidade (John Stott; Hb 12.10).O personagem Michael Berg (O Leitor) mergulha tão fundo no vácuo que não comparece ao enterro de seu próprio pai, não comparece a própria festa de aniversário, esquece dos amigos e é atormentado durante toda uma vida porque faltou coragem.A coragem é necessária a cada passo para afastar-se da massa. Para tornar-se uma pessoa independente; é como sentir as dores do próprio nascimento. A coragem, seja a do soldado, arriscando a vida, ou a da criança ao seguir para a escola, significa força para deixar o que é familiar e “seguro”. É necessária não só uma decisão crucial pela própria liberdade, como nas pequeninas opções de cada momento, que constroem a estrutura do edifício de quem age com liberdade e responsabilidade. (May)A afirmação de que o ser humano compartilha com o Deus do Espírito – espírito implica dizer que somente o ser humano pode vibrar na freqüência de Deus, e somente imerso nesse Deus o ser humano pode ser o que foi destinado a ser (Vivendo com Propósitos; p.67).Imagine-se o que teria ocorrido se Sócrates, em seu julgamento, houvesse baseado nos pontos de vista e nas leis dos seus inimigos. Toda a diferença reside em sua pressuposição: “Homens de Atenas, prefiro obedecer a Deus e não a vós”. Sócrates buscou no âmago de si mesmo um guia de conduta. Muitas pessoas dotadas, cujas qualidades conquistaram pública aprovação, confessam em particular que se sentem impostoras (May, 1972).Por que razão o infinito Deus do universo escolheu criaturas fracas, cheias de falhas, propensas ao pecado como você e eu para fazerem parte do seu plano final?“… conforme o bom propósito da sua vontade, para o louvor da sua gloriosa graça, a qual nos deus gratuitamente no Amado”. (Ef 1.5-6).

Regina Lopes

Published in: on Fevereiro 1, 2010 at 1:26 pm Comentários (0)

5ª parte Uma Vida Digna da Vocação Que Recebemos

Uma Vida Digna da Vocação Que Recebemos

5ª parte

 “O que me faz ter medo com respeito a esta geração é o quanto ela se apóia na ignorância. Se o desconhecimento geral continuar a crescer, algum dia alguém se levantará de um povoado por aí dizendo ter inventado… a roda” (Mordecai Richler).De fato é verdade que a mente do homem está afetada pelas devastadoras conseqüências da Queda. A “depravação total” do homem significa que cada parte constituinte da sua humanidade foi, até certo ponto, corrompida, inclusive sua mente, a qual a Escritura descreve como “obscurecida”. Com efeito, quanto mais os homens reprimem a verdade de Deus que reconhecem, mais “fúteis”, ou mesmo “insensatos” se tornam no seu pensar. Podem declarar-se sábios, mas são tolos. A mente deles é a “mente da carne”, a mentalidade de uma criatura decaída, e é basicamente hostil a Deus e à sua lei (John Stott – Crer é também Pensar – p.10).Tudo isso é verdade. Mas o fato de que a mente do homem é decaída não nos pode servir de desculpa para batermos em retirada, passando do pensamento à emoção, já que o lado emocional da natureza humana está igualmente decaído. De fato, o pecado traz mais efeitos perigosos à nossa faculdade de sentir do que à nossa faculdade de pensar, porque nossas opiniões são mais facilmente controladas e reguladas pela verdade do que nossas experiências. Assim, pois, apesar do estado decaído da mente humana, ainda o homem lhe é ordenado pensar e usar sua mente, na condição de criatura humana que é. Deus convida o Israel rebelde. “Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor”. E Jesus acusou as multidões descrentes, inclusive os fariseus e saduceus, por poderem interpretar as condições meteorológicas e preverem o tempo, mas não poderem interpretar “os sinais dos tempos” nem preverem o julgamento de Deus. “Por que perguntou-lhes. Em  outras palavras: por que não usais os vossos cérebros? Por que não aplicais ao campo moral e espiritual o sentido comum que empregais no físico? (John Stott; p. 10).Uma religião divorciada do pensamento diligente e elevada tem tido, através de toda a história da igreja, a tendência de se tornar fraca, estéril e nociva; por outro lado, o intelecto desprovido de seus direitos no âmbito da religião, tem procurado sua satisfação fora, e desenvolvido um materialismo sem Deus. (John Stott; p.13).Solomon Asch começou a elaborar pesquisas (1950) acerca da pressão social exercida pelos grupos. A pergunta que ele pretendia responder era: Como e até que ponto as forças sociais moldam as opiniões e atitudes das pessoas? Era uma época em que as telecomunicações experimentavam crescentes avanços e, desde então, já havia a preocupação do poder de influência que a mídia poderia exercer na população.Asch colocava um grupo de atores em uma sala e somente um voluntário, mas este não sabia que os demais eram atores. Então a tarefa era olhar uma linha vertical de uma determinada figura e encontrar sua correspondente dentre três linhas (moleza! Você pensa). Todos respondem a letra certa. No próximo par de figuras, nenhum problema e todos respondem a mesma óbvia opção. Até que um ator responde errado e então o voluntário pergunta-se como pôde cometer tal erro. A resposta era visível. O voluntário pensa inconformado, mas o próximo ator comete o mesmo erro, e também o terceiro e todos os demais. O voluntário é o último a responder e dá a resposta certa. Todos olham para ele. Que coisa estranha!No par de figuras seguinte, o grupo novamente dá a resposta errada. O voluntário tem certeza que eles estão errados. Mas como podem todos estarem errados e só o voluntário estar certo? Ele responde de maneira diferente novamente.Na próxima rodada o voluntário já não tem tanta certeza se está certo. Sua insegurança começa a dar lugar à angústia. Será que ele não está enxergando direito? Que constrangimento responder de maneira diferente de todos! “Ah, quer saber? Posso até errar, mas acho melhor responder igual aos outros. Não estou me sentindo bem discordando de todo mundo, divergindo dessa estranha unanimidade.”No fim do experimento o voluntário descobre, porém, que o único voluntário de verdade era ele. Os outros sete ali presentes eram atores que faziam parte da pesquisa. Todos foram orientados para dar as respostas erradas para ver até que ponto o voluntário resistiria sendo o único dissidente da sala. Pouco, muito pouco. O voluntário não agüentou ser o único respondendo diferente e passou a acompanhar o grupo, mesmo tendo certeza (ao menos no início) de que estava dando a resposta errada.É exatamente isto que acontece em nosso meio. A necessidade de pertencimento tem levado muitos cristãos a se submeterem mesmo sabendo destoar da Palavra de Deus suas escolhas. Não agüentam ser o único respondendo diferente e passam a acompanhar o grupo mesmo tendo certeza de que estava no caminho certo e os outros no caminho errado.Meu trabalho de casa durante as férias é estudar a mente de um psicótico e a pergunta é: “Há algo especial ou diferente em pessoas que seguem “lideres malucos” ou pessoas comuns como eu e você poderíamos ser levados a isso em determinada circunstancia?” A necessidade de ser aceito supera o desejo de fazer o que é certo. Por esta razão muitos riem de coisas pelas quais deveriam chorar, aplaudem o que não deveriam aplaudir, apóiam o que não merecia apoio. “Será que alguém pode convencer outra pessoa a tomar algo como certo mesmo que seja errado?” A resposta é sim.  Basta um olhar mais atento e perceberemos esta trágica realidade. Os golpes ou o escárnio das pessoas com quem nos relacionamos tornam-se mais importantes do que a aprovação de Jesus (Brennan Manning – O Impostor que vive em Mim – p.148).O pecado dominante de minha vida adulta tem sido a recusa covarde de pensar, sentir, agir, reagir e viver a partir do “eu” verdadeiro por causa do medo de ser rejeitado. Isso não quer disser que deixei de crer em Jesus. Ainda creio, nele, mas a pressão das pessoas limitou as fronteiras da minha fé (idem).Esse medo de ser ridicularizado paralisa de modo mais eficiente do que o faria um ataque direto ou uma crítica dura e franca. Quantas coisas boas deixam de ser feitas por causa de nosso medo da opinião dos outros! Este pensamento nos imobiliza: o que os outros dirão? A ironia de tudo isso é que as opiniões que mais tememos não são de pessoas que realmente respeitamos, e, ainda assim, elas nos influenciam mais do que gostaríamos de admitir. Esse medo debilitante que temos de nossos pares pode gerar uma mediocridade pavorosa (Peter G. Van Breeman).O estudo de conformidade de Solomon Asch dá indícios sobre o poder de influência que os grupos exercem sobre os indivíduos. Mostra que o simples desejo de pertencer a um ambiente homogêneo faz com que as pessoas abram mão de suas opiniões, convicções e individualidades. Até quando viverá uma vida infértil? “Essas pessoas, vivendo de emoções emprestadas, cambaleando pelos corredores no tempo como bêbados num navio (…) nunca saboreiam a vida de forma tão profunda para se tornar santos ou pecadores” (Manning; p.171).A graça de Deus inunda as almas dos seus filhos com sabedoria e discernimento. A sabedoria é a capacidade de aplicar o conhecimento para melhor proveito, e discernimento é o resultado de pôr a mente na revelação redentora de Cristo, o mistério de Sua vontade (W. Hendriksen)Quanto a nós, quão bitolada é a nossa visão comparada com a de Paulo, quão pequena é a nossa mente, quão estreitos são os nossos horizontes! De modo tão fácil e natural deslizamos para uma preocupação qualquer com nossos assuntos mesquinhos. Devemos, porém, ver o tempo à luz da eternidade, e nossos atuais privilégios e obrigações à luz da nossa eleição no passado e da nossa perfeição no futuro. Então, se compartilhássemos da perspectiva do apóstolo, também compartilharíamos do seu louvor. A vida se transformaria em adoração e bendiríamos a Deus constantemente por nos ter abençoado tão ricamente em Cristo (John Stott).O soberano Deus nos escolheu e não podemos esquecer que Seu plano vai muito além dos nossos fracassos.  O caráter de Deus não muda. As riquezas da Sua graça se manifestam em nossas vidas enquanto aprendemos a responder ao mundo da mesma maneira que Jesus.Eis as boas novas! Dia após dia, momento por momento, Deus está a destruir o “velho homem” em nós e nos transformar numa “nova criatura”, nos trazendo a plenitude e unidade em Cristo, conforme a semelhança do Filho.Quanto mais compreendermos este processo maior será a nossa alegria por ver o propósito supremo de Deus se cumprindo em nossas vidas: nossa transformação a fim de que nos assemelhemos mais e mais com o caráter de Cristo, para louvor da glória de Deus Pai, pois para isto fomos vocacionados.

 Regina Lopes

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4ª parte Uma Vida Digna da Vocação Que Recebemos

Uma Vida Digna da Vocação Que Recebemos

4ª parte 

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Se você crê somente naquilo que gosta no evangelho e rejeita o que não gosta, não é no Evangelho que você crê, mas, sim, em si mesmo (Agostinho).O ser humano perdeu em grande parte da capacidade de crer e afirmar qualquer valor. Por mais importante que seja seu conteúdo, ou por mais conveniente que seja, em teoria, este ou aquele, o que o indivíduo precisa é uma capacidade anterior, isto, é a capacidade de avaliar.A vitória da barbárie, em movimentos como o nazismo, não ocorreu porque as pessoas houvessem esquecido as tradições éticas de sua sociedade, como alguém que perde um código. Os valores humanistas da liberdade e do bem maior para a maioria, os valores cristãos da comunidade e do amor ao próximo continuavam nos livros de estudo, eram ainda ensinados nas escolas dominicais e não seria preciso nenhuma expedição arqueológica para desenterrá-los.As pessoas perderam a capacidade intima de afirmar, de conhecer na prática valores e metas reais e vigorosos. Procuram de forma artificial um núcleo de valores como quem se dispõe a comprar um casaco novo. As tentativas para encontrar valores exteriores a si mesmas em geral inclinam a pessoa diretamente para a questão do que o seu grupo dela espera – qual a “moda” corrente, tanto em valores como em casacos e isto faz parte de correntes que fluem para o vazio, na sociedade. May diz que há algo de errado até mesmo na frase “discussão de valores”. Nunca se adquire uma convicção acerca de valores por intermédio de debates intelectuais. O que uma pessoa valoriza na vida é aceito como uma realidade, e a pessoa consideraria qualquer discussão teoria sobre o valor do amor aos filhos, ao prazer que sente ouvir uma música, por exemplo, como irrelevantes, senão impertinentes. A menos que possamos afirmar os valores da fé cristã, a menos que nossos motivos íntimos para seguirmos a Cristo, nossa percepção ética sejam o ponto de partida, nenhuma discussão de valores chegará a ter verdadeira importância.  O discernimento, o bom senso e a decisão precisam estar enraizados na capacidade em avaliar. Somente quando afirmarmos, em todos os níveis de nossa personalidade, que determinada maneira de agir faz parte de nossa visão da realidade e decidirmos relacionarmos com ela – somente então o valor será eficaz para nossa vida, pois é obvio que só então seremos capazes de assumir responsabilidade por nossos atos. E somente assim aprenderemos por nossas ações como agir diante de Deus e dos homens. Quando alguém decidi como agir e afirmar o  objetivo com plena consciência é que sua ação terá convicção e força, pois então de fato a pessoa acredita no que está fazendo.Enquanto organizava meus livros, meu filho Guilherme (quatro anos) encontrou uma bíblia e ele dizia o tempo todo que precisava dela e perguntou se podia ficar com ela e então perguntei por que ele desejava tanto ficar com aquela bíblia e ele respondeu: “Ela tem mapa mamãe, me ajudará a encontrar o caminho, por favor, me deixe ficar com ela”. É uma bíblia de estudo e ela contém mapas. Gui passou o dia andando com aquela bíblia e feliz porque tinha o mapa. Guigui ensina uma grande lição. As Escrituras realmente têm um “mapa” e não somente um mapa, mas instruções importantíssimas. Ao abri-la descubro que todas as bênçãos do Espírito são dadas pelo Pai se estamos no Filho. Não podemos transformar a ação de Cristo ao chamar herdeiros para uma vida digna em uma vida de adultério (Tg 4.1-4). O relacionamento com Deus, como qualquer outro, funciona em mão dupla. A Bíblia nos assegura de Seu amor, lembra-nos do seu perdão e retrata sua graça. Não temos motivo para duvidar que Ele anseie por manter um relacionamento conosco.Em nossa vida cristã, às vezes, podemos nos sentir tentados a manter um pé no mundo e outro no caminho do Senhor. Tiago compara tal tentativa ao casamento infiel – somos adúlteros para com Deus quando traímos a aliança que estabelecemos com Ele.    Em nossa vida cristã, às vezes, nos sentimos tentados a manter um pé no mundo e o outro no caminho do Senhor. Tiago compara tal tentativa ao casamento infiel – somos adúlteros para com Deus quando traímos a aliança que estabelecemos com Ele.Nós fomos eleitos, aproximados e nos foi oferecido uma vida afluente, exuberante, farta, fértil, rica. May se refere à graça como uma nova harmonia que emerge, e sempre inclina o coração a maravilhar-se. E ele diz que os termos maravilha, humildade, graça não é passiva, de alguém sobre quem uma ação é exercida, como em algumas atitudes religiosas. Não é entrega sem ação, sem inter-relacionamento. A passividade seria ineficaz. A simples reação já supõe vivacidade. A graça está na proporção direta do grau de participação da pessoa. Graça é a capacidade para evoluir. É uma nova atitude em relação à consciência. A consciência agora é uma fonte de orientação para obter o máximo proveito do que nos é ensinado através das Escrituras. É a capacidade de explorar os próprios níveis mais profundos. É inconcebível trocarmos uma vida digna da vocação que recebemos por uma vida carente, desprovida, destituída, escassa, minguada, privada, vazia.Que o Senhor nos conceda o crescimento em conhecimento e compreensão espiritual. Que possamos sempre ver com toda a clareza a diferença entre o certo e o errado. Que não venhamos permitir que estraguem a fé e a alegria com soluções erradas e superficiais baseadas em idéias e pensamentos humanos, em lugar daquilo que Cristo disse. Que sejamos sábios, que a nossa fala seja sensata, pois assim teremos a resposta certa para aqueles que perguntarem a razão da nossa fé e para que fomos vocacionados.  

Regina Lopes

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3ª parte Uma Vida Digna da Vocação Que Recebemos

Uma Vida Digna da Vocação Que Recebemos

3ª parte

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Esta semana recebi dois e-mails no mínimo “curiosos”: Um informava que encontra-se a minha disposição materiais para estudo de um determinado ministério que entre outras coisas se intitula extravagante e o outro (que se multiplica em minha caixa de e-mail) é para boicotar o BBB10 porque o diretor deste programa diz não temer polêmica, nem a comunidade evangélica, pois é desunida e omissa.

De um lado encontra-se a minha disposição materiais de um grupo que se intitula insano, insensato, esquisito, pois é este o significado da palavra extravagante e por outro eu devo boicotar o BBB10 devido às declarações de um diretor por causa da cena de dois homens se beijando e por ele afirmar que a comunidade evangélica é desunida e omissa.

“A Igreja evangélica está abraçando causas e métodos que violam a sua essência e desvirtuam sua missão. Ela corre grande perigo nesse sentido. Está lançando mão de recursos que não são legítimos, em especial a televisão e o poder político. Falemos primeiro da TV. Neil Postman escreveu, em 1985 um livro chamado Amusing OurSelves to Death (Divertindo-se até morrer) em que fala sobre a televisão como um instrumento desagregador, que trivializa toda informação que passa por ela. A TV é hoje um meio de comunicação de massa que se iguala pelo denominador comum mais baixo possível. Tanto que o que dá mais ibope são as coisas mais ignóbeis possíveis. A televisão educativa não tem audiência, ninguém dá a mínima. Quase ninguém vê televisão para se educar, para se enobrecer. A maioria quer ver televisão só para parar de pensar ou se esquecer, se desviar daquilo que a atormenta, se distrair(Mcalister, Walter – O Fim de Uma Era – p.39,40).

“(…) A nossa verdadeira cidadania é a do Reino de Deus. Dentro desse contexto, creio que a Igreja está prestes a ser desagradavelmente surpreendida, pois vem usando sua liberdade religiosa como um marinheiro embriagado. No Brasil, a percepção de que igreja é um bom negócio, de que o sacerdote é um sem-vergonha e de que tudo gira apenas em torno do dinheiro provavelmente fará com que a Igreja seja surpreendida por medidas do governo federal que poderão coibir sua liberdade. E uma Igreja banalizada não tem tônus espiritual para fazer frente a uma verdadeira perseguição. Então uma grande parte vai simplesmente fugir da igreja, que vai se esvaziar. Muitos vão quebrar. Essa festa vai acabar e, infelizmente, não será por um avivamento – que pode até vir depois. Mas, em primeira instancia, vai acabar quando o juízo visitar a Igreja. Quando cairmos na real será tarde demais. Em resumo, o mundo que já amamos se voltará contra nós e seremos traídos pelo nosso próprio adultério espiritual. Nas palavras de Cristo: “O sal sem gosto será pisado pelos homens”. (Mcalister, p.49).

A igreja tem abandonado as verdades sólidas que nos sustentam em cada momento da vida cristã para correr atrás do vento. “As verdades bíblicas são tão confiáveis quanto às leis da natureza, e funcionam independentemente de como nos sentimos a respeito delas” (Ray Stedman).

O apóstolo Paulo se descreve como um mensageiro, uma voz de Deus. Como ele mesmo diz em Gálatas 1.11-16. Ele não conhecia o evangelho por debatê-lo com outros, mas por recebê-lo diretamente de Jesus Cristo. Ele não ofereceu outras credenciais, não se refere a si como um “adorador extravagante” ou a sua formação aos pés de Gamaliel, nem a sua privilegiada origem hebréia (Atos 22.3; Fl. 3.4-6). “Seu apostolado viera da vontade de Deus e da escolha e comissão de Jesus Cristo” (John Stott).

O que estamos fazendo com a nossa vida? Como pode ser uma vida digna da vocação que recebemos se nos intitulamos “pessoas que tem vida irregular, dissipadoras”, pois é isto que significa extravagante.  Como pode ser uma vida digna da vocação que recebemos se tudo o que sai pela nossa boca são comentários a respeito de Reality Show.

Será que viveremos como enfermos que em geral não morrem, mas também não se curam?  “Rebeldes na arena da vida, permanecem perpetuamente num determinado estágio, marcando passo” (Rollo May).

Os que se reconhecem enfermos precisam defrontar francamente com o fato de estarem doentes. “Procurar conscientemente compreender o que estava errado em sua existência para terem sucumbido à doença”. (Rollo May).

“É duvidoso que alguém recupere a saúde caso não decida de maneira responsável ser sadio, e quem quer que faça esta opção torna-se melhor integrado como pessoa em virtude de ter tido uma doença” (Rollo May).

A liberdade é dramaticamente ilustrada por ações “heróicas”, como a decisão de Sócrates no sentido de antes tomar a sicuta que transigir; mais significativo ainda, porém, é o exercício diário da liberdade psicológica e espiritual, numa sociedade conturbada como a nossa. A liberdade, portanto, não é apenas uma questão de dizer “sim” ou “não” diante de uma decisão específica: é a força de amoldar e criar a nós mesmos. É a capacidade de nos tornarmos o que verdadeiramente somos”. (Rollo May; Nietzsche).

May diz que a liberdade jamais ocorre num vazio; não é anarquia. Eu não sei o que você fará com a sua vida. Não sei se será digna da vocação que recebeu ou não. Não sei o que pregará, escreverá e falará durante todo este ano de 2010. Não sei em que rodas se assentarão, não sei com o que irá alimentar a sua alma. Você tem liberdade para escolher, pois o próprio Deus nos dá esta liberdade. Nós escolhemos que caminho seguir e como interagir com a história.

Não sei o que move a sua vida. Paulo fala da fidelidade do povo de Éfeso e não da extravagância. O adjetivo fiel, no grego “pistos” pode ter dois significados: ter fé, confiar e fidedigno, digno de fé, que merece crédito.  Nós temos sido fieis nos dois sentidos? Temos vivido uma vida digna da vocação que recebemos?

Regina Lopes

Published in: on Janeiro 22, 2010 at 9:19 am Comentários (0)

2ª parte Uma Vida Digna da Vocação Que Recebemos

Uma Vida Digna da Vocação Que Recebemos

2ª parte

 

 

Acompanhando os noticiários esta semana, uma frase chamou atenção: “Nós temos fome e sede, por favor, venham nos ajudar”  (frase dita por um haitiano).

Temos assistido vários profissionais se dirigindo ao Haiti – homens e mulheres vocacionados que voluntariamente seguem para uma região devastada pelo terremoto.

Não tenho a menor pretensão de “romantizar” os fatos até porque não caberia isto no meio de uma tragédia. Não temos noção exata do que está acontecendo naquele lugar. As notícias são filtradas e só nos chegam imagens permitidas. O profissional que se dirige para aquele lugar só tem noção exata do que está acontecendo ao se deparar com a realidade daquele povo, e muitos mesmo tendo uma idéia do que lhes aguarda se oferecem para ajudar. Um militar disse a seguinte frase: “Nós nos preparamos durante toda uma vida para estes momentos”.  

Quero trazer este exemplo para nós cristãos. Nós fomos escolhidos pelo Pai, abençoados em Cristo. Ele nos escolheu para lhe pertencermos por meio do que Cristo faria por nós. Seu plano imutável sempre foi adotar-nos em sua própria família, pelo envio de Jesus Cristo para morrer por nós. E Ele fez isto porque quis.

Fomos redimidos pelo Filho e todas as coisas convergem nEle. Fomos selados pelo Espírito Santo. E durante a caminhada cristã podemos fazer escolhas de valores e metas que devem nos fazer, caso desejemos chegar à integração, pois o valor – a meta em direção à qual caminhamos serve-nos de centro espiritual, psicológico – uma espécie de força integradora que reúne nossas capacidades como um ímã concentra as suas linhas de força.

Saber o que se quer é simplesmente a forma elementar do que, na pessoa madura, é a aptidão para escolher seus próprios valores. A característica do homem amadurecido é ter sua vida integrada às metas por ele mesmo escolhidas. Sabe o que quer, não apenas como uma criança que deseja um sorvete, mas como um adulto que planeja e trabalha em direção a um relacionamento criativo com Deus.

Ele deseja que sejamos disciplinados (firmes) e amadurecidos, ou seja, que cheguemos ao ponto de superação, que nos tornemos ponderado, experimentados, comedidos, equilibrados na fé.

O grau desta força intima e integridade do indivíduo depende da medida de sua crença, nos valores que pautam sua vida.

A vida daqueles que se voluntariaram para estar no Haiti não será a sombra, deitados em uma rede tomando água de coco ao som de Bob Acri tocando Sleep Away (é a canção que ouço enquanto digito).

O apóstolo Paulo ao se dirigir aos efésios diz: “aos santos e fiéis em Cristo Jesus que estão em Éfeso”.

Os santos do Novo Testamento eram pessoas como nós, que lutavam com problemas em suas famílias e locais de trabalho, os mesmos problemas emocionais e espirituais que eu ou você tenhamos, porém tomaram a decisão de viver de maneira diferente. Viver para Deus.

Podemos olhar hoje para Haiti e aprendermos algumas lições. Em época de transição, quando o espírito do ser humano não pode atingir nenhuma certeza a respeito da verdade, o que resulta em um procedimento intelectual de dúvida permanente e na abdicação, na incapacidade de uma compreensão absoluta do real, a dúvida acompanha todas as idéias, a tarefa do indivíduo torna-se mais difícil. A pergunta que faço é: A onde estarão aqueles que foram eleitos, aproximados e vocacionados?

Goethe disse certa vez: “(…) ninguém sente prazer em debater com o que é essencialmente estéril”.

Que convicções nos impregnam, dando-nos significado e imprimindo em nós senso de propósito?

Será que temos adotado aspectos mais óbvios e menos sólidos? Será que nosso interesse pela “fé” contribui principalmente para a ampliação do autoritarismo e da reação onde ficaremos mais perdidos ainda? Nossa fé é sadia e proporciona segurança que amplia em vez de diminuir o valor pessoal, a responsabilidade e a liberdade? Nossa consciência é sadia?

Muitos “terremotos, saques, roubos” acontecerão. Ouviremos gemidos dos que se encontram soterrados, famintos e sedentos e se ainda ouvimos o que o Espírito diz a Igreja, só nos resta orarmos a Deus constantemente pedindo ao Pai que nos conceda sabedoria para que vejamos claramente e realmente compreendamos quem é Cristo e tudo o que Ele fez por nós. Que nossos corações sejam inundados de luz, a fim de que nós possamos ver alguma coisa do futuro que Ele nos chamou a partilhar. Que consigamos compreender como é incrivelmente grande o seu poder para ajudar aqueles que crêem nele, pois foi este poder que levantou a Cristo dentro os mortos e o fez sentar-se no lugar de honra no céu, à mão direita de Deus, muitíssimo acima de qualquer outro rei, governador, ditador ou líder. Sua honra é muito mais gloriosa do que a de qualquer outro, seja neste mundo, seja no mundo futuro. E Deus colocou todas as coisas debaixo de seus pés e o fez o Cabeça da Igreja – que é  o seu  corpo, repleto dele mesmo, que é o Autor e Doador de todas as coisas em toda parte.

Que Deus nos dê as palavras exatas enquanto falamos corajosamente aos outros acerca do Senhor lhes explicando que a salvação é também  para eles. Que nos dê paz e amor, além da fé proveniente de Deus o Pai e do Senhor Jesus Cristo.

Que o Senhor resgate cada haitiano não só dos escombros, mas os resgate das trevas e da escuridão do reino de Satanás e os tragam para o reino de seu querido Filho, que comprou a nossa liberdade com o seu sangue e perdoa todos os nossos pecados. Que a fome, a sede do corpo  e da  alma sejam saciados. Que cada órfão encontre um lar. Que a misericórdia do Senhor os alcance!

Que cada voluntário seja cheio da poderosa força de Deus para que possam continuar avançando, sempre agradecidos a Deus pela oportunidade que estão tendo de serem úteis. Que a saúde psíquica, espiritual e física seja preservada em todo o tempo e que posam retornar para seus lares em segurança quando o tempo deles ali terminar.

Que a graça e a benção de Deus estejam sobre todos nós.

 

Regina Lopes

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1ª parte Uma Vida Digna da Vocação Que Recebemos

Uma Vida Digna da Vocação Que Recebemos

1ª parte

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  Foi o que Paulo pediu ao povo de Éfeso e é o que o Espírito de Deus nos convoca: Viver uma vida digna da vocação que recebemos (Ef 4.1).Éfeso era um importante porto da Ásia Menor, localizado perto da atual Izmir.O mundo naqueles dias era marcado por grande violência e perversidade, e a humanidade vivia sem esperança: “Seguiam a multidão e eram bem iguais a todos os outros, cheios de pecado e obedientes a Satanás, o poderoso príncipe do poder dos ares que está operando agora mesmo no coração daqueles que estão contra o Senhor”. Ef 2.2.  “Deus, entretanto, mostra do céu a sua ira contra todos os homens pecadores, maldosos, que repelem a verdade. Pois a verdade sobre Deus é revelada entre eles instintivamente; Deus pôs esse conhecimento em seus corações. Desde os primeiros tempos os homens viram a terra, o céu e tudo quanto Deus fez, tendo conhecido sua existência e seu grande e eterno poder. Assim, eles não terão desculpas alguma (quando estiverem diante de Deus no Dia do Juízo).Sim, eles bem sabiam de Deus, mas não admitiram, nem o adoraram, nem mesmo agradeceram a Ele todo o seu cuidado diário. E, depois, começaram a fazer idéias tolas de como Deus seria e o que Ele queria que eles fizessem. O resultado foi que suas mentes insensatas ficaram confusas e em trevas. Dizendo-se sábios sem Deus, tornaram-se ao vez disso completamente tolos. E então, em vez de adorarem ao Deus glorioso, vivente, tomaram madeira e pedra e fizeram ídolos para si, esculpindo-os para que parecessem simples aves, animais, serpentes e homens mortais.E assim Deus deixou que continuassem com toda a espécie de pecados sexuais e que fizessem tudo quanto desejassem: coisas vis e pecaminosas com os corpos uns dos outros. Em vez de crerem naquilo que eles próprios sabiam ser a verdade sobre Deus, escolheram de vontade própria crer em mentiras. E assim fizeram suas orações às coisas que Deus fez, mas não obedecendo ao Deus bendito que criou essas mesmas coisas.Esta é a razão pela qual Deus os abandonou, deixando-os cometer todas essas ações pecaminosas, a tal ponto que até suas mulheres se voltaram contra o plano natural que Deus tinha para elas e cederam aos pecados sexuais entre elas mesmas. Os homens, em vez de trem relações sexuais normais cada qual com sua mulher, arderam em paixão uns pelos outros, homens praticando coisas vergonhosas com outros homens e, como resultado disso, receberam a paga em suas próprias almas com o castigo que bem mereciam.Assim, quando eles abandonaram a Deus e nem mesmo o reconhecera, Deus os deixou fazer tudo quanto suas mentes malignas poderiam imaginar.Suas vidas ficaram cheias de toda espécie de maldade e pecado, ganância e ódio, inveja, assassínio, brigas, mentira, amargura e mexericos. Falam mal uns dos outros mentindo, cheios de ódio contra Deus, insolentes, fanfarrões orgulhosos, pensando sempre em novas maneiras de pecar, e sendo continuamente desobedientes a seus pais. Procuravam compreender mais, quebravam suas promessas e tornaram-se criaturas sem coração – sem nenhuma compaixão. Eram perfeitamente sabedores da pena de morte divina por todos esses crimes; contudo, continuaram assim mesmo e os praticaram de todas as maneiras, encorajando outros também para que agissem do mesmo modo.” Rm 1.18-32. Será que há alguma semelhança com os nossos dias? Enquanto estava preso e aguardando julgamento em Roma, Paulo escreveu cartas aos efésios, filipenses, colossenses e ao povo de Filemom para ser lido pelas congregações, com o objetivo de expressar que sua fé estava centrada em Cristo, fortalecê-los com a graça de Deus para com a igreja, a fim de que pudessem ser fonte de benção para o mundo e prepará-los para permanecer unidos frente aos ataques externos e distorções internas.Paulo ministrou durante três anos em Éfeso, período em que desenvolveu um profundo relacionamento com aqueles irmãos. Em sua despedida Paulo lhes diz: “Vocês sabem que desde o dia em que pus o pé na Turquia até agora tenho feito humildemente o trabalho do Senhor – sim, e com lágrimas – e tenho enfrentado sério perigo das conspirações dos judeus contra a minha vida. Mesmo assim nunca fugi de falar a verdade a vocês tanto publicamente como nas suas casas. Eu tenho tido só uma mensagem, tanto para os judeus como para os estrangeiros – a necessidade de se voltarem do pecado para Deus, por meio da fé em nosso Senhor Jesus Cristo.E agora vou para Jerusalém, para lá mandado pelo Espírito Santo, não sabendo o que me espera ali, a não ser o que o Espírito Santo me tem dito, de cidade em cidade, que eu tenho pela frente prisão e sofrimento. Mas a vida não vale nada, a menos que eu viva para fazer a obra que o Senhor Jesus me destinou – a obra de contar aos outros a Boa Nova da graça e do amor de Deus.E agora sei que nenhum de vocês, entre quem eu andei ensinando o Reino, jamais me verá outra vez. Quero dizer-lhes claramente que a culpa pela perdição de alguém não pode ser lançada sobre mim, porque eu não deixei de contar a vocês toda a mensagem de Deus.E agora, tomem cuidado! Não deixem de alimentar e pastorear o rebanho de Deus – a igreja dele, comprada com o seu sangue – pois o Espírito Santo está entregando-lhes a responsabilidade como supervisores. Eu sei com certeza que, depois que eu for, falsos mestres, como lobos ferozes, aparecerão no meio de vocês e não terão pena do rebanho. Alguns de vocês mesmos torcerão a verdade para conseguir seguidores. Cuidado! Lembrem-se de que durante três anos estive com vocês, ensinando noite e dia a cada um com muitas lágrimas. Agora eu entrego todos a Deus, ao cuidado dele, e à sua graça, que são capazes de edificar a fé e dar a vocês toda a herança daqueles que estão separados para Ele.Nunca mostrei cobiça por dinheiro ou por roupas caras. Vocês sabem que estas minhas mãos trabalharam para pagar minhas próprias despesas e até para as despesas daqueles que estavam comigo. E eu fui um exemplo constante para vocês no socorro aos pobres, com o dinheiro que eu mesmo ganhava, pois me lembrava das palavras do Senhor Jesus: ‘É maior benção dar do que receber’”. Atos 20.18-35Nós fomos eleitos, aproximados, vocacionados, mas temos vivido uma vida digna da vocação que recebemos?O teólogo Rollo May diz que nas fases de transição e desintegração, como o final do período helênico e o crepúsculo do medievalismo, a fé tende também a emergir. Em geral, duas coisas sucedem então. Primeiro, as crenças e tradições herdadas tendem a cristalizar-se, suprimindo a vitalidade individual. Os símbolos usados na fase de decadência tornam-se fórmulas secas, vazias, fáceis de manejar, mas carentes de conteúdo. Segundo acontece que a vitalidade se divorcia da tradição e torna-se rebeldia difusa, perdendo a força como a água que flui no solo em todas as direções.  E ele nos faz uma pergunta: “Não será este o nosso dilema hoje em dia?”Ele diz: “O perigo, em pleno século XX (minha edição é de 1972), é que as pessoas, tontas, confusas, e às vezes até em pânico, sem saber em que devem acreditar adotem valores destrutivos”. May disse na época que o Comunismo surgia para preencher o vácuo da fé, causado pelo desmoronar da religião estalebelecida. Penso que hoje ele trocaria pelo Capitalismo e Arthur M. Schlesinger Jr diria que tudo isto proporciona uma finalidade, “curando” a agonia interior da ansiedade e da dúvida. Uma inclinação para os valores destrutivos torcendo a verdade para conseguir seguidores e estes por sua vez construindo carapaças protetoras, encolhendo-se por detrás delas. Esforços fundamentalmente autodestrutivos. São barcos à deriva.Por falta de coragem, em tempos conturbados alimentam-se de coisas que não fará bem algum a si mesmo ou ao próximo.Somos convocados a buscar uma compreensão mais profunda da Palavra de Deus, de nós mesmos e uma corajosa confrontação de nossa situação histórica. Temos vivido de maneira digna da vocação que recebemos?Nós somos geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. Este é o objetivo da igreja, esta é a vocação de cada um de nós.A nossa principal resposta a esta tão grande e inigualável vocação deve ser um viver totalmente voltado para o louvor e a glória de Deus.Estamos nós vivendo de maneira digna, levando Deus e a sua Palavra a sério? 

Regina Lopes   

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Published in: on Janeiro 19, 2010 at 10:42 am Comentários (0)

5ª parte Suas Palavras São Fonte de Benção?

Suas Palavras São Fonte de Benção?

5ª parte

http://felino.felisberto.net/wp-content/uploads/2007/10/palavras.JPG A língua expressa o que pensamos, sentimos e queremos. A mente diz o que pensamos não necessariamente o que Deus pensa. A vontade diz o que queremos não o que Deus quer. As emoções dizem o que sentimos não o que Deus sente.  Ao mesmo tempo em que nossa alma é purificada, também é treinada para conduzir os pensamentos, desejos e sentimentos de Deus e, assim, transformar-nos em porta-vozes do Senhor.Há um ditado russo que diz que o peixe começa a apodrecer pela cabeça. Tudo o que estiver em nossa mente ficará rondando até que encontre o caminho da boca.  Não somos chamados por Deus para sermos espectadores, consumidores ou críticos, mas servos. Existem qualidades que estão no coração do Senhor, que estavam encarnadas na vida de vários homens e mulheres que o serviram e que Ele quer ver na vida de cada  filho Seu. Os filhos de Deus deixam marcas e não manchas. Não podemos manchar o mundo com nossas palavras, mas precisamos marcá-lo com a Palavra de Deus.Gostaria de encerrar esta série com o pensamento de Fábio de Melo sobre o uso das palavras:“A palavra tem sido cada vez mais mal utilizada. Às vezes nós escutamos cada coisa! As pessoas falam de qualquer jeito. Utilizam de linguagem muito chula no dia a dia. Eu fico cada vez mais intrigado, pois sou um adepto da palavra. Eu acredito que nós somos artesãos da palavra.  O sacerdote é um artesão da palavra. O poeta é um artesão da palavra e todos nós devemos ser artesãos da palavra. Ser artesão da palavra nos coloca nesta responsabilidade de buscar a palavra certa para cada momento e às vezes nós desperdiçamos tanta palavra em determinadas situações. Nós deixamos que palavras ruins permaneçam na nossa boca, nós permitimos que a nossa boca seja tomada pela maldade do mundo.Existem palavras que fazem mal. Ninguém gosta de ser chamado de um jeito chulo. Ninguém gosta de ser chamado de “cachorro”. “Sai pra lá seu cachorro!” E hoje esta é uma linguagem que está tomando conta. Não foi no Rio de Janeiro que começaram com a “linguagem das cachorras?”Em outros tempos os poetas para homenagear as mulheres declamavam chamando-as de rosa, hoje não, hoje é cadela. Não! Você não merece isso! É uma linguagem chula que está tomando conta do vocabulário.As pessoas acham normal brincarem umas com as outras usando palavras chulas. Isso fere! A palavra tem o poder de ferir da mesma forma que tem o poder de curar.Eu sempre digo o seguinte: Você está caladinho agora? Pronto! Nesta experiência de silêncio que você está vivendo agora, o mundo está sendo preparado na sua boca porque o mundo começa na palavra que nós dizemos. Deus para começar o mundo Ele disse uma palavra. Mas Ele não disse uma palavra qualquer. Ele disse uma palavra que expressava bondade e tudo àquilo que Ele fez, as Escrituras Sagradas dizem que era bom. Está aí! A cada momento que a nossa boca se fecha - tome esta consciência, isto não é bobagem, isto é para nos dar sabedoria na vida - a cada momento que a sua boca se fechar e você ficar em silêncio, pense: O mundo está sendo preparado, o mundo vai começar de novo agora na palavra que eu vou dizer e então você irá escolher bem a palavra. Você não dirá uma palavra qualquer. É um compromisso que nós podemos ter com Deus: “Senhor eu quero ser o seu verbo, eu quero ser a sua palavra viva, e onde quer que eu esteja eu quero ser a pronuncia de uma palavra onde alguém possa ser feliz. Eu quero ser a pronuncia de uma palavra que possa ajudar alguém a ser melhor”.Que cada vez mais nós possamos descobrir o valor da palavra bendita porque de palavras mal ditas o mundo já está cheio.Pronto! Estamos em silêncio e o mundo vai começar de novo na palavra que nós vamos dizer. Prepare bem esta palavra. Derrame o Deus todo poderoso sobre você e sobre a palavra que você vai dizer hoje, amanhã e sempre. A benção a Ele que é Pai, Filho e Espírito Santo. Faça a sua parte!

Amém!

Regina Lopes

Published in: on Janeiro 18, 2010 at 12:26 am Comentários (0)

4ª parte Suas Palavras São Fonte de Benção?

Suas Palavras São Fonte de Benção?

4ª parte

 

No filme Sherlock Holmes há uma cena em que o personagem Black Wood diz o seguinte a Holmes: “Amplie sua visão Sr. Holmes e fortaleça a sua mente”. Sherlock é solicitado para desvendar uma trama maligna e mortal que está assolando a Inglaterra. E para isso terá que usar todo o seu raciocínio enfrentando o misterioso Black Wood.

As forças malignas estão aumentando, e coisas perigosamente estranhas estão acontecendo em cada setor do mundo. Nestes últimos dias, é importante ter em mente a promessa de Deus: “Vindo o inimigo como uma corrente de águas, o Espírito do Senhor arvorará contra ele a sua bandeira” Is 59.19.

Devemos corajosamente enfrentar o fato de que Satanás está operando da maneira mais vil e poderosa nestes últimos dias – mas também devemos nos lembrar que o Espírito de Deus é mais forte do que o inimigo.

Na qualidade de cristãos, não devemos nos preocupar com Satanás, ou ficar frustrados com suas táticas. Pelo contrário.

Mas às vezes ele tenta enganar o ser humano fazendo-o pensar que certas palavras não trazem qualquer conseqüência e antes que percebam tornam-se escravos destas mesmas palavras. Assalta-se a mente e os sentidos dos homens, leva as pessoas a perderem o controle promovendo destruição e ruína.

Nós, os cristãos especialmente, não devemos ignorar as artimanhas que ele usa para distorcer e emaranhar a mente das pessoas, para saturar as vidas com sua sujeira e podridão.

O teólogo Rollo May nos conta uma parábola intitulada “O homem que foi colocado numa gaiola”. Ele conta que certa noite, o soberano de um país estava de pé à janela, ouvindo vagamente a música que vinha da sala de recepção, do outro lado do palácio. Estava cansado da recepção diplomática a que acabara de comparecer e olhava pela janela, cogitando sobre o mundo em geral e nada em particular. Seu olhar pousou num homem que se encontrava na praça, lá embaixo – aparentemente um elemento de classe média, encaminhando-se para a esquina, a fim de tomar um bonde para casa, percurso que fazia cinco noites por semana, há muitos anos. O rei acompanhou o homem em imaginação – fantasiou-o chegando a casa, beijando distraidamente a mulher, fazendo sua refeição, indagando se tudo estava bem com as crianças, lendo o jornal, indo para a cama talvez se entregando ao ato do amor com a mulher, ou talvez não, dormindo, e levantando-se para sair novamente para o trabalho no dia seguinte.

E uma súbita curiosidade assaltou o rei, que por um momento esqueceu o cansaço. “Que aconteceria se conservassem uma pessoa numa gaiola, como os animais do zoológico?”

No dia seguinte, o rei chamou um psicólogo, falou-lhe de sua idéia e convidou-o a observar a experiência. Em seguida, mandou trazer uma gaiola do zoológico e o homem de classe média foi nela colocado.

A princípio ficou apenas confuso, repetindo para o psicólogo, que o observava do lado de fora: “Preciso pegar o trem, preciso ir para o trabalho, veja que horas são, chegarei atrasado!” À tarde começou a perceber o que estava acontecendo e protestou veemente: “O rei não pode fazer isso comigo! É injusto, é contra a lei”. Falava com voz forte e olhos faiscantes de raiva.

Durante a semana continuou a reclamar com veemência. Quando o rei passava pela gaiola, o que acontecia diariamente protestava direto ao monarca. Mas este respondia: “Você está bem alimentado, tem uma boa cama, não precisa trabalhar. Estamos cuidando de você. Por que reclama?” Após alguns dias, as objeções do homem começaram a diminuir na gaiola, recusando-se em geral a falar, mas o psicólogo via que seus olhos brilhavam de ódio.

Após várias semanas, o psicólogo notou que havia uma pausa cada vez mais prolongada depois o rei lhe lembrava diariamente que estavam cuidando bem dele – durante um segundo o ódio era afastado, para depois voltar – como se o homem perguntasse a si mesmo se seria verdade o que o rei havia dito.

Mas algumas semanas passaram-se e o prisioneiro começou a discutir com o psicólogo se seria útil dar a alguém alimento e abrigo, a afirmar que o homem tinha que viver seu destino de qualquer maneira e que era sensato aceitá-lo. Assim, , quando um grupo de professores e alunos veio um dia observá-lo na gaiola, tratou-os cordialmente, explicando que escolhera aquela maneira de viver; que havia grandes vantagens em estar protegido; que eles veriam com certeza o quanto era sensata a sua maneira de agir, etc. Que coisa estanha e patética, pensou o psicólogo.

Por que insiste tanto em que aprovem sua maneira de viver?

Nos dias seguintes, quando o rei passava pelo pátio, o homem inclinava-se por detrás das barras da gaiola, agradecendo-lhe o alimento e o abrigo. Mas quando o monarca não estava presente e o homem não percebia estar sendo observado pelo psicólogo, sua expressão era inteiramente diversa – impertinente e mal humorada. Quando lhe entregavam o alimento pelas grades, às vezes deixava cair os pratos, ou derramava a água, e depois ficava embaraçado por ter sido desajeitado. Sua conversação passou a ter um único sentido: em vez de complicadas teorias filosóficas sobre as vantagens de ser bem tratado, limitava-se a frases simples como: “É o destino”, que repetia infinitamente. Ou então murmurava apenas: “É”.

Difícil dizer quando se estabeleceu a última fase, mas o psicólogo percebeu um dia que o rosto do homem não tinha expressão alguma: o sorriso deixara de ser subserviente, tornara-se vazio, sem sentido, como a careta de um bebe aflito com gases. O homem comia, trocava algumas frases e distante e, embora fitasse o psicólogo, parecia não vê-lo de verdade.

Em suas raras conversas deixou de usar a palavra “eu”. Aceitara a gaiola. Não sentia ira, zanga, não racionalizava. Estava louco. O psicólogo no momento de preparar seu relatório não podia afastar a idéia de que algo se perdera algo fora roubado ao universo naquela experiência. E o que restava era o vazio.

May diz que “liberdade significa abertura, disposição para evoluir; significa ser flexível, pronto para mudar em vista de mais importantes valores. Identificar liberdade com terminado sistema é negá-la, cristalizá-la. Liberdade é a aptidão para nos amoldarmos. É o outro aspecto da autoconsciência: se não tivermos consciência de nós mesmos seremos impelidos pelo instinto, ou pela marcha automática da história. A autoconsciência dá-nos a aptidão para nos afastarmos da rígida cadeia de estímulos e reações, fazer uma pausa e assim avaliar, decidir qual será a nossa resposta”.

Somos convidados a viver sob o sangue andando na luz. Se andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado.

Se não entendermos de fato o que significa sermos livres acabaremos em “gaiolas” como o trabalhador da parábola de May, mas não seremos levados por algum monarca, mas por nossa própria língua. E pior do que passar um tempo na gaiola é se acostumar com ela. Precisamos agir no reino espiritual onde nos apoiamos na unção do Espírito Santo.  A frase dita pelo personagem Black Wood é muito oportuna. Nós precisamos ter a nossa visão ampliada e fortalecer a nossa mente.

A melhor maneira de corrigir qualquer indisciplina da língua é permitir que o Espírito Santo produza em nós o seu fruto. Aqueles que vivem sob o domínio do Espírito de Deus saberão abrir a sua boca com sabedoria. 

A nossa boca irá sempre reproduzir o que estiver dentro do nosso coração. Se a nossa língua estiver sob o controle do príncipe deste mundo o que restará será o vazio. Você se sentirá infértil seco.

May diz que liberdade revela-se na maneira como nos relacionamos com as realidades da vida. A forma e o estilo de construção da casa são produtos de como você, com um elemento de liberdade, usa a realidade de determinados materiais. É essencial conhecer o material e aceitar suas limitações. Quando se constrói uma casa defronta-se com todas as espécies de elementos no tijolo, no concreto e madeira. Não há como mudar isto. Não podemos construir a nossa casa espiritual com um material de terceira e também não podemos fugir as “medidas” estabelecidas pela Palavra de Deus, caso contrário esta casa irá ruir

Não é possível que o acabamento desta “casa” seja feito com argumentos falsos. A liberdade não é uma espécie de botão elétrico isolado, chamado “vontade livre”.  A liberdade revela-se no ajuste da própria vida com as realidades – tão simples como descansar e alimentar-se ou tão importantes como a morte, assim nos diz May.

Com que material tem sido construída a sua fala? Precisamos discernir certas falas – certas palavras chegam de mansinho. Falamos hoje e nos sentimos constrangidos, no dia seguinte nem tanto e em pouco tempo estamos revelando o que não se queria ou não se tencionava dizer e o que diremos não irá edificar consolar ou exortar. É apenas lixo.

Todas as vezes que oro por meus filhos digo ao Senhor que eles não foram gerados para povoar o inferno. Eu não gerei filhos para calamidade porque tenho a convicção de que nenhum de nós é gerado para calamidade. A base de sua vitória certa é que Jesus derrotou Satanás, despiu-o de sua autoridade e Jesus ressuscitou como Vencedor eterno. Com Cristo em você conte certamente com este fato inabalável: “Maior é aquele que está em vós do que aquele que está mundo” (1 Jo 4.4). Que este seja o seu testemunho pessoal diário.

Cite corajosamente a Palavra de Deus como Jesus fez. A Palavra é a arma número um; quando o inimigo ou o seu ”eu” vier como uma torrente, o Espírito do Senhor levantará uma bandeira – a Palavra contra ele e contra suas idéias desorientadas. Cite a Palavra com freqüência até o seu coração transbordar dela. Há prisioneiros a nossa volta que devem ser libertados de todo laço. No poderoso nome de Jesus, você pode ser instrumento de Deus para libertar as pessoas de todo tipo de mau. Ande na luz, almeje aprofundar sua comunhão com Deus. Afine sua vida de acordo com a Sua Palavra.

Quando foi a última vez que você pediu que Deus afastasse o mal de seus lábios? Tome medidas ativas e preventivas para evitar que certas palavras passem a fazer parte de seu vocabulário.

Hoje gostaria de desafiá-lo (a) gentilmente a se perguntar: “Que palavras preciso conter e que insisto em falar através de manobras que tenho consciência de que se inspiram no inferno e que tem levado outros a indução da prática do mesmo ato com prejuízo para mim e para o próximo?”

Observe quantas vezes você as diz. Peça a Deus para encher sua boca com palavras de sabedoria. Sujeite-se a Deus, não se curve aos caprichos de um eu adoecido, resista ao diabo e ele fugirá de você.

Regina Lopes

Published in: on Janeiro 14, 2010 at 11:32 am Comentários (0)

3ª parte Suas Palavras São Fonte de Benção?

Suas Palavras São Fonte de Benção?

3ª parte

Um tempo atrás ao chegarmos a nossa casa, nosso filho mais velho ligou a TV e estava no ar uma dessas Revistas eletrônicas semanais. Exibiam a matéria sobre o desaparecimento de um homem na cidade do Rio de Janeiro. A esposa e a filha afirmavam que ele havia saído para comprar um maço de cigarros e não voltou. Então o repórter perguntou se havia alguma suspeita e aquelas mulheres não conseguiram vencer os movimentos que a língua insistia em fazer e então disseram um nome.

Para nossa surpresa aquelas mulheres divulgaram o nome de um empresário que nossa família conhece há mais de dezessete anos. O susto foi enorme. Logo em seguida ele aparece sendo entrevistado e não tinha respostas para aquela acusação.

Tivemos que esperar o dia seguinte para nos encontrarmos e procurar entender o que estava acontecendo. Ele conhecia o desaparecido há mais de quarenta anos. Consideravam-se amigos e uma semana antes de desaparecer aquele homem procurou o empresário e lhe pediu emprestado certa quantia. Como se conheciam há tanto tempo aquele homem não desconfiou de absolutamente nada, e emprestou o dinheiro.

Aquele empresário sabia que o homem desaparecido tinha uma amante. Então por dedução pensamos que o homem havia fugido com a mulher.

Este empresário teve a sua vida colocada de cabeça para baixo da noite para o dia. Seu carro foi levado para perícia na tentativa de encontrarem sinais da suposta vítima (fio de cabelo, sangue, digitais, etc.).

O empresário caiu em depressão. O homem que era conhecido por ser correto, bom pai, bom esposo, amigo, agora era suspeito de crime. A família encontrava-se muito abalada. Eles estavam no meio de um pesadelo.

Lembro-me de uma manhã em que estava na classe de EBD, quando uma de suas filhas apareceu completamente atordoada. Nós nos sentíamos impotentes diante daquela situação. Era algo que dependia somente de uma intervenção divina. Nós desejávamos ardentemente que aquele homem aparecesse e confessasse o que havia feito. Desejávamos que a esposa e a filha admitissem que aquele homem tivesse uma amante.

A família precisou assumir os negócios durante um tempo, pois aquele empresário não tinha ânimo para realizar qualquer coisa. Não suportava mais responder as perguntas dos clientes, conhecidos, vizinhos que também não conseguiam compreender tal episódio. Foi um período muito difícil para aquela família e tudo isto aconteceu devido ao movimento de duas línguas precipitadas.

Não podemos ter lábios rebeldes. Nossas palavras devem concordar com Deus e não com o diabo. Talvez você esteja lamentando o que aconteceu com este empresário que teve sua foto estampada nos jornais. Um homem anônimo que se tornou conhecido da noite para o dia da pior maneira possível.  Mas será que não promovemos as mesmas ações que estas duas mulheres? Talvez não chamemos a imprensa, mas utilizemos outras maneiras para difamar alguém.

Muitas pessoas desejam andar com Deus. Mas como podemos verdadeiramente andar com Deus, se não estivermos de acordo com ele? Estar de acordo com Deus é dizer as mesmas coisas que ele diz em sua Palavra sobre salvação, cura, reposta de orações e tudo mais que Ele nos diz. Temos de saber que Deus não pode mentir e, considerando que Ele não pode mentir tudo o que ele nos diz deve ser verdade, portanto, não espere que da mesma fonte venha jorrar água doce e salgada, pois não irá.

As Escrituras Sagradas dizem que Enoque obteve testemunho de haver agradado a Deus e as Escrituras também dizem que sem fé é impossível agradar a Deus, portanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam.

A Palavra de Deus diz que o hipócrita com a boca destrói o seu próximo, mas os justos se libertam pelo conhecimento (Pv 11.9). Se falarmos só aquilo que nossos sentidos ditarem, então não estaremos de acordo com Deus.

É uma boa confissão de fé que produz a nossa vitória. A fim de andarmos com Deus, temos de discordar do diabo. Jesus o fez ousadamente declarando: “Está escrito” quando foi tentado no deserto.

Nós, também, devemos resistir ao diabo com a Palavra. Os boatos e fofocas fazem parte do jogo do mercado financeiro. Nas bolsas, eles são responsáveis pela alta exagerada ou pela derrubada do preço das ações. Muitos boatos tem sido responsáveis pela desestabilização de relacionamentos, até então sadios. Às vezes o ser humano esquece que, enquanto não fala determinadas palavras, elas são sua escrava. Depois de proferida, o ser humano se torna escrava dela.

Enoque andou com Deus. E nós, com quem temos andado? Com quem temos gasto nosso tempo de vida? O que aprendemos com estes? Tem sido um tempo produtivo? Tem sido gerado vida ou morte em nossos lábios?

Porque nos assentaríamos em determinadas rodas que não nos estimulam a concordar com Deus levando a nos transformarmos em cisternas rotas?

Nós conhecemos um caseiro que trabalhou durante muitos anos em Portugal e mesmo depois de tantos anos de volta ao Brasil, ele não perdeu o sotaque.  Quando ele conhece alguém a pessoa logo pergunta de que região de Portugal ele é.

O nosso “sotaque” nos liga a que pátria?  Quantas vezes, ouço alguém disser a respeito do Guilherme ou da Bruna: “Eles falam como você”. Certa vez Pedro foi identificado por falar como Jesus. A sua maneira de falar denunciava com quem ele caminhava.  A nossa fala denuncia com quem nós estamos andando. Quem tem nos recompensado com suas palavras?

Confessar a Palavra de Deus faz de nós pessoas férteis, fecundas, felizes, santificados, pois Ele é quem nos premia com palavras de sabedoria e de vida. Precisamos aprender a importância do que devemos e o que não devemos dizer.

Jesus nos faz uma promessa: Ele promete nos confessar, declarar-nos, nos reconhecer como verdadeiros diante de Deus se nós vencermos as tentações deste mundo: “O vencedor será assim vestido de vestiduras brancas, e de modo nenhum apagarei o seu nome do livro da vida; pelo contrário, confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos” (Ap 3.5).

Não  há nenhuma vacilação nestas palavras de Jesus. Não há indecisão. Ele disse que confessará o nosso nome diante dos seus anjos. Quando Jesus confessar o nosso nome diante do Pai, teremos permissão para reinar com ele na vida futura. Portanto, todo aquele que o confessar diante dos homens, também Ele o confessará diante do Pai que está nos céus (Mt 10:32).

Nós possuímos aquilo que confessamos. Se de fato somos embaixadores de Cristo, ou seja, representantes diplomáticos de um Reino a outro, se somos encarregados de uma missão, se o Espírito do Senhor está sobre nós, se Ele nos nomeou para pregar a boa nova  aos pobres, nos mandou anunciar que os presos serão libertos e os cegos verão; que os oprimidos serão libertos de seus opressores, e que Deus está pronto a abençoar a todos aqueles que vêm a Ele, porque ainda se perde tanto tempo com palavras geradas no inferno?

Nós temos o que confessamos e aqueles que foram lavados pelo sangue de Cristo precisam confessar Jesus como seu Senhor e que temos a salvação. O Filho nos libertou; nós temos liberdade absoluta.  Não somos mais cativos. Principados, potestades  não podem usar a nossa boca para proferir palavras grosseiras e obscenas. Ele nos tornou justos e estes são intrépidos como o leão; nós temos a intrepidez de um leão na luta espiritual contra o diabo e contra o nosso eu adoecido.

O Senhor de maneira alguma nos deixará nunca nos abandonará. Temos a presença de Deus em cada passo de nosso caminho e, portanto falamos como Ele. A unção do Santo permanece em nós, temos a capacidade de desfazer qualquer jugo através de sua unção.

Nós podemos abrir a boca para exortar, consolar e edificar, pois Ele suprirá sempre todas as nossas necessidades, não teremos falta de nada, pois temos os abundantes suprimentos divinos: “Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito; abre bem a tua boca, e eu a encherei”. Sl 81.10.

Torne-se acessível a Deus! Ele é o único Deus! Ele nos tirou da escravidão. Ainda hoje Ele é capaz de nos dar tudo que nós quisermos. Você deseja que suas palavras sejam fonte de benção?

Ouçam ao Senhor! Queiram o Seu amor! Não sejam teimosos para fazerem suas próprias vontades e seguirem pelos caminhos errados causando incômodo ao Senhor através de suas palavras. Deus tem nos colocado em lugares estratégicos para que falemos. Mas não para falarmos aquilo que nos convém, mas para apregoar o ano aceitável do Senhor.  A palavra grega de aceitável é também traduzida como agradável.

Você pode passar todo o ano de 2010 falando, seja através de pregações, escrita, ensinos, conversas se utilizando de “excrementos”, lixo, deixando claro através de suas palavras o quanto considera a Palavra de Deus desprezível, sem valor. Dizendo através de suas palavras o quanto Deus é desprezível.  Pode amaldiçoar seus os ouvintes, leitores, alunos, através de palavras que expressam sua cólera, ódio, aversão, reprovação. Pode se utilizar de um conjunto de palavras que revelam algo negativo a respeito de alguém ou gerar prazer em Deus através de nossas palavras ungidas pelo próprio Deus para pregar as boas novas, restaurar os contritos de coração e proclamar liberdade aos cativos e abertura de prisão aos presos, apregoar o ano agradável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus. Consolar os tristes. Podemos passar todo ano declarando que o Senhor é aquele que derrama óleo de alegria ao invés de tristeza, veste de louvor ao invés de um espírito angustiado porque nós somos chamados carvalhos de justiça, plantação do Senhor para que Ele seja glorificado.

Regina Lopes

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2ª parte Suas Palavras São Fonte de Bênção?

Suas Palavras São Fonte de Bênção?

2ª parte

 

“O que guarda a sua boca e a sua língua, guarda das angústias a sua alma” Pv  21:23.

Jesus certa vez disse que nós daremos conta de toda palavra frívola que proferimos e isto acontecerá no dia do juízo, pois por nossas palavras seremos justificados ou condenados (Mt 12.36-37).

A palavra é uma espada de dois gumes: pode trabalhar em nosso favor, ou contra nós, dependendo do que dissermos.

Será que temos enfadado, causado tédio, incômodo, desgosto ao Senhor através daquilo que falamos? (Ml 2.17). Será que nossas palavras têm sido duras aos seus ouvidos?

Você consegue imaginar como suas palavras podem ser duras contra Ele? Muitas vezes isto acontecerá porque foi desenvolvido um padrão negativo de conversa. Constantemente podemos usar palavras que estão em desarmonia com a Palavra de Deus e discordarmos Dele.

Como poderão andar dois juntos, se não houver entre eles acordo? (Amós 3.3). Nunca poderemos andar com Deus em bênçãos, vitória e abundante suprimento, enquanto discordarmos de Sua Palavra. Precisamos concordar com o Senhor. Precisamos falar o que Ele fala. Nós recebemos aquilo que falamos. De uma fonte não pode jorrar água doce e salgada (Tg 3.11).

Decida viver com Deus, peça a Jesus para entrar em seu coração e vida. Se estes passos forem dados, o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, lhe purificará de todo pecado. O Espírito de Cristo habitará em seu coração; tornando-o filho (a) e herdeiro (a) de Deus; e então, clamarás, e o Senhor te responderá; gritarás por socorro, e ele dirá: Eis-me aqui (Is 58.9). Você deseja que suas palavras sejam fonte de benção?

Quando somos adotados por Deus, quando temos a frente toda uma vida nova, ela é dirigida de acordo com regras completamente diferentes das regras que seguíamos até então. Afinal, antes nós fazíamos tudo de acordo com as leis da natureza. Nós temos outro conjunto de leis à nossa disposição. Como um dos filhos de Deus, nós temos o direito de funcionar de acordo com Suas leis sobrenaturais. Então minhas palavras devem ser fonte de benção e não maldição.

Assim como os bebês precisam aprender a andar sem que sejam derrubados pela lei da gravidade, nós também precisamos aprender como fazer funcionar as Suas leis sobrenaturais sem que sejamos derrubados por nossas próprias palavras. Aprender a andar no Espírito leva tempo, exatamente como leva tempo  para o bebê aprender a andar. Mas o esforço vale à pena.  

A força motivadora da vida cristã é viver agradando ao Pai. Fazer sempre as coisas que dão prazer. Nossas palavras geram prazer como uma doce melodia, como o vento que acaricia a nossa pele, como o sol que aquece o nosso corpo, como a chuva que cai derrepente e nos refresca num dia de verão?

Aquilo que pedimos, dele recebemos, porque guardamos os seus mandamentos, e fazemos diante dele o que é agradável (1 Jô 3.22).

Será que temos obtido testemunho de haver agradado a Deus através de nossas palavras (Hb 11.1)? Este é o desejo de nosso coração? Esta é nossa corajosa ambição, que possamos obter este mesmo testemunho: que agrademos a Deus com nossa vida, tempo, talentos e palavras?

Devemos agradar ao próximo no que é bom para edificação. Porque também Cristo não se agradou a si mesmo (Rm 15.1-3) Agradar a Deus significa deixar de agradar a si mesmo, a fim de servir aos outros no lugar de Cristo. Temos servido ao próximo através de palavras que os conduzam à virtude, pelo exemplo?

Precisamos escolher palavras que agradem a Deus (Is 56.4). Estamos no inicio de mais um ano. Quantos projetos, sonhos são tirados das gavetas neste inicio de ano. Mas eu gostaria de lhe fazer um convite: Escolha falar aquilo que agrade ao teu Senhor. Não podemos ser pedra de tropeço para ninguém. Procure deleitar, satisfazer a todos em tudo quanto faz, não fazendo aquilo de que gosta, mas que é o melhor para eles, a fim de que possam ser salvos (1Co 10:31-33).

Se permanecermos Nele e as Suas palavras permanecerem em nós, pediremos o que quisermos e Ele nos concederá. Se pedirmos alguma coisa em Seu nome, ele o fará. Tudo quanto pedirmos ao Pai em Seu nome, ele nos concederá. Mas se supomos sermos pessoas comprometidas com Cristo, mas não refreamos a nossa língua, enganamos o nosso próprio coração, tudo isto nos será inútil no dia do julgamento.

É preciso conter, vencer certos movimentos que a língua insiste em fazer através de manobras que se inspiram no inferno e que levam outros a indução da prática do mesmo ato com prejuízo para este.

A palavra é uma espada de dois gumes: pode trabalhar em nosso favor, ou contra nós, dependendo do que dissermos. Podemos deliberadamente violar as leis de Deus através de nossas palavras, com pleno conhecimento do que estamos fazendo (Ef 4.29) ou falarmos como aqueles que se encontram em estado de graça perante Deus e, que se apóiam em boas razões para falar – a boca destes é um manancial de vida, é uma língua serena de onde saem palavras agradáveis como favo de mel  doces para a alma e medicina para o corpo. São prudentes, apascentam a muitos.

Podemos enfadar a Deus com palavras que ferem que causam repulsa, asco, que maculam que sujam, e estas trabalharão contra nós e seremos apenas lembrados como sinos que retinem, passaremos a vida toda apenas fazendo barulho.

Peçamos boca e sabedoria e não poderão resistir nem contradizer aquilo que dissermos, pois o próprio Deus falará através de nós e nossas palavras serão fonte de benção.

Regina Lopes

Published in: on Janeiro 5, 2010 at 9:27 pm Comentários (0)

Suas Palavras São Fonte de Benção?

Suas Palavras São Fonte de Bênção?

 1ª parte 

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 “Uma pessoa delicada e amável no falar ajuda os outros a viver; quem é grosseiro e implicante desanima qualquer um”. Pv 15.4 

De uma forma geral, somos muitos descuidados com o uso das palavras. Entretanto, a maioria das coisas que obtemos são resultados de nossas palavras. Uma palavra otimista, positiva, confiante, generosa, compreensiva, amorosa pode mudar completamente a tendência de um ambiente tenso, depressivo. Podemos reverter radicalmente uma situação através das palavras que emitimos.Vivemos num mundo barulhento, onde as pessoas, de uma forma geral, deixam jorrar as palavras ao sabor de suas emoções sem, no entanto, ter o menor controle sobre elas. Vão soltando-as sem se darem ao trabalho de avaliar o efeito que causarão.Não podemos nos orgulhar de não ter “papas na língua’. Não podemos confundir sinceridade com grosseria. Viver ferindo as pessoas e não estar nem aí com o que provocamos. Não conseguem compreender porque encontram tantas resistências, tantas provocações e tantos dissabores. Embora, o ditado popular que diz “quem semeia vento, colhe tempestade” servisse para mostrar a ligação que há entre causa e efeito, muitos, através de suas próprias bocas, continuam semeando discórdia, mas teimam em não perceber a origem daquilo que colhem. Também a sabedoria popular ilustra bem este comportamento inconseqüente no ditado: “quem fala o que quer, escuta o que não quer”. Enfim, guerras já foram deflagradas por conta de palavras, porém, a humanidade teima em não perceber o poder de destruição e união que existe no seu uso.Com palavras de amor e compreensão Jesus foi capaz de revolucionar o mundo. Ele não utilizou outra coisa para transformar a humanidade senão palavras que, até hoje, continuam vivas e atuais.Sabemos o quanto uma palavra de esperança, compreensão e de conforto podem fazer para ajudar alguém desesperado. Menosprezar o poder das palavras é desprezar um poder magnífico que manejamos e que pode afetar e alterar radicalmente as nossas vidas. Jesus, em sua imensa sabedoria, disse: “o mal não é o que entra na boca do homem, mas o que sai de sua boca”. A palavra põe em movimento a energia esboçada pela mente. Precisamos ser senhores das palavras, no entanto, para sermos senhores das palavras precisamos, antes, nos tornar senhores de nossas emoções.Se não controlamos nem a nossa mente, como podemos controlar o uso das palavras? Isto significa que precisamos ter sempre serenidade mental para usarmos as palavras com sabedoria. Ou seja, nada significa termos conhecimento da importância do uso das palavras se somos incapazes de controlarmos os nossos impulsos.Entretanto, independente do domínio que tenhamos sobre nós mesmos, existem palavras negativas e positivas e, queiramos ou não, colhemos os frutos das palavras que emitimos. Somos os responsáveis, portanto, pela qualidade de nossas colheitas. O fato é que a prática de palavras positivas pode transformar completamente as nossas vidas. A nossa responsabilidade com o uso das palavras é imensa, colossal. Tanto, através delas, construímos as nossas vidas, como afetamos as vidas alheias.No início de cada ano muitos de nós traçamos metas, objetivos a serem alçados. Gostaria de sugerir que acrescentasse mais um a sua lista: Que as palavras que saiam de sua boca sejam fonte de benção.  Senhor,Faz de mim um instrumento de tua pazOnde houver ódio, que eu leve amor,Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.Onde houver discórdia, que eu leve a união.Onde houver o erro, que eu leve a verdade.Onde houver dúvida, que eu leve a fé.Onde houver desespero, que eu leve a esperança.Onde houver trevas, que eu leve a luz.Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.Ó senhor, que eu não busque tanto ser consolado quanto consolar,Ser compreendido quanto compreender,Ser amado quanto amar,Porque é dando que se recebe,É esquecendo-se de nós mesmos que nos encontramos,É perdoando que somos perdoados,É morrendo que renascemos para a vida eterna”

 Regina Lopes

Published in: on Janeiro 3, 2010 at 11:35 pm Comentários (0)

Acredite em você

Acredite em você

 Esta foi à frase que ouvi em um filme que assistia com minha família. Foi dita a uma adolescente em um colégio. A menina sofria pressão de algumas colegas para que desistisse, mas num certo momento a diretora lhe diz: “Acredite em você, pois eu e seu pai acreditamos”.Esta cena me fez lembrar algumas mulheres que fazem faculdade comigo. No início algumas relatavam a pressão que estavam sofrendo por estarem fazendo faculdade. A toda semana elas ouviam frases como: “Você irá  isso, aquilo devido à faculdade, agora se tornou isso ou aquilo, aquilo outro, etc.” Talvez você esteja vivendo um momento destes em sua vida ou conhece alguém que sofre com este tipo de pressão, mas Deus tem nos ensinado a não nos distrair com estas coisas. Há um plano traçado para nós e este foi feito por Ele. Ele tem planos mais altos e são planos de paz e é nisso que precisamos nos focar. Em toda a Escritura Sagrada encontramos homens e mulheres que também receberam estes “torpedinhos”, mas que não se deixaram paralisar. Deus nos dá condições de participação mais eficaz no mundo, potencializadora de condições de com-vivência com base no respeito mútuo, em paz.Ele nos dotou de auto-estima, ou seja, a capacidade de consideração para com o próprio eu como unidade. Nós somos dotados de uma percepção de potencialmente sermos capazes, felizes, apessoados. Acreditarmos em nós como potencial de vir a ser, tendo idéias de vida, de dignidade, caráter, confiança, dinamismo, acreditando em nós e nos outros; de interagir e integrar.Neemias é um de meus conselheiros, ele me ensina com sua experiência de vida. Ele faz o seguinte relato: “Sambalá estava muito zangado quando soube que nós estávamos reconstruindo o muro. Ficou indignado e disse uma porção de insultos contra nós, caçoou de nós, e a mesma coisa fizeram os meus amigos e os oficiais do exército samaritano: ‘O que esse punhado de judeus pobres e fracos pensa que está fazendo? Será que eles pensam que podem reconstruir o muro em um dia, se eles oferecerem muitos sacrifícios ao Deus deles? E olhem para essas pedras queimadas que eles estão arrastando dos montes de entulho e usando novamente!’Neemias nos conta que Tobias estava de pé ao lado de Sambalá e dizia caçoando: “Se mesmo uma simples raposa andasse em cima do muro deles, o muro cairia!”.Neemias orientava sua própria conduta, focalizando-a em si mesmo e, em relação ao outro. Ele tinha autonomia de querer, de ser e com isso não se fixava em estabelecer dependências, mesmo que momentaneamente (Ne 6.1-19).  Era um homem que se aceitava se autodeterminava e não se acomodava, mas buscava ajustes ou superações possíveis nos aspectos que podiam ser considerados.Neemias não disputava, ele acreditava em si e no seu potencial. Livre das alterações que as disputas causam, ele encontrava o lugar em que cabia com seus potenciais. Reconhecia e desenvolvia as limitações. Quando reconhecemos nossas limitações, procurando identificar novos modos de enxergar aquilo que somos capazes de realizar de modo diferente daqueles que são tentados rotineiramente, encontramos atualizações, ajustes, superações, adaptações.Neemias sabia em quem acreditava, porque e para que, levando em consideração o seu processo de ajustamento e do seu crescimento espiritual, intelectual, político e social.Deus lhe dava a chance de desenvolver habilidades inatas e aprendidas e ele soube aproveitar.  Neemias aproveita este tempo para potencializar o caráter através da ética social como honestidade, dignidade, lealdade. Ele sabia que além de unos, próprios e indivisíveis, somos participativos e é fundamental que a ética social tenha como ponto de partida e de chagada no eu individual já que as respostas externas encontradas no mundo estarão em consonância com o que oferecemos a este.Neemias tinha a capacidade de aquisição de habilidades, de estímulos inatos, ou seja, vocação.Para estar no centro da vontade de Deus, Neemias precisou liberar complexos, atitudes com intensidade excessiva de emoções, de conjunto de idéias com cargas emotivas que por ventura tenham sido recalcadas no inconsciente, através do tempo, e que poderiam agir sobre sua conduta.Neemias sabia suprir carências e tinha capacidade e condições de adaptação, de aceitá-las e enfrentá-las. Superava as carências, tinha capacidade de adaptação aceitando e enfrentando sem negar, reprimir ou suprimir.“Roberto Shinyashiki em seu livro “A Carícia Essencial” diz:” (…) Essas pessoas aceitam o afeto dos outros, nutrem-se dele e sentem-se tranqüilas. Entretanto, sabem rejeitar as carícias de que não necessitam ou que não convém receber.Elas percebem quando estão com a “bateria” carregada e sabem que, a partir daí, alguns momentos de isolamento podem ser bons para não precisar recusar carícias das quais não gostam” (pag. 78).Neemias não procurava imitar ninguém – ele sabia que reduzindo o comportamento imitativo facilitaria perceber-se  e cada um é diferente do outro, embora essencialmente semelhante.Elaborava o medo através de formas de enfrentamento de reações dolorosas. Desse modo ele desenvolvia autoconfiança. Desenvolvia procedimentos racionais para atingir objetivos constitutivos da realidade – quer objetiva, quer subjetiva. Ele tinha entendimento e compreensão. Isto dava significado a ser racional, emocional, corporal e espiritual. E por último Neemias constitui um objetivo para o qual se dirigiu em atos intencionais por qualidade de vida, fazendo retrospectivas dos objetivos alcançados e projetando idealizações de estimulo à vida, tornando-se uma pessoa proativa.Neemias tinha uma auto-estima trabalhada por Deus e por esta razão podia trabalhar seu autoconceito e perceber-se repleto de potenciais disponíveis a serem desenvolvidos. Era uma auto-estima saudável que facilitava encontrar o seu lugar no mundo e desenvolver-se como ser uno, próprio, indivisível através da fé em Deus e das aptidões recebidas.“Então Esdras, o sacerdote, e eu como governador, e os levitas que estavam me ajudando, dissemos a eles: “Não chorem num dia como este! Pois hoje é um dia sagrado diante do Senhor, o nosso Deus. Hoje é um dia para ser comemorado com uma refeição gostosa e para mandar presentes às pessoas que passam necessidades, porque a alegria do Senhor é à força de vocês. Vocês não devem ficar desanimados e tristes!”(Ne 8.9-10). O copeiro do rei agora diz: “ (…) Eu como governador dissemos (…). O filme que assisti  começa com uma adolescente insegura que sofre pressão para desistir e termina com a adolescente capitã de um time, acreditando em si e ajudando a outras a desenvolverem seu potencial. O filme termina com uma competição em que o time da adolescente sai vencedor e quando a partida é encerrada ela percebe que seu pai estava presente e ele que nunca duvidou de sua capacidade. 

Acredite em você!

Regina Lopes

Published in: on at 11:18 pm Comentários (0)

Os fatos da vida

Os fatos da vida

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“O homem de bom senso sabe entender e julgar os fatos da vida, mas a mente do tolo é cheia de ilusões e ele acaba enganando a si mesmo”.

Pv 14.8

Ao participar de um estudo ouvia o tempo todo alguém emitindo opinião sobre as pessoas, mas esta opinião partia daquilo que a própria pessoa é e não a partir daquilo que de fato o outro é.

Esses equívocos vivem acontecendo – o ser humano está sempre brincando de adivinhar como se fosse possível saber algo a respeito de alguém sem que este mesmo o tenha revelado. E assim mesmo é possível novos equívocos a partir do momento em que a minha escuta não é apurada. A pessoa dirá “verde” e outro entenderá “azul”.

Martin Buber  disse certa vez: “Se o individualismo só entende uma parte do homem, o coletivismo entende o homem só como uma parte. Nenhum dos dois alcança a totalidade. O individualismo só vê o homem em relação consigo mesmo, e o coletivismo nem vê o homem, pois só vê a “sociedade”. O primeiro distorce o rosto do homem, o segundo o mascara.”

Jesus deixa isto muito claro na seguinte passagem: “E, chegando Jesus às partes de Cesaréia de Filipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do homem? E eles disseram: Uns, João o Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias, ou um dos profetas. Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou? E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus.”

 Jo 16.13-16.

“Uns dizem João o Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias, ou um dos profetas”.  O coletivismo leva o ser humano a imergir numa das formações maciças de grupo. Enquadra-se dentro da vontade geral, deixa a responsabilidade pessoal pela existência, que se tornou complicada demais e se deixa absorver numa responsabilidade coletiva.

É impossível entender o outro a partir da minha visão de mundo. O outro não sou eu. Todas as vezes que fizermos isso iremos nos equivocar a respeito do outro. O coletivismo é ilusório. De fato, a pessoa se junta ao “todo”, que abraça a massa dos homens, só que não há uma junção de homem com homem.

O homem numa coletividade não é o homem com o homem. Nessa situação a pessoa não é liberada de seu isolamento; o “todo” com sua pretensão sobre a totalidade de todo homem tende apenas reduzir, neutralizar, desvalorizar e destruir todo laço entre os seres vivos.

Certas atitudes não liberam o homem do seu isolamento, apenas o sufocam. Quando o outro se revela a mim por inteiro, com todas as suas mazelas - ao escutar o outro a minha escuta é solitária, seguida de choro solitário, pois não posso compartilhar o que ouvi, pois caso o faça a solidão do outro surgirá com uma crueldade que se torna manifesta na dissipação da ilusão.

A partir do momento em que o outro rompe a barreira do coletivismo que é levantada pelo próprio homem para evitar um encontro consigo mesmo, os meus movimentos precisam ser cautelosos, caso contrário o outro irá se isolar novamente.

Não podemos ser irresponsáveis com aquilo que outro derrama de si mesmo.

Só quando o indivíduo conhecer o outro em toda a sua alteridade como a si próprio, como homem, experiência a partir da qual irrompe na direção do outro, conseguirá romper as barreiras, num encontro estrito e transformador. A relação genuína só existe entre pessoas genuínas.

Regina Lopes

Published in: on Dezembro 14, 2009 at 7:22 am Comentários (0)

Gastação de Gente

Gastação de Gente

Neta manhã ao ler uma matéria sobre uma determinada faculdade em São Bernardo do Campo e ao observar a foto dos alunos que depois de serem informados que uma determinada aluna não iria aparecer, vestiram narizes de palhaço e diziam que precisavam limpar o nome da faculdade, pois não desejavam manchar seus diplomas. Eles afirmavam categoricamente que a aluna em questão queria se promover e os mesmos se preocupavam mais com a direção das câmeras de TV.

O que leva seres humanos ofenderem, menosprezar, rebaixar, inferiorizar, constranger, ultrajar, magoar, perturbar, desqualificar, diminuir, empobrecer, envergonhar, inutilizar, denegrir, negativar, desestabilizar, anular, despossuir, humilhar, intimidar, fragilizar física e ou moralmente outra pessoa?

Esta tem sido a pergunta que caminha comigo já algum tempo. Cheguei a ter a oportunidade de perguntar a uma determinada pessoa porque fazer tal coisa e a resposta foi: “Para me sentir bem”.

Para me sentir bem? Não será esta uma resposta mascarada? Seria autovalorização?

Gastei um tempo observando a foto dos alunos e cheguei à seguinte conclusão a partir da minha visão de mundo e segundo alguns autores.

A pessoa violentadora com intenção consciente e deliberada de apequenar, de anular, de destruir outra pessoa, que elabora inúmeras estratégias abusivas e definidas até alcançar o resultado de se livrar da outra pessoa, lançando-a num abismo de medo, de culpa, de vergonha, geralmente após tê-la afastado de todas as possíveis redes de apoio  - estes violentadores dão sinais exteriores de insegurança e vazio interior; uma exibição de orgulho é um dos mais comuns disfarces da ansiedade.

O orgulho foi à principal característica da ruidosa década de vinte, mas sabemos agora que esse período foi de ampla e recalcada ansiedade. Quem se sente fraco torna-se fanfarrão, quem se sabe inferior torna-se gabola, fala demais – toda a imprudência é sintoma de ansiedade oculta.

Vemos este orgulho manifestando o fascismo, conforme pode-se verificar no psicopata Hitler ou em Mussolini; mas os que recorrem ao fascismo são pessoas vazias, ansiosas e desesperadas, sujeitas, portanto, a acreditar em promessas de megalomaníacos.

Como é fácil conseguir público em nossos dias – público composto por pessoas que se sentem vazias e convictas de sua falta de valor que prontamente concordam com quem as deseja usar.

É lamentável observar a humanidade inutilizando talentos – Kafka foi um mestre na sombria tarefa de pintar pessoas que não usam seus talentos e que, portanto, perdem o senso da própria individualidade. O protagonista de “O Processo” e “O Castelo” não tem nome – é identificado somente por uma inicial, símbolo mudo da sua falta de identidade. Na terrível parábola “Metamorfose”, Kafka demonstra o que acontece quando o ser humano renuncia as suas potencialidades. O herói da história é um típico rapaz moderno, vazio, levando uma vida rotineira de vendedor, voltando a intervalos regulares para sua casa de classe média, comendo roast-beef todos os domingos, enquanto o pai adormece a mesa. Sua vida é tão vazia, sugere Kafka, que certa manhã ele acorda não mais como um ser humano e sim uma barata. Como não preenchera sua condição de homem perdera todas as suas potencialidades humanas.

Uma barata, como os ratos, os vermes, vive de restos. É um parasita e simboliza de modo geral tudo o que é sujo e repugnante.

Ontocídio é o que assistimos diariamente nesta sociedade – ato destrutivo e abusivo caracterizado por micro agressões dirigidas sistematicamente de uma pessoa para outra pessoa ou grupo com finalidades e conseqüências identificáveis e previsíveis de denegrir, anular e/ou matar personalidades e dignidades humanas.

A história do Ontocídio revela a montagem de uma rede sistemática e mais ou menos duradoura de desqualificação da pessoa e de tudo o que a ela se refere, tornando-a fragilizada psicofisicamente: inicia-se com um projeto de promover a perda permanente de autoconfiança a ponto do violentador ou ontocida tornar-se a exclusiva referência àquela pessoa. 

A violência moral gerando o Ontocídio é um modo de relação razoavelmente comum nas relações interpessoais de trabalho, afetivas, nas escolas, faculdades, sócio familiares – por este modo de relação destrutivo o próprio caráter individual e social cria e perpetua o pacto de silêncio ou de silenciamento em torno do agressor e de seus atos, justificando impunidades numa espécie de “cultura do cinismo”.

A perversidade da violência moral a ser considerado crime e denominado Ontocídio está em que o agressor deliberadamente vai diminuindo até a destruição das defesas e dos juízos morais da vítima, aproveitando-se da confiança em que esta tem aquela pessoa. Após a desqualificação, a diminuição, a anulação e a destruição das defesas e juízos morais, da autoconfiança e da autodireção da pessoa enfraquecida e subjugada o violentador busca livrar-se dela, impondo-lhe o afastamento, a doença, o desequilíbrio, a incapacitação e, no limite extremo, a morte.

A violência moral é um desenvolvimento individual de um traço de caráter social historicamente determinado e amplamente estudado por Erich Fromm. Segundo o pensamento de Fromm, caráter é fundamentalmente uma formação histórica dependente das vivências ou experiências de cada pessoa e, portanto, modificável segundo aquelas mesma vivências decorrentes da rede de relações sócio familiares.

Geralmente, confunde-se caráter com temperamento e personalidade - uma confusão desfeita por Fromm principalmente em suas obras “Análise do Homem” e “Anatomia da destrutividade humana”, publicadas no Brasil.

Se não houvesse modificação do caráter de uma pessoa seríamos um autômato ou sem perspectiva de desenvolvimento (diferenciação e aperfeiçoamento).

Caráter social é a rede interconexa e dinâmica entre estrutura psíquica – sempre histórica - e estrutura social, capazes de modelar e /ou cimentar o modo de ser das pessoas.

Quem tem ouvidos ouça! Esse desprezo pelo ser humano promoverá em larga escala o vazio doentio.

“Se a pessoa não aprender com o cristianismo a amar a si mesma de maneira correta também não poderá amar aos seus semelhantes… Amar a si mesmo corretamente e aos semelhantes são conceitos absolutamente análogos e, no fundo, são idênticos..

Daí o mandamento: “Amaras a ti mesmo como ao teu próximo, quando o amas a ti mesmo”. (Uma Antologia de Kierkegaard, Robert Bretall, Editora de Princeton, 1946 p. 289).

Pense nisso!

Published in: on Novembro 4, 2009 at 9:53 am Comentários (0)

A Perda da Linguagem

A Perda da Linguagem

 

 

O ser humano ao longo dos anos foi perdendo aquilo chamamos de “senso do self”, ou seja, o processo desenvolvido pelo indivíduo em interação com seus semelhantes e através do qual se torna capaz de tratar a si mesmo como objeto, isto é, observar-se, considerando seu próprio comportamento do ponto de vista alheio e devido a esta perda desapareceu a linguagem de comunicados profundamente pessoais. Este é um importante aspecto da solidão vivida no mundo.

As palavras perdem o seu significado: amor, verdade, integridade, coragem, espírito, liberdade, perdão e até com o vocábulo “eu” (self). A maioria das pessoas dá as palavras conotações particulares que talvez sejam completamente diferentes das de seu vizinho. Daí muita gente evitar o uso de tais vocábulos.

Possuímos um excelente vocábulo para assuntos técnicos, segundo observou Erich Fromm, mas quando se trata de um inter-relacionamento pessoal significativo nossa linguagem torna-se pobre.

A perda da eficácia da linguagem, por estranho que pareça, é sintoma de uma época histórica conturbada.

Quando se estuda a ascensão e a queda de uma era nota-se que a linguagem é vigorosa e expressiva em determinados períodos, como o grego do século V antes de Cristo, época em que Ésquilo e Sófocles escreveram suas obras, ou o inglês elisabetano de Shakespeare e da tradução da Bíblia pelo Rei Jaime, e em outros períodos mostra-se débil, vaga e inexpressiva, como quando a cultura grega se dispersou e quase desapareceu. Penso que pesquisas poderiam demonstrar que quando uma cultura se encontra na fase histórica da evolução para a unidade, a língua reflete coesão e força; e quando se encontra em processo de transformação, dispersão e desintegração perdem o seu vigor.

“Quando eu tinha dezoito anos, a Alemanha tinha dezoito anos”, disse Goethe, referindo-se não só ao fato de que as idéias de sua pátria estavam evoluindo para a unidade e o poder, mas que o idioma, que era seu veículo como escritor, encontrava-se no mesmo estágio.

Porque falar tanto sobre o significado das palavras quando, depois de termos aprendido a linguagem uns dos outros, temos pouco tempo e energia para nos comunicarmos?

Existem outras formas de comunicação pessoal além da palavra. Vozes dos representantes de sensibilidade de uma cultura, transmitindo significados profundamente pessoais a outros membros da mesma ou de outras sociedades, no mesmo ou em outros períodos históricos.

Encontramos nesta geração uma linguagem que não comunica. A maioria das pessoas, não compreendem praticamente coisa alguma – só conseguem comunicar-se em linguagem limitada.

Quem contempla os quadros de Rafael, Leonardo da Vinci ou Miguel Ângelo sente que a pintura lhe diz algo compreensível sobre a vida em geral e a sua própria existência em particular.

Nietzsche certa vez disse que se conhece uma pessoa pelo seu estilo, isto é, pelo padrão exclusivo que empresta unidade e singularidade as suas ações.

Qual o estilo do nosso tempo?  Ao observar o ser humano em suas idas e vindas percebe-se uma tentativa desesperada de romper com a hipocrisia. Consciente ou inconscientemente procuram falar de alguma sólida realidade da auto experiência do mundo. Na busca desesperada de autenticidade, existe somente um pot-pourri de estilos.

Esse pot-pourri é um quadro revelador da desunião de nosso período. Seres humanos vazios, tão freqüentes em nossos dias, são assim como retratos sinceros da condição de nosso tempo.

Utilizam-se de diferentes linguagens para ver qual comunica, mas não encontram um idioma comum a todos. Em parte agem como um homem que ligasse o rádio de bordo em pleno oceano, tentando em vão encontrar a freqüência com a qual se comunicaria com o resto da humanidade. Mas permanecem espiritualmente isolados no mar-alto, e disfarçam a solidão tagarelando a respeito de coisas para as quais existe uma linguagem: campeonatos mundiais, negócios, telenovelas, shows, etc. As experiências mais profundas são abafadas e tendem assim tornarem-se cada vez mais vazios e solitários.

Se o ser humano ouvisse o que o Espírito diz não perderia o senso de sua identidade, pois aquele que não ouve tende também a perder o senso de relacionamento com a natureza. São privados não só da experiência da ligação com a natureza como também a capacidade de sentir empatia.

Seres humanos que se sentem vazios e por esta razão não têm a percepção do que seria uma resposta vital para compreender o que estão perdendo.

Talvez observem lamentosos, que embora outros se comovam com o pôr do sol, elas se sentem frias diante do espetáculo; e que embora outros achem o oceano majestoso e imponente, elas de pé nos rochedos da praia, quase nada sentem.

Observamos um estado de débil relacionamento com a vida. Se sentem interiormente vazias, tendo a impressão de que a natureza à sua volta está também vazia, seca, morta. Os rumores de aquecimento, invasões, violência – a comunicação feita por linguagem falsa conduz a uma perda de sentido e ao vácuo

Seres que perderam a capacidade para ver refletido na natureza a sua própria pessoa e estado de espírito, e relacionar-se com ela, considerando-a uma ampla e rica dimensão de sua própria experiência.

São as pessoas vazias e desocupadas que se apoderam das formas novas e mais destruidoras de superstição. O mundo torna-se desencantado, o que os deixa em desarmonia com a natureza e consigo mesmos.

É necessário a autoconsciência e preencher seus silêncios com a própria vida interior. É preciso um forte senso de identidade pessoal para estar no mundo sem ser por ele absorvido.

Compreender de maneira plena e realista, que este sistema de coisas jamais tem uma lágrima pela dor alheia, nem se importa com o que os outros pensem e que sua vida poderia ser engolida, que nunca foram amigos de ninguém e nem prometeram o que não poderiam dar. Que você poderia despedaçar-se no sopé rochoso sem que sua extinção como pessoa humana trouxesse a menor alteração às “paredes de granito”. É exatamente neste momento que sobrevirá o medo. Esta é a profunda ameaça do ”não ser”, “do nada”, que se experimenta em plena confrontação com o ser inorgânico.

Recorda-te que tu és pó em pó te hás de tornar!

Até quando fugirão à ameaça isolando a imaginação, voltando os pensamentos para detalhes corriqueiros como o preparar do almoço: “Marta, Marta, você se encontra tão preocupada cm todos esses serviços caseiros! Há realmente apenas uma coisa necessária com que devemos nos preocupar. E Maria descobriu o que é, e ninguém poderá tirar isso dela!” Lc 10.42.

Se protegem do terror da ameaça transformando o mar numa pessoa, que não lhes causaria mal, ou refugiam-se na crença em uma providencia individual, afirmando a si mesmos: “Israel, este é o deus que tirou você do Egito!” (referindo-se ao bezerro de ouro – Êxodo 32).

É necessário muita coragem para relacionar-se com este mundo de maneira correta. Mas afirmar a própria identidade contra este sistema de coisas produz por sua vez um “self” mais vigoroso: “Moisés viu que o povo estava desenfreado, pois Arão o deixou completamente solto. E viu Moisés que isso só podia deixar o povo de Deus envergonhado diante dos inimigos. Por isso ficou de pé na entrada do acampamento e disse: “Quem é do Senhor, venha aqui”. Logo foram para perto dele os filhos de Levi” (Ex. 32.25-26).

Acompanhamos o ser humano perdendo-se de si mesmo. Na sociedade atual pouco vemos que seja nosso – isto é sinal de personalidade débil e empobrecida.

Pense nisso!

Regina Lopes

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Published in: on Novembro 2, 2009 at 8:44 am Comentários (0)

A Confiança na Razão

A Confiança na Razão

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Aos ler alguns noticiários, participar de algumas palestras e observar o movimento da sociedade que não consegue superar as tendências para o isolamento psicológico inerente à natureza individualista de uma época em que a confiança está toda depositada na razão. Seres humanos que encontram sua identidade pessoal no fato de, como um indivíduo encerrado em seu “forno”, são incapazes de pensar, como estabelecerão a ponte para a sua comunidade. Não conseguem escapar aos sentimentos profundos de isolamento e à conseqüente ansiedade.

Cada homem persegue os seus próprios motivos econômicos individuais, lutam competitivamente pelo seu próprio lucro econômico, uma luta que, ao mesmo tempo, redunda em benefício do seu grupo social.

No nível psicológico, acredita-se que a livre exploração da razão individual conduzirá, automaticamente, a uma harmonia das conclusões do indivíduo com as dos seus semelhantes e, por conseguinte, a uma harmonia do individuo com a sociedade.

Prega-se que o homem que corajosamente perseguir a razão individual não precisará sentir-se isolado e, portanto, ansioso. Este é o sólido reflexo do estado cultural deste século.

Aumenta-se tremendamente a capacidade de satisfação das necessidades materiais de cada um. Há um progresso surpreendente e de largo alcance da ciência, na expansão do conhecimento e na ampliação da base dos direitos políticos individuais, como concomitantes dessa crença na razão individual e seus corolários harmonísticos.

A falta de unidade acompanha de perto o “grande progresso” do homem que “faz” na aplicação da razão matemática.

Estamos diante de um racionalismo artificial. Um pensamento abstrato que levanta o homem ardilosamente, e evita a realidade de sua situação humana.

Um pensamento divorciado do sentimento e da vontade, que a verdade só existe para o indivíduo à medida que ele a transforma em ação.

O homem deste século não consegue escapar da ansiedade exagerada porque não é livre como indivíduo. O ser humano vive debaixo de restrições e objeções, a qual tem sido uma concepção dominante de liberdade desde o Renascimento. Uma pseudoliberdade vazia e mecânica típico nas rotinas comerciais e industriais burguesas.

Liberdade significa uma expansão da autoconsciência e da capacidade de atuar responsavelmente. É a capacidade crescente de fazer face às nossas possibilidades, tanto no desenvolvimento individual como no aprofundamento das relações com os nossos semelhantes.

Seres humanos que rejeitam uma vida sob a autoridade da Igreja, mas submetem-se a “autoridades anômicas” – um estado da sociedade no qual os padrões normativos de conduta e crença têm enfraquecido ou desaparecido. Seres humanos desorientados, ansiosos e isolados. Perda da faculdade de discernir a verdade.

Elegem como autoridade o público, mas esse público é uma simples reunião de indivíduos, cada qual com seu “chip” ligado para descobrir o que os outros dele esperam. Chegam ao pináculo porque conseguem adaptar-se à opinião pública – um público que teme um fantasma, um holograma. Uma autoridade composta de seres humanos que temem o vazio coletivo.

Há uma situação de conformidade e vácuo individual. Um vazio ético e emocional de uma sociedade – um convite aberto ao surgimento de ditadores.

Uma situação de vácuo e impotência que está conduzindo a ansiedade e ao desespero e finalmente, se não corrigida, ao desperdício e ao bloqueio das mais preciosas qualidades do ser humano. Os resultados finais serão a redução e o empobrecimento psicológico, ou então a sujeição a uma autoridade destrutiva.

Toda história do ser humano é um esforço para destruir a própria solidão – a sensação de isolamento vem quando o ser humano se sente vazio e amedrontado e como animal selvagem se resguarda vivendo em bandos.

Teremos dias em que os homens na ânsia pela proximidade dos outros, e não será um simples desejo de preencher o vácuo interior, embora esta seja com certeza uma faceta da necessidade de companheirismo humano de quem se sente ansioso. O motivo mais fundamental é que o ser humano adquire sua identidade no relacionamento com seus semelhantes e quando está sozinho, desligado de outras pessoas, teme perder esta identidade.

Uma sociedade dá muito valor à aceitação social. Esta é a “melhor” maneira de afastar a ansiedade e principal símbolo de prestígio. Precisam sempre estar provando que são um “êxito social”, pelo fato de os procurarem, de nunca andarem sós.

Tempos em que a pessoa estimada será socialmente aceita, acreditando-se que raramente estará só. Não ser estimado será o fracasso. O principal critério de prestígio será o sucesso (“o sujeito não é fraco” “pessoas seletas, “o cara”, etc.).

“Louco! Você está noite morrerá. E então, quem ficará com tudo isso? Sim, todo o homem é um louco quando fica rico só na terra, mas não no céu. Então, voltando-se para os seus discípulos, Ele disse: “Não se preocupem por terem ou não bastante comida para comer ou roupas para vestir. Porque a vida é muito mais do que apenas comida ou roupa”. Lc 12.20-23

A confusão e o espanto reinantes no mundo manifestam em ampla escala da ansiedade. O ser humano decidiu andar ansioso, preocupado a respeito de coisas: o que comer o que beber e o que vestir, ameaçando à liberdade e à dignidade. Presa de insuportável crise e encontrando-se vazios psicológica e espiritualmente o homem corre atrás do vento para preencher o vácuo e vendem a liberdade pela precisão de livrar-se do encontro com a verdade: “O Senhor diz: “Comparem as palavras desses feiticeiros e médiuns com a minha Lei, a Palavra de Deus! Se eles não falarem de acordo com a Lei, vocês podem saber que não fui Eu que os mandei. Não futuro para as falsas mensagens desses feiticeiros. O meu povo vai acabar como escravo, castigado e cansado, morte de fome. E quando a fome apertar, eles vão ofender o seu Rei e o seu Deus. Eles olharão para todos os lados procurando uma esperança, mas só haverá medo, tristeza e desespero. E depois, serão jogados na mais terrível escuridão. (Is 8.20-22).

O homem lançou-se numa guerra não-declarada contra si próprio. A conquista de si próprio deste século converteu-se em manipulação de próprio sujeito. O dilema humano do relacionamento do homem com as coisas perverteu-se e este homem passou a explorar o resto da pessoa. Criou um círculo vicioso que promoveu um congestionamento nas clínicas psicológicas. Este círculo vicioso até bem pouco tempo só podia encontrar alívio desde que permanecesse nessa forma deteriorada do dilema, na diminuição do sujeito, isto é, na redução da consciência. Mas, aí dos psicólogos e psiquiatras! Não podem alimentar a esperança de que, em longo prazo, a cura chegue de mais aplicações da mesma doença que desejavam curar.

Reconhecem que precisam enviar este homem de volta e que é impossível viver longe da fé. Cada qual depositará suas esperanças a onde desejar, cada um fará de sua vida o que quiser, mas se ao menos soubessem que presente maravilhoso Deus tem para você, e quem Ele é, você pediria um pouco de água viva!

Pense Nisso!

Regina Lopes

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Published in: on Outubro 15, 2009 at 10:17 am Comentários (0)

Cada qual por si e o diabo que leve o último

Cada qual por si e o diabo que leve o último


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 (O auto da barca do inferno - Gil Vicente)


O teólogo Rollo May em um de seus livros faz a seguinte pergunta: ?Que vem acontecendo no mundo ocidental, envolvendo indivíduos e nações em tamanha confusão e desnorteamento? Quais as mudanças básicas que transformaram a nossa época num período de vazio e ansiedade.

May fala de uma sociedade na qual o fracasso de um resulta em benefício do outro, uma vez que facilita sua ascensão ? cria diversos problemas psicológicos: torna cada pessoa um inimigo em potencial de seu vizinho, gera muita hostilidade e ressentimento nos grupos e aumenta a ansiedade e isolamento de cada um.  Mas procuramos ocultá-la por meio de diferentes artifícios: Sejam por meio de conversas fúteis, passeios nos shoppings, idas aos clubes, fazendo parte de entidades filantrópicas, procurando ser simpáticos e estimados por todos, mas os conflitos mais cedo ou mais tarde, vêm à tona.

O protagonista de ?A Morte do Caixeiro Viajante? ensina aos filhos, que passar adiante dos outros e enriquecer são seus objetivos e isso exigia iniciativa. Mas ao envelhecer é posto de lado pela nova política da companhia e fica profundamente confuso, repetindo para si mesmo: ?Mas eu era o mais querido de todos?. Sua confusão neste conflito de valores por que deixou de funcionar o que lhe ensinaram? ? cresce a tal ponto que culmina em suicídio. Junto ao túmulo, um dos filhos continua a insistir: ?Ele tinha um sonho: ser o número um?. Mas o outro percebe a contradição a que o levara a reversão de valores: ?Ele nunca soube quem era?.

A pessoa justa cria clareza em volta de si. Não sente necessidade de estratagemas para lidar com os mais diversos pontos de vista. Essa espécie de clareza interior poupa energia.  Pessoas justas são uma bênção para a comunidade. Intuem o que é certo. São independentes e livres. Transmitem bem-estar. Orientam-nos. A pessoa justa faz jus à realidade e às pessoas. Vive de acordo com a realidade. Não desperdiça a sua energia lutando contra a realidade.  Ordena as coisas de forma adequada e harmoniosa. Quem concede às pessoas aquilo que lhes é de direito, permanece livre das desavenças fruto de intrigas, que consomem a energia de grupos e estados. Quem se compromete com a virtude da justiça perceberá a mesma como uma bússola que guia as suas ações, como fonte clara que fertiliza tudo que faz.

De acordo com o sistema, o melhor lugar para estar é na frente de todos os outros. O pensamento popular diria que deveríamos tentar chegar ao topo, a despeito de quem quer que tenhamos de ferir na nossa escalada. Mas não há tal coisa como paz real até que sejamos libertos da nossa necessidade de competir com os outros.

Ter nossa mente em, tomar conta da vida dos outros nos manterá no deserto. O ciúme, a inveja e a comparação mental de nós mesmos e nossas circunstâncias com os outros é uma mentalidade de deserto.

Um coração e uma mente calmos e imperturbáveis é a vida do corpo, mas a inveja, o ciúme e a ira é a podridão dos ossos, assim disse o sábio rei Salomão.

A inveja leva a pessoa a se comportar de forma insensível e áspera ? às vezes até animalesca.

Na Idade Média a medida era uma virtude cavalheiresca que exigia muita disciplina. Disciplina significa a arte de assumir a própria vida e ordená-la de acordo com a minha personalidade interior. Que reconhece a sua própria medida unirá a sua força e concentrar-se-á em seus objetivos. Tal atitude exige abrirmos mão de tudo o que excede essa medida. Para os gregos a moderação encontra-se ligada ao belo. Quem conhece a sua medida não se sobrecarrega, mas também não vive aquém de suas capacidades. A medida certa não é a mediana, e sim, o reconhecimento daquilo que corresponde ao meu ser e a disponibilidade de viver de acordo com este ser. Quem vive de acordo com a sua medida jamais irá esgotar a sua fonte interior. Esta o abastecerá sempre.

Precisamos ser prudentes, descubrir aquilo que é adequado para nós  e para o próximo, aqui e agora. Prudência, segundo Tomás de Aquino, pressupõe o reconhecimento do bem. Excede o simples saber e encontra-se sempre ligada à ação. Para Aristóteles, a prudência constitui a condição prévia para todas as virtudes. Para as Escrituras Sagradas o homem de bom senso sabe entender e julgar os fatos da vida, mas a mente do tolo é cheia de ilusões e ele acaba enganando a si mesmo.

?Possuímos um excelente vocabulário para assuntos técnicos, segundo observou Erich Fromm; quase todo homem é capaz de enumerar com clareza as diferentes partes do motor de um automóvel. Mas quando se trata de um inter-relacionamento pessoal significativo, nossa linguagem torna-se pobre. Gaguejamos e ficamos praticamente isolados, como surdos-mudos que só podem comunicar-se por meio de sinais. Eliot refere-se assim aos seus ?homens vazios?: ?Nossas vozes secas, aos murmúrios, são vazias de sentido como o vento na grama seca ou ratos sobre vidro quebrado no sótão empoeirado?. (Rollo May).

William James observou, certa vez, que aqueles que se preocupam em tornar o mundo mais sadio deveriam começar por si mesmos. Quem possui força intima exerce um efeito calmante sobre as pessoas em que a rodeiam. É disto que precisa a nossa sociedade ?  pessoas que sejam, que possuam no íntimo uma fonte de vigor e que não tenhamos mais grupos nesta sociedade onde impera a lei ?Cada qual por si e o diabo que leve o último?.

 

Pense Nisso!

Regina Lopes

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Published in: on Outubro 3, 2009 at 10:43 am Comentários (0)

Olhando-se no Espelho

Olhando-se no Espelho

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“Cresceram os meninos; e Esaú tornou-se perito caçador, homem do campo; mas Jacó, homem sossegado, que habitava em tendas. 28 Isaque amava a Esaú, porque comia da sua caça; mas Rebeca amava a Jacó. Jacó havia feito um guisado, quando Esaú chegou do campo, muito cansado; e disse Esaú a Jacó: Deixa-me, peço-te, comer desse guisado vermelho, porque estou muito cansado. Por isso se chamou Edom. Respondeu Jacó: Vende-me primeiro o teu direito de primogenitura. Então replicou Esaú: Eis que estou a ponto e morrer; logo, para que me servirá o direito de primogenitura? Ao que disse Jacó: Jura-me primeiro. Jurou-lhe, pois; e vendeu o seu direito de primogenitura a Jacó. Jacó deu a Esaú pão e o guisado e lentilhas; e ele comeu e bebeu; e, levantando-se, seguiu seu caminho. Assim desprezou Esaú o seu direito de primogenitura”. Gn 25: 27-34

Ao meditarmos na Palavra de Deus encontramos alguém fazendo um pedido apressado e impulsivo. Um pedido de alguém que vive o momento. A realidade da impulsividade de Esaú é revelada no verso 32. Com toda a certeza, o viver de Esaú não indicava a realidade de alguém que estivesse preocupado com as coisas do Senhor.

Sem sombra de duvida a impulsividade é um tema que atinge pelo menos metade da humanidade. Penso que tudo que seja extremo e feito sem pensar, como no caso de uma pessoa impulsiva dificilmente poderá trazer benefício. Ser impulsivo é muito diferente de saber se defender, responder rapidamente ou argumentar em momentos específicos e com equilíbrio. A pessoa impulsiva geralmente age pela emoção, não racionalizando a situação, ou seja, não há equilíbrio, causando facilmente conflitos.

Uma pessoa impulsiva geralmente não pensa, ela simplesmente age ou fala sem pensar, fazendo isso de modo instintivo, ou até mesmo incontrolável. A pessoa age que nem percebe. E pode causar muitos conflitos em qualquer área da vida, seja profissional, familiar, afetiva, entre amigos. Enfim, pode causar desentendimentos, brigas e até rompimento de relacionamento, etc. Por falar sem pensar, pode falar demais e se expor com pessoas as quais nem sempre são confiáveis, que depois poderão usar essas informações fornecidas espontaneamente para lhe prejudicar. Ainda pode obter um resultado muito diferente do que o esperado com o que falou. A impulsividade deve ser controlada e se a pessoa não conseguir fazer isso sozinha, deve buscar ajuda.

A impulsividade geralmente está relacionada com a ansiedade. Em geral, pessoas ansiosas são impulsivas.

Jacó conhecia a impulsividade de seu irmão. Saiba que Esaú não sabia lidar com os extremos. Sabia que um “não” gerava a sensação de estar perdendo algo. Ele sabia que Esaú era uma ameaça ambulante a própria integridade. Precaução não fazia parte do vocabulário de Esaú. Tinha pouco senso espacial, tudo era voltado para as palavras e não precisava de imagens, a mente formulava diálogos sem necessidade delas. Não conseguia detectar pequenas diferenças em expressões faciais.

Imagine a expressão facial de Jacó quando Esaú pediu o guisado e ele teve a idéia de vendê-lo.

Esaú tomou uma decisão sem pensar, porque cria naquilo que queria que fosse verdade, revelando sua natureza impulsiva. Quando há algo em jogo, a tendência a acreditar é reforçada. Cria-se um viés inconsciente para ignorar sinais que sustentem a credulidade pessoal e bloqueia-se por um momento as indagações que a desafiem.

A predisposição à reposta imediata significa exposição ao perigo e nestas circunstâncias é difícil dizer não a ele:

“Então replicou Esaú: Eis que estou a ponto e morrer; logo, para que me servirá o direito de primogenitura? Ao que disse Jacó: Jura-me primeiro. Jurou-lhe, pois; e vendeu o seu direito de primogenitura a Jacó. Jacó deu a Esaú pão e o guisado e lentilhas; e ele comeu e bebeu; e, levantando-se, seguiu seu caminho. Assim desprezou Esaú o seu direito de primogenitura”.

Se cairmos sempre na mesma armadilha e nos desapontamos depois, resta monitorar a sensação de perda de oportunidade. Isto acontece quando somos tentados a fazer algo que uma voz interna nos diz: cuidado!  E nós estamos loucos para confiar. É isso: síndrome do cavalo encilhado, que não passa mais e adeus chance de vivenciar e aprender.

Esaú desejava ser esperto em contraponto ao medo de fazer juízo errôneo sistemático de Jacó. Não havia um roteiro para verdade ou mentira. Saber que o outro mente, ofende.  Gostar ou não das pessoas impacta o nosso julgamento e elas percebem. Aqueles que usam conosco das mentiras por omissão são difíceis de notar e fáceis de escapar impunes, pois inexiste ferramenta clara para se avaliar algo que a pessoa não disse. Na maioria das vezes, tudo o que disseram é verdade, mas ficaram só alguns detalhes de fora, presumindo o engano.  No fundo sabemos, sentimos e permitimos. Se isso ocorreu, bola prá frente, sem se lamentar se algo tentou-nos, foi instigante e até confortável. A autopiedade é dispensada como justificativa para a ausência de argumentos lógicos para contrapor decisões ilógicas. Temos que dar o desconto para a habilidade alheia e tentar sermos menos incautos e impulsivos da próxima vez.

 Pense Nisso!

Regina Lopes

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Published in: on Setembro 9, 2009 at 6:18 pm Comentários (0)

Eu me amo. Não posso mais viver sem mim

Eu me amo. Não posso mais viver sem mim

 

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Nos anos 80 o Ultraje a Rigor gravou uma música que dizia:

Há quanto tempo eu vinha me procurando
Quanto tempo faz, já nem lembro mais
Sempre correndo atrás de mim feito um louco
Tentando sair desse meu sufoco
Eu era tudo que eu podia querer
Era tão simples e eu custei pra aprender
Daqui pra frente nova vida eu terei
Sempre a meu lado bem feliz eu serei

Eu me amo, eu me amo
Não posso mais viver sem mim

Como foi bom eu ter aparecido
Nessa minha vida já um tanto sofrida
Já não sabia mais o que fazer
Pra eu gostar de mim, me aceitar assim
Eu que queria tanto ter alguém
Agora eu sei sem mim eu não sou ninguém
Longe de mim nada mais faz sentido
Pra toda vida eu quero estar comigo

Foi tão difícil pra eu me encontrar
É muito fácil um grande amor acabar, mas
Eu vou lutar por esse amor até o fim
Não vou mais deixar eu fugir de mim
Agora eu tenho uma razão pra viver
Agora eu posso até gostar de você
Completamente eu vou poder me entregar
É bem melhor você sabendo se amar

 

Você já pagou por uma palestra, aula ou ouviu um sermão em que o tema central era o palestrante ou o professor? Há palestras, aulas ou sermões que poderiam ter o título “Meu Querido Diário”, pois é um relatório da vida do sujeito (a).

Se pudéssemos visualizar as raízes dos impulsos dos quais nascem essas falas, veríamos um monstruoso egocentrismo. Na frondosa árvore que nasce desse egocentrismo, está à idealização de si mesmo, a transformação de sua personalidade e de seus gostos pessoais em princípios superiores. Alguns fazem com tanto encanto, que muitas vezes conseguem seduzir um pequeno grupo no qual podem observar várias imitações de si próprio.

Assistimos ao show diário de acontecimentos cotidianos. Seres humanos decepcionados, esperando que seres humanos venham agir de acordo com as suas expectativas. E seres humanos sofrendo em relacionamentos por desejar que outros seres humanos se conduzam do mesmo modo que lhes é familiar.

As relações, portanto, são de desencontro, decepção, desilusão e cansaço.

No caso de uma palestra ou uma aula podemos reclamar a devolução do dinheiro, pois não pagamos para atender expectativas egocêntricas. Mas e quando isto acontece no caminho? Quando o relacionamento com o outro é sempre comparando com que um deveria ser para atender as expectativas, carências?

No caminho muitos tem sido o servo que deve suprir carências, medos e compreender as explicações/justificativas que tenham a oferecer para tudo que dizem. Todo egocêntrico está em busca de cumplicidade mais do que em busca do convívio com o Outro.

Quem se coloca deste modo, infelizmente, está trabalhando diligentemente para o seu fracasso. Está preso ao Ego e, portanto, só conhece o Outro através de uma comparação.

Quem assim se coloca só vê um fantasma do Outro, uma fantasmagórica imagem idealizada de como o Outro possa admirá-lo Um ideal construído na usina de carências, medos, frustrações e necessidades do próprio Eu.

Quem assim se coloca, tem um renitente desejo, sempre o mesmo de conseguir o máximo de satisfação mediante o mínimo esforço. Exige respeito, confiança, consideração, carinho, sem que ofereça ao Outro aquilo que exige. Entrega pouco e reclama muito.

Muitas vezes torcemos para que na platéia alguém com muita ousadia se levante, e diga: “Ei! Fale menos a respeito de sim mesmo! Não viemos aqui para isto! Compartilhe estas informações com os seus! Vamos ao que interessa! Não somos seu diário. Não registre em nós seu cotidiano!”

Não se veja isoladamente. Os outros também existem. Eles fazem parte da vida. Permita que as algemas do egoísmo sejam quebradas e parta para a libertação.

Pense Nisso!

Regina Lopes

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Código de Ética

Código de Ética

 

“E começou Noé a cultivar a terra, e plantou uma vinha. Bebeu do vinho, embriagou-se, e se descobriu no meio de sua tenda. E Cão, pai de Canaã, vendo a nudez de seu pai, fê-lo saber, fora, a seus dois irmãos. Então Sem e Jafé tomaram uma capa e puseram-na sobre os seus ombros, e indo virados para trás, cobriram a nudez do seu pai, tendo os rostos virados, de maneira que não viram a nudez do seu pai.

Despertando Noé do seu vinho, soube o que seu filho mais moço lhe fizera, e disse: Maldito seja Canaã! Servo dos servos seja aos seus irmãos. Disse mais: Bendito seja o Senhor Deus de Sem! Seja-lhe Canaã por servo. Alargue Deus a Jafé; habite-o nas tendas de Sem, e seja-lhe Canaã por servo. Gn 9.20-27

O código de ética destina-se a nortear as relações humanas que pode contemplar tanto princípios universais quanto recomendações específicas, peculiares às instituições, empresas, etc. Os princípios éticos gerais remetem a documentos que já alcançaram consenso internacional, como a Declaração Universal de Direitos Humanos (1948), que constitui o pressuposto de todas as constituições contemporâneas de inspiração democrática.

A ética deve ser entendida como o bom senso que deve permear o nosso cotidiano. O exercício do poder nas relações humanas, em qualquer nível hierárquico e nas situações mais banais já pode incorrer na falta de ética se o indivíduo não possuir um sólido código de ética e valores coerentes com suas ações.

Com bom senso e a tolerância é possível construirmos um ambiente corporativo mais humano, ético e harmonioso.

Todos nós tomamos diariamente dezenas de decisões. Fazemos escolhas, optamos, resolvemos e determinamos aquilo que tem a ver com nossa vida individual; a vida da empresa, na faculdade, na igreja, a vida da nossa família. Enfim, a vida de nossos semelhantes.

Ninguém faz isso no vácuo.

As decisões que tomamos são invariavelmente influenciadas pelo horizonte do nosso mundo individual e social. Ao elegermos uma determinada solução em detrimento de outra, o fazemos baseados num padrão, num conjunto de valores que acreditamos ser certo ou errado. É isso que chamamos de ética.

A nossa palavra “ética” vem do grego eqikh que significa um hábito, costume ou rito. Com o tempo, passou a designar qualquer conjunto de princípios idéias de conduta humana, as normas a que devem ajustar-se as relações entre os diversos membros de uma sociedade. É um conjunto de valores ou padrão pelo qual uma pessoa entende o que seja certo ou errado e toma decisões.

Penso que a qualidade de nossas vidas irá depender em grande medida da qualidade de nossas decisões a respeito das pessoas, não importa com quem nós interagimos, não importa onde ou quando essa interação aconteça.  É uma questão de saber o que olhar e ouvir, de ter a curiosidade e a paciência para reunir a informação necessária, e saber como reconhecer os padrões na aparência, na linguagem corporal, na voz e na conduta de uma pessoa.

A curiosidade pelas pessoas nos levam a observar como elas parecem, soam e agem. A empatia pelos outros nos leva a entendê-las melhor.

Ao meditar na Palavra de Deus percebo que faltou esta curiosidade e empatia a Cão. E por favor, não joguem pedras nesta pobre rapaz. Nós fazemos a mesma coisa.

Vamos pegar por exemplo o Código de Ética dos psicólogos, Art. 9º que diz: “É dever do psicólogo respeitar o sigilo profissional a fim de proteger, por meio da confidencialidade, a intimidade das pessoas, grupos ou organizações, a que tenha acesso no exercício profissional.”

Caso haja transgressão dos preceitos do Código é configurado infração disciplinar com a aplicação das seguintes penalidades, na forma dos dispositivos legais ou regimentais: advertência, multa, censura pública, suspensão do exercício profissional,  por até 30 dias ou  cassação do exercício profissional.

Noé com relação a Cão toma a seguinte decisão: “Maldito seja Canaã! Servo dos servos seja aos seus irmãos”.

E nós, o que temos feito com as informações que nos chegam? Aqueles que se despem diante de nós, revelando toda miséria de sua alma são desencorajados e derrotados através da nossa conduta ou sentem-se revigoradas?

O que fazemos com as informações que nos chegam? No início na vida caminhada cristã recebi um conselho do bispo Ubirajara: “Regina, saiba de uma coisa, todas as vezes que você ouve as misérias de alguém, você assume automaticamente responsabilidade diante de Deus. Você responderá a Ele o que fizer com aquilo que confiarem a você”.

Ver a nudez da alma do ser humano não é tarefa fácil. Há momentos que temos a sensação de desfalecer. É necessário treinar a escuta para não nos precipitarmos em nossos julgamentos, e muito menos ouvir as murmurações, dores, equívocos através de nós mesmos. Todas as vezes que ouvimos, ouvimos através dos ouvidos do outro, a partir da visão de mundo do outro para que possamos entender sem julgar. O que levou Noé a se embriagar? Qual o contexto que lhe envolvia? O que aconteceu naquele dia especificamente? Eu não sei. Talvez Cão também não soubesse. O que leva uma pessoa a murmurar, ser amarga, critica? Eu não sei. A atitude é apenas um ponto crítico. É necessário nos concentrar totalmente nas pessoas para ouvi-las atentamente, observar o modo como se apresentam e agem, e pensar cuidadosamente sobre o que estamos vendo e ouvindo. Precisamos estar prontos para decifrar, ou todas as pistas do mundo de nada nos servirão. É um estado mental – de visão clara, observadora, cuidadosa e objetiva dentro do drama emocional e subjetivo que é a vida cotidiana.

Entenda em nome de Jesus que todas as vezes que você torna público aquilo que alguém confiou a você em terapia, confessionário, gabinete, grupos de compartilhamento, na sala de sua casa, você não está revelando quem é o outro, mas sim quem é você. Estamos revelando se somos confiáveis ou não. O foco de atenção não vai para a pessoa denunciada, mas para quem denuncia. A atenção ficou focada na embriaguez de Noé ou na atitude de seu filho Cão?

Será que alguém confiou algum segredo a Cão depois deste episódio? Não sei, talvez não, talvez sim. A questão é: Passe mais tempo com as pessoas. Este é o melhor modo de aprender a entendê-las. Pare, olhe e ouça. Não existem substitutos para a paciência e atenção. Saiba o que você está procurando. Nós nos desapontamos exatamente porque não sabemos o que procuramos. Treine-se a ser objetiva (o). A objetividade é essencial para decifrar as pessoas, mais é a habilidade que temos mais dificuldade em desenvolver. Tome uma decisão e depois aja, não faça nada por impulso. Controle sua língua, você dará conta de tudo o que sai da sua boca. 

Cuidado com as palavras estéreis e geradas “eletronicamente”, sem benefício. Se atuarmos como conselheiros cristãos, psicólogos, terapeutas, em grupos de convivência, compartilhamento, seja lá o que for, aquele que está do outro lado precisa de esperança. Errar o alvo traz efeitos de derrota de desencorajamento em todos os seres humanos.

Há ocasiões em que todos se sentem desencorajados. Isto é normal – o que faremos com a informação que recebemos podem deteriorar, desesperar ou trazer luz para as noites mais escuras.

O cristianismo inclui a esperança. Jesus havia subido a Jerusalém para assistir a uma festa dos judeus e havia próximo a porta das ovelhas, um tanque, chamado em hebraico Betesda. Uma multidão se aglomerava: enfermos, cegos, coxos, paralíticos esperando o movimento das águas e havia ali um homem, invalido há trinta anos e Jesus, vendo-o deitado e sabendo que estava nesse estado havia muito tempo, disse-lhe: Queres ser curado?

O homem começa a murmurar: “Senhor, não tenho ninguém que me ponha no tanque quando a água é agitada. Enquanto estou tentando entrar, desce outro antes de mim. Então lhe disse Jesus: Levanta-te! Toma a tua esteira e ande. Imediatamente o homem foi curado, tomou a sua esteira, e pôs-se a andar.

Filha (o) na clínica, nos grupos de trabalho chegam pessoas murmurando? E você esperava o que? Qual o objetivo do teu trabalho?  Este lugar onde Deus te plantou é conhecido como hospital da alma? E você espera ver o que em hospitais?

O que mais se destaca na passagem que lemos acima? A murmuração ou Deus colocando o caído de pé? Jesus passou o resto dia destacando a miséria daquele homem ou continuou trabalhando?

“Mais tarde Jesus o encontrou no templo, e disse: “Olha, agora já estás curado. Não peques mais, para que não te suceda coisa pior”. Jo 5. 14.

Imagine se os psicólogos, conselheiros, pastores começassem a faltar com a ética e comentar em casa, com amigos, aquilo que eles ouvem em seus gabinetes, nas clínicas. Você Sabe o que aconteceria? Eles adoeceriam aqueles que estão ouvindo, pois nem todos estão capacitados a ouvir, a ver a miséria humana. Podemos arrebentar com as pessoas ao fazê-lo. Nem todos têm estrutura.

Após responder aos questionamentos dos fariseus, Jesus sai para alimentar famintos (Jo 6).

Meu bem, não caia nesta armadilha! Siga em frente fazendo aquilo que Deus confiou a você. Você disse ao Senhor: “Eis-me aqui?” Então se prepare, os enfermos irão chegar e o hospital precisa estar preparado para receber os doentes.

“… o chamado dele à coragem não é um chamado à ingenuidade ou à ignorância. Não devemos ficar alheios aos desafios arrebatadores que a vida traz. Devemos contrabalançá-los com longos olhares para as conquistas de Deus. Por isso é preciso que prestemos maior atenção ao que temos ouvido, para que jamais nos desviemos (Hb 2.1). Faça o que for necessário para manter o seu foco em Jesus”. Max Lucado.

Pense nisso!

Regina Lopes

Published in: on Agosto 31, 2009 at 10:32 am Comentários (0)

Mensageiros da Agonia

Mensageiros da Agonia

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“Quero trazer a memória o que me dá esperança.” (Lamentações 3:21).

 

Alguns anos atrás conheci uma senhora de meia idade e todas as vezes que ela se aproximava era para trazer más notícias. Essas pessoas são conhecidas no meio militar como “mensageiros da agonia”. Agonia é o conjunto de fenômenos que anunciam a morte. Ela é caracterizada pela imobilidade e alteração das feições, a pessoa parece não ter consciência, perturbação dos sentidos em geral, secura da língua, fraqueza do pulso, extinção gradual do calor do corpo (da periferia para o centro). A respiração é difícil e  imperceptível, parece à primeira vista ser a última  a terminar. A agonia pode ser “tranqüila”, mas quase sempre a pessoa é agitada por movimentos convulsivos, mais ou menos violentos. O delírio pode ser contínuo e intermitente.

Na Bíblia encontramos um momento marcante: O pecado de Judá causara sua queda e a trágica destruição de Jerusalém e do templo. Jerusalém havia sido rainha e agora era escrava. Os estrangeiros haviam–lhe roubado a riqueza, profanado o templo e levado o seu povo para o exílio. Abandonada por seus aliados e não mais visitada por peregrinos religiosos, era como uma viúva inconsolável, chorando amargamente sua perda. Por causa de seu pecado. Jerusalém fora humilhada, como uma mulher desonrada publicamente por algum pecado sexual.

Jerusalém lamentava que o Senhor tivesse derramado sua ira sobre ela. A cidade reconhecia que seus pecados lhe haviam causado a queda e que o senhor havia provocado sua derrota militar. Ela lamentava que não tivesse quem a consolasse, pois seus aliados haviam se voltado contra ela e contra seu povo, seguido para o exílio ou perecido.

Desesperada, a cidade confessa seu pecado e pede ao Senhor que atente para sua angústia. Vítima de humilhação e abuso dos inimigos rogava a Deus que se vingasse deles.

O Senhor ataca Jerusalém como se fosse seu inimigo. Em vez de proteger a cidade com sua destra poderosa, ele voltou seu poder contra ela e sobre ela derramou seu julgamento irado, como se fosse fogo.

Embora antes residisse na cidade, ele abandonara seu templo e permitira que os estrangeiros o profanassem.

Os muros da cidade foram destruídos e os líderes, escravizados, deixando o restante da população em profundo luto por causa de sua queda.

Neste momento percebo Jeremias lamentando a triste condição das crianças, que morriam de fome nos braços das suas mães. Dirigindo-se a cidade personificada, ele lamenta o grande sofrimento da cidade e trar-lhe-á lembrança que as palavras dos falsos profetas provaram-se inúteis.

Por seu decreto soberano, o Senhor havia permitido que os inimigos de Jerusalém a humilhassem.

Jeremias lamentava o tratamento hostil dispensado por Deus à nação. Essa hostilidade e seus efeitos comparam-se a diversas experiências desagradáveis e ameaçadoras, incluindo enfermidade física, injúria e prisão numa cela escura. Ele compara a aflição de Judá com uma viagem por um caminho tortuoso repleto de obstáculos, com a moradia de predadores ferozes, com o coração traspassado por uma flecha, com o fato de ser forçado a engolir comida amarga e ter o rosto esfregado contra o chão.

Seguimos numa leitura vertiginosa, de alguém que mais se parece um mensageiro da agonia do que um mensageiro das boas novas. Vamos ficando sem ar quando finalmente Jeremias como que num vôo até as altas nuvens proclama: “Eu quero lembrar aquilo que pode me dar um pouco de esperança na vida. O grande amor de Deus nunca termina. A única razão por que não fomos completamente destruídos é a misericórdia do Senhor. A fidelidade de Deus é grande; o seu amor cuidadoso é sempre novo, a cada dia que passa…” 3.21-23.

Sou nascida e criada na cidade do Rio de Janeiro, onde existe violência, assaltos. Moro no Brasil, país onde existem homens corruptos. Estou no mundo onde existem seres humanos amantes de si mesmo e do dinheiro, orgulhosos, fanfarrões, zombadores, ingratos, duros de coração, mentirosos, fofoqueiros, cruéis, imorais, rudes, grosseiros, escarnecedores, Já fui assaltada e tive parentes assaltados. Minha irmã levou uma coronhada de um assaltante, e eu teria todas as “razões” para me tornar uma mensageira da agonia, mas meus pais não me geraram para calamidade, eu fui chamada para ser restauradora de ruínas, reparadora de brechas. Você também foi chamado (a) para a mesma função no mundo. Minha cidade é violenta? Claro sim, mas eu não quero destacar a violência. Ela é conhecida como a cidade maravilhosa, devido a sua beleza natural. O Rio de Janeiro é lindo! Existem pessoas perversas? Claro sim, mas existem pessoas maravilhosas!

A vida é feita de escolhas. Podemos escolher ter as nossas feições alteradas, nossos sentidos perturbados, movimentos agitados ou violentos, devido às rumores de guerra, podemos escolher fazer parte da fraternidade dos aflitos, permitindo que uma preocupação legítima se transforme em pânico tóxico, ultrapassando um limite para o estado de aflição. Ou podemos jogar todo lixo fora e ouvir o sussurrar do Senhor que nos diz: “Não se preocupem com sua própria vida, quanto ao que comer ou beber” (MT 6.25). “Apenas traga a memória aquilo que dá esperança, não entulhem em suas “gavetas” espirituais morte e tragédia. A fidelidade de Deus é grande; o seu amor cuidadoso é sempre novo, a cada dia que passa.

O que realmente queremos da vida? Que seja o Senhor! Viver junto com Ele e por esta razão colocar toda nossa esperança Nele. O Senhor é bom para os que confiam nele, para quem o procura de coração. Vale muito esperar com paciência a salvação que o Senhor dá.

“Jesus não condena a preocupação legítima com as responsabilidades, mas a mentalidade contínua que dispensa a presença de Deus. A ansiedade destrutiva subtrai Deus do futuro, encara as incertezas sem fé, soma os desafios do dia sem incluir Deus na equação. A preocupação é a câmara escura onde os negativos se tornam retratos” (Max Lucado).

Pense Nisso!

Regina Lopes

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“Já que se há de escrever, que pelo menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas”

Clarice Lispector

 

 

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CONFIANÇA

CONFIANÇA

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Alguns meses atrás falando em um seminário sobre suicídio na adolescência, levantava algumas questões que levam pessoas em tão tenra idade a acabarem com a própria vida. Naquela ocasião lembro de ter dito o quanto é difícil para um adulto lhe dar com certas situações e o quanto precisamos de ajuda, de um ombro amigo, de uma mão estendida. Mas infelizmente nem sempre esta mão surge, nem sempre o ombro é oferecido, então pedi para que aqueles adultos lembrassem como se sentem ao precisar de ajuda, ao clamarem por socorro e ao invés de recebê-lo, tudo o que encontram é indiferença, críticas, julgamentos. Os rostos, os olhares expressavam bem o sentimento de abandono e desconfiança, então pedi que eles imaginassem como se sentia um ser em formação ao olhar a sua volta e não ter em quem confiar com quem abrir o coração sem ser julgado.

Confiança é o ato de deixar de analisar se um fato é ou não verdadeiro, entregando essa análise à fonte de onde provém a informação e simplesmente absorvendo-a. Confiar em outro é muitas vezes considerado ato de amizade ou amor entre os seres humanos, que costumam dar provas dessa confiança. A confiança é muito subjetiva porque não pode ser medida, é preciso acreditar em alguém e conhecê-lo para poder confiar, o que torna a confiança um conceito intrínseco. Confiança é o resultado do conhecimento sobre alguém. Quanto mais informações corretas sobre quem necessitamos confiar, melhor, formamos um conceito positivo da pessoa.

Mas será que vivemos dias de confiança? Abrimos o nosso coração com facilidade?  O grau de confiança entre duas pessoas é determinado pela capacidade que elas têm de prever o comportamento uma da outra. Também é a “expectativa que nasce no seio de uma comunidade de comportamento estável, honesto e cooperativo, baseado em normas compartilhadas pelos membros dessa comunidade”. Quando isso ocorre, temos condições de prever o comportamento do outro em uma dada circunstancia.

Naquele seminário chamava a atenção para o fato de estarmos sempre levantando uma bandeira e muitas vezes legislando em causa própria sem respeitar o outro na sua individualidade, na sua subjetividade.

Durante alguns meses temos conversado com um outro grupo sobre as emoções e ao falar sobre medo, a maioria revelou ter medo da solidão, mas estes também têm medo de se relacionar, de confiar, de se derramar.

Devido aos relacionamentos superficiais, relações pautadas em interesses, o ser humano se fecha cada vez mais na tentativa de se proteger, proteger suas emoções.

Ao observarmos o comportamento de alguém, somos capazes de identificar os valores que determinam por que as pessoas se comportam de uma determinada maneira. Quando dizemos que confiamos em alguém, estamos querendo dizer que pertencemos à mesma comunidade de valores e sabemos que estará tão orientada para atender os nossos interesses quanto nós estaríamos se estivesse no lugar daquela pessoa. Quando isso acontece, as pessoas não negociam: elas são capazes de entregar um cheque em branco e assinado. Assim, a quantidade e a freqüência das negociações podem ser indicadores de que nem tudo vai bem. Se a oportunidade de negociar pode ser um indicio de relações democráticas e igualitárias, o excesso de negociações é um indicador seguro de falta de confiança porque, no limite, quando eu confio totalmente, não negocio. Assim, quanto maior o número de negociações, menor a abertura entre os interlocutores.

O tripé dos relacionamentos é confiança, apoio e respeito – precisamos dos três ao mesmo tempo, com igual importância. Se um deles não estiver presente, o relacionamento desaba.

A confiança é a certeza da presença. Você sabe que a outra pessoa estará presente no momento em que você precisar dela. O oposto da confiança, a desconfiança, é justamente o medo da ausência. Se você acha que a pessoa pode faltar na hora “H”, todo o relacionamento ficará irremediavelmente comprometido.

O apoio, na prática é um ponto de equilíbrio. Todos nós perdemos o equilíbrio várias vezes ao longo das dificuldades da vida. Nem sempre nossas pernas são suficientes para evitar a queda, e é nessa hora que surge a importância do apoio.

Nós encontramos em outra pessoa e representamos para a outra um ponto de apoio confiável para recuperar o equilíbrio, você estabelece uma das bases essenciais a um relacionamento harmonioso. É muito desagradável quando alguém diz nos apoiar e quando precisamos o apoio não está onde disse que estaria. É horrível!

O respeito envolve a convivência pacífica com a diferença. Na ocasião do seminário tive a oportunidade de dizer que os mesmos que levantam uma bandeira e pedem justiça para si, muitas vezes são os mesmos que discriminam. É uma via de mão única. Desejamos pessoas de confiança, que nos apóiem que nos respeitem, mas nós somos isto tudo?

Somos seres únicos, absolutamente diferente de todos as outras pessoas que caminham neste planeta. Portanto, se procurarmos clones de nós mesmos, se só conseguirmos aceitar pessoas iguais a nós mesmos, nosso único amigo será o espelho.

Quando relacionamentos, parcerias, ministérios são rompidos, a sua origem se deu na perda de pelo menos um desses fatores: confiança, apoio ou respeito. Ouve um abalo na confiança, ou faltou apoio em um momento crítico ou, ainda uma das partes faltou com o respeito na relação com a outra.

É nesse momento que você pergunta: como saber a quem devo oferecer confiança, respeito e apoio? E se a outra pessoa não retribuir? Só há uma maneira de enfrentar esse problema: ofereça você primeiro!

A todas as pessoas, conceda um voto de confiança, um tratamento respeitoso e seu apoio. A maioria das pessoas responde bem a esse estímulo e você verá que a maioria delas retribuirá na mesma moeda. Afinal, essas são mercadorias raras e, portanto, muito valorizadas.

Entretanto, é verdade que algumas pessoas não irão corresponder, mas pense nas outras pessoas que o tratam bem, que confiam, apóiam e respeitam que retribuem generosamente o que é oferecido. Pois terá afinidade compartilhada com muitas pessoas boas, generosas e interessantes.

Regina Lopes

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Published in: on Agosto 15, 2009 at 9:34 am Comentários (0)

Falar é Fácil

Falar é Fácil

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“Eu escuto o que o Senhor está dizendo. Para nós, o seupovo, para nós, os que somos fiéis, ele promete paz se não voltamos aos nossos caminhos de loucura”. Sl 85.8

A vida está cheia de escolhas. Tempo livre, sucesso na carreira, família, amigos, compromissos, liberdade.

Como reconhecer os valores e as prioridades no meio de tantas escolhas?

O salmista diz: “Eu escuto o que o Senhor está dizendo”. Nós damos mais peso às escolhas de uma pessoa ou as crenças que ela diz possuir? As nossas escolhas refletem os nossos valores. O que dizemos deve ser confirmado por nossas ações. As pessoas normalmente fazem escolhas com base naquilo que desejam, precisam ou valorizam. O salmista diz: “Para nós o seu povo, para nós, os que somos fiéis ele promete paz”.

Muitas vezes as pessoas agem movidas pelo medo, raiva, falta de informação ou sob pressão. Outras vezes podem ser rápidos em dizer aquilo que o outro deveria pensar, sentir, se comportar. O autor de Hebreus diz: “Por isso devemos prestar atenção nas verdades que temos ouvido, para não nos desviarmos delas”. Hb 2.1.

Podemos falar de valores que nos são totalmente estranhos. Falar de bondade não torna alguém bom; pregar trabalho duro não torna diligente; e pregar compaixão não o torna gentil. Devemos nos concentrar nas ações, não nas palavras.

O salmista sabia ouvir, ele não trocou o foco da sua audição. Ele ampliou a sua capacidade de ouvir porque Deus está pronto para salvar os que o tem a fim de que a sua presença salvadora fique em sua terra. O salmista sabia que haveria uma junção do amor e da fidelidade, da justiça com a paz. As pessoas que o cercassem seriam fieis, mas tudo isto dependia de ouvir e não falar, pois falar é muito fácil.

Regina Lopes

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Published in: on Agosto 12, 2009 at 8:35 am Comentários (0)

Não Desanime

Não Desanime

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Vivemos num mundo onde se olha para as pessoas, as conquistas, a popularidade e a aprovação da auto-estima. Muitas pessoas crêem que, se trabalharem arduamente e conseguirem manter as pessoas felizes, a estima no mundo perdurará. Como qualquer outra falsificação, ela desaparece quando se deixa de trabalhar para isso.

Deus ao contrário, é valor, honra e verdade. Deus criou você, à Sua imagem, para lhe dar valor.

As vozes do mundo competem continuamente com a voz de Deus por sua atenção. Muito freqüentemente essas vozes brotam, dizendo: “Você jamais poderia estar ocupando este lugar”. “Não há nada de significativo e valoroso naquilo que você faz”.

Saiba, você tem uma herança de Deus daqueles que conheceram Cristo pessoalmente. Cristo nasceu em Israel, no primeiro século, entre homens que pensavam muito pouco sobre determinadas pessoas da sociedade. Eles questionavam o valor destas pessoas. As mulheres eram negadas o respeito e o privilégio na política, no casamento, na economia, na educação e na religião.

Em contraste, Jesus esteve mais preocupado com os direitos e privilégios destes seres humanos do que com os Seus próprios. Exemplo disto eram as mulheres judias que nunca eram ensinadas em público – exceto por Jesus. Um comerciante judeu nunca daria um troco de volta na mão de uma mulher, com medo de tocá-la e ser contaminado, mas Jesus tocou as mulheres para curá-las. Em muitas ocasiões, Jesus revelou grandes verdades primeiro às mulheres. A ressurreição, sobre a qual se baseia o Cristianismo, foi revelada primeiro a uma mulher.

Os homens que seguiram a Jesus também mudaram suas atitudes em relação aos outros seres humanos. Instruídos, após a ressurreição e ascensão de Jesus ao céu, homens e mulheres, pescadores, cobrador de impostos, médico, donas de casa, empresária esperaram pela plenitude do Espírito Santo. Eles foram igualmente batizados com o poder de Deus. Pessoas que eram proeminentes e respeitadas na igreja do primeiro século.

A estima de Jesus pelo valor do ser humano veio diretamente do coração de Deus. O nosso valor não vem do que fazemos. Nós somos seres humanos e não um fazer humano. Devemos ter o senso de ser (estar) na presença de Alguém que nos valoriza. Jesus deve ser prioridade em nossas vidas. Como você acha que a sua prioridade afeta as pessoas ao seu redor?

A maioria dos seres humanos coloca seus maiores esforços e projetos nas pessoas que mais as valorizam. Onde você acha que se encontra seu valor?

Os seres humanos buscam sedentamente atenção, companheirismo, amizade, parceria e muitas vezes não encontram. Qual o traço de caráter que Jesus valoriza em você? Ele não exige nenhuma credencial para que você tenha valor, para merecer à atenção, o respeito.

Vivemos dias de individualismo, de indiferença, de solidão, de cobrança. Os seres humanos estão esfriando no amor e cada dia deixam de estimar uns aos outros.

Talvez você esteja desanimado (a) devido ao significado que dá ao seu senso de valorização quando as coisas não vão bem, mas Deus nos exorta neste dia dizendo que há uma única coisa que faz a nós ter valor. A mesma coisa que me faz ter valor faz você ter valor: ”Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores”. Rm 5.8

Filha (o) se você perdesse o seu trabalho por ter dormido até tarde, deixasse o seu marido ou esposa por causa de sua própria obstinação, maltratasse seus filhos, destruísse seu carro e pusesse fogo em sua casa, Deus ainda amaria você e levaria em conta o seu valor. O que torna você significativo (a)?

Muitas vezes pensamos que o que nos torna pessoas significativas é o trabalho que desenvolvemos no caminho, mas e quando as pessoas envolvidas no projeto, ministério, trabalho se mostram indiferentes, deixam que você faça tudo sozinho (a), demonstram sua falta de respeito com atrasos, com a falta de comunicação, parceria, individualismo, críticas, ausência?

Você se sente humilhado (a), desrespeitado (a), triste? Então você precisa vencer as apreciações culturais sobre o que faz uma pessoa ter valor. Você tem valor porque Jesus morreu por ti e é perdoado (a).

O nosso valor não muda de um dia para o outro, dependendo do nosso humor ou do capricho das outras pessoas. A aceitação de Deus não é instável. A realidade do que Deus diz em Sua Palavra precisa nos tocar. Pelo fato de sermos amados pelo Deus do universo a ponto de enviar Seu Filho ao mundo para viver nas limitações de um ser humano, mesmo sendo ainda Deus, morrer numa cruz para perdoar os pecados e ressuscitar da morte para nos tornar justos. Tudo isso para que Ele pudesse ter um relacionamento pessoal conosco. Cristo é quem dá valor. Não há ninguém como Ele.

Os seres humanos irão falhar todo o tempo. Um dia dizem “Bendito (a) aquele (a) que vem em nome do Senhor” e no dia seguinte: Crucifica-o (a), crucifica-o (a).

Meu bem escolha crer no que o Senhor diz que é verdade sobre você e a Sua Palavra, mas do que naquilo que o mundo parece estar dizendo. Se conhecer a Deus desta forma é o desejo do seu coração, alegre-se e não permita que o desanimo encontre abrigo em seu coração. Ele se preocupa com você. Ele morreu por você numa cruz para lhe dar valor que nunca acabará. Empregos se vão, ministérios se vão, nós mudamos de cidade, de bairro, de emprego, as pessoas mudam, mas Deus não sofre variação.

Não tente viver a sua vida segundo suas próprias forças e com seus recursos limitados. Não é suficiente. Nós não somos suficientes. Precisamos do Senhor em nossas vidas. Abra a porta de sua vida ao Senhor e O convide a ser seu parceiro no trabalho, no ministério, na família, convide-O a ser seu  Salvador e Senhor. Aceite Sua opinião sobre você como alguém precioso e de valor. Faça escolhas conscientes para ouvir Sua voz e crer em Sua Palavra.

O amor de Cristo dá valor a você. A escolha é só sua. Ele não obriga. Se quer tudo o que Deu tem para você, você está em uma aventura excitante! Desfrute o fato de ser um homem, uma mulher de Deus.

Recados de Bencao para Orkut

 

 

 

 

 

 

 

Regina Lopes

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Published in: on Agosto 10, 2009 at 5:15 pm Comentários (0)

É assim que Deus disse?

É assim que Deus disse?

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“Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais do campo, que o Senhor Deus tinha feito. E disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?” Gn 3:1.

Algum tempo atrás aconteceu uma palestra sobre harmonia e desamornia na sociedade moderna e o papel da ciência na sociedade (A Humanidade do Século XXI) um físico muito conhecido trouxe a baila assuntos de extrema importância sobre as coisas que acontecerão no planeta, sobre eleições e candidatos que o povo irá eleger por falta de conhecimento e que definirão a vida da sociedade, a questões envolvendo a nanotecnologia, aquecimento global, etc. e quase no final da palestra ele diz: “O universo está crescendo, nós vivemos em um universo que está em expansão – cada vez nós ficaremos mais sozinhos, ou seja, a nossa galáxia está cada vez mais distante das outras galáxias e isto continuará acontecendo (mas nada impede que daqui a alguns anos o meu clone “nº. 5 mude de idéia – ele também falou sobre clonagem)… O universo teve início no Big Bag - estas afirmações são baseadas em estudos observacionais, experiências, dados concretos que as pessoas podem analisar discutir, confrontar uns com os outros. A ciência cria conhecimento de uma forma bem democrática através desta confluência de informação que vem de vários grupos diferentes – existe um horizontalismo na ciência que é muito importante para que ela funcione muito saudável. Em ciência não existe uma verdade final, existem verdades. A ciência é uma narrativa que vai sendo criada na medida em que nós podemos aprender cada vez mais sobre o cosmo, então ela não é a dona da verdade porque ela não acredita numa verdade com “v” maiúsculo, então há uma diferença muito profunda entre o que é ciência e o que é religião. E uma maneira de se evitar vários problemas que estão ocorrendo hoje em dia com a ciência e a religião é justamente entender a função de uma e a função da outra, a linguagem de uma e a linguagem da outra. Se você usar a bíblia para entender como o universo é constituído de uma maneira quantitativa, certamente obterá a resposta errada. A vida multicelular é rara e não é fácil,  ela não será achada em outros lugares do universo. Vida inteligente é uma outra conversa. Uma coisa é você encontrar vida extraterrestre (micróbio, ameba) outra é encontrar um ser capaz de refletir sobre a sua alma, a sua existência, que é capaz de produzir tecnologia para se comunicar, etc., explicar a sua própria origem. Então o que nós aprendemos é o seguinte: A vida é rara, nós vivemos num planeta extremamente precioso e privilegiado por ter dado as condições necessárias para que nós possamos existir e por causa disso este planeta precisa ser preservado e celebrado todos os dias. Essa posição de amar a terra é uma posição que é extremamente fundamental para a nossa sobrevivência. Se não fizermos isto, não poderemos ter uma terra para os netos e bisnetos. Esta é uma mensagem muito importante” .

Ao colocar o trecho desta palestra não pretendo discutir absolutamente nada do que foi dito pelo físico. Ele trouxe um alerta muito importante sobre coisas que estão acontecendo e que irão acontecer. Além de estar atenta as necessidades deste planeta outras coisas chamam a minha atenção e sobre isto é que pretendo pensar.

Por estes dias após ouvir um sermão, algumas mulheres na fila do banheiro comentavam o que tinham acabado de ouvir até que uma delas disse: “Por isso eu só sei assinar o meu nome e está ótimo”, pensando ela estar protegida do que virá - uma compreensão errônea do que acabara de ouvir – pensou que a apostasia virá somente para aqueles que estiverem nas academias (universidades, faculdades, centros universitários).

Quando Jesus estava deixando a área do templo, seus discípulos vieram e queriam levá-lo para dar uma volta pelas construções do próprio templo e então Jesus começou a explicar o que aconteceria com Ele por aqueles dias. Algumas horas depois, quando Ele se sentou nas encostas do Monte das Oliveiras os discípulos perguntaram que acontecimentos marcariam a sua volta e o fim do mundo. E Jesus começou a sua fala dizendo: “Não deixem que ninguém engane vocês. Porque muitos virão dizendo que são o Messias, muitos virão dizendo que são capazes de propiciar um estado ou condição desejável numa sociedade, um reformador social, um salvador porque querem desviar a muitas pessoas. Quando vocês ouvirem de guerras que começam, isto não é sinal da minha volta; elas devem vir, mas ainda não é o fim. As nações e os reinos da terra se levantarão uns contra os outros; haverá fome e terremotos em muitos lugares. Mas tudo isto será apenas o princípio dos horrores futuros. Então vocês serão torturados e mortos, e odiados no mundo todo porque são meus. E muitos de vocês cairão novamente no pecado, irão renunciar sua crença, irão abandonar a fé, irão renegar, quebrarão os votos, abandonarão a vida sacerdotal sem autorização Superior. Trairão e odiarão uns aos outros. E aparecerão falsos  profetas, pessoas que supostamente irão predizer o futuro, que desviarão a muitos. O pecado, a violação dos preceitos, a desobediência, a má conduta, a ação que merece ser lastimada andará solta por toda parte e esfriará, tornará insensível, endurecerá, tornará fraco, frouxo o amor de muitos. Mas aqueles que ficarem firmes até o fim serão salvos.

Eu quis colocar o trecho da palestra para fazer a seguinte pergunta: Você estaria preparado para responder questões como estas que foram abordadas na palestra? Sabe responder com convicção e segurança a razão de sua fé? Os cristãos estão preparados para enfrentar o que virá?

Tenho assistido cristãos sendo solapados, massacrados, ridicularizados por falta de conhecimento. O interessante é notar que muitos destes confrontos/debates são promovidos por aqueles que um dia declaram sua fé em Jesus Cristo

“O meu povo é destruído porque não me conhece, e a culpa é toda de vocês sacerdotes, já que se esquecem das minhas Leis. Eu me “esquecerei” de abençoar seus filhos. Quanto mais crescia o meu povo, mais eles pecavam contra mim…” Oséias 4.6.

Quando, por quaisquer razões, começamos a formar uma interpretação distorcida dos informes recebidos, caímos no perigo de assumir uma posição e passar a interpretar seletivamente todos os dados subseqüentes em conformidade com a mesma, em apoio às convicções anteriores. Portanto, é seguro chegar lentamente a conclusões, refletindo por tanto tempo quanto for possível sobre interpretações possíveis, permitindo que os próprios informes levem forçosamente às conclusões. Uma maneira de nos salvaguardarmos das interpretações precipitadas e falsas consiste em continuar a sondagem conosco mesmos.

Todas as vezes que nos aquietarmos e conversarmos com o Pai sobre os projetos e as parcerias que desenvolvemos com Ele, nos trará à memória aquilo que nos dá esperança.

Penso que se desejamos permanecer, prosseguir existindo, conservar-nos, ficarmos de pé esta trajetória deverá ser na companhia de seres humanos piedosos. Cristo tem nos enviado como ovelhas entre lobos e Ele está nos advertindo para sermos cautelosos como as serpentes e inofensivos como as pombas. Ele diz que receberemos palavras exatas no tempo próprio. Não se apressem em falar. Caso Ele não revele nada, fique calado, suporte tudo calado! Deixem que os outros revelem as suas loucuras. Não tenham presa em responder aqueles que astutamente lhe provocam.

“Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais do campo, que o Senhor Deus tinha feito. E disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?”

Quando forem perseguidos, quando forem afrontados, entreguem tudo, saiam no “prejuízo”. Saia de cena dê espaço, Cristo voltará antes, os projetos ficarão “inacabados”.

Está chegando à hora em que a verdade será revelada: os golpes secretos se tornarão informação pública.  Aquilo que Ele tem cochichado em nossos ouvidos é para ser proclamado em público. Não tenham medo daqueles que irão emitir suas opiniões pautadas em seus “achismos”.

Quem irá resistir no tempo do fim? Os que tiverem uma fé robustecida, vigorosa, capaz de lidar com ou ultrapassar situações difíceis, quem tiver determinação, aqueles que não forem influenciáveis, os que atuam decisivamente, aqueles que tiverem firme disposição diante das situações difíceis ou críticas.  Aqueles que não se desviarem nem para cá ou para lá. Aqueles que não se cansarem de lembrar ao povo as leis de Deus; aqueles que todos os dias e todas as noites fizerem um inventário através das Escrituras Sagradas para ter a certeza de que está sendo obediente em tudo o que está escrito. Aqueles que não permanecerem em estado de quem se mostram abatido, desencorajado, desanimado, mas que tenham uma viva participação do presente. Aqueles que não serão tomados por uma ansiedade irracional ou fundamentados no receio

Quem irá resistir no tempo do fim? Somente aqueles que têm a convicção de que o Senhor o seu Deus estará com ele, esteja onde estiver até a consumação dos séculos.

Shalom!

Regina Lopes

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Published in: on Julho 17, 2009 at 9:34 am Comentários (0)

Afogando-se em palavras

Afogando-se em palavras

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Todos nós necessitamos, de tempos em tempos, de um período para silenciar, durante o qual podemos nos recolher nos nossos próprios ruídos. Os monges antigos comparavam esse período de silêncio à água que se acalma Uma gripe muito forte me fez silenciar. O pouco de voz que ainda tinha falei no domingo e na segunda-feira. O restante da semana precisei silenciar, repousar, tomar muito líquido, fazer gargarejo, cancelar compromisso até que minha voz possa expressar novamente as idéias. Aproveitei este tempo para me dedicar mais a leitura e ouvir o que tinham a dizer pessoas como o pastor Ricardo Barbosa, Ed René Kivitz, o padre Fábio de Melo e o psiquiatra Roberto Shinyashiki, etc.

Quando permanecemos na agitação e a confusão do dia a dia, não permitimos que percebamos o que de fato acontece a nossa volta. As águas agitadas nos impedem de enxergar com clareza.

Vivemos numa sociedade que tem pressa em falar, em dar suas opiniões inconsistentes, mentiras que contam a si mesmos e aos outros. Palavras que promovem distância entre o que dizem e o que fazem.

Levamos tanto tempo para aprender a prestar mais atenção nos atos do que nas palavras, e muitos não aprendem nunca. A maioria das desilusões ocorre porque ignoramos que o comportamento no passado é o indício mais confiável e seguro do comportamento no futuro.

Somos o que pensamos o que sentimos ou somos o que fazemos? Precisamos estar atentos não para o que os seres humanos prometem, mas para a forma como se comportam. Retóricas, eloqüências, nada disso impressionam mais. Os discursos fantasiosos não iludem. O que somos é demonstrado pelo comportamento. Nós revelamos o que somos e de quem gostamos não pelo discurso ou pelo que prometemos, mas pelo que fazemos.

Nós somos uma espécie verbal que usa abundantemente as palavras para explicar e para enganar.

Quando alguém dá a entender que fará isso ou aquilo, e diz às palavras que tanto os seres humanos desejam ouvir, facilmente escolhem ignorar comportamentos incoerentes.

As experiências que fazemos durante a caminhada nos aproximam de importantes vivencias. Desta forma tomamos consciência de que Deus nos transmite algo da inesgotável plenitude da vida da qual podemos participar. É um convite para bebermos sempre e novamente da fonte da vida. Experimentar Deus significa encontrarmos uma fonte da qual podemos beber quando desejamos fortalecer-nos para a caminhada no deserto deste mundo. Mas só podemos beber desta água fresca quando silenciamos.

Que não nos afoguemos em palavras. Não tenha pressa em falar. Não tenha pressa em dizer alguma coisa, simplesmente deixe Deus alimentar-te com o rio de seus deleites, das fontes borbulhantes. Fazendo isto será abrigado em ti a saudade pela fonte viva do amor divino em seu coração o que fará silenciar novamente e voltar a fonte e Ele transformará aquilo que existe de duro e petrificado em ti em água nascente. Não se agite para falar, já tem muita gente falando, já existe muito barulho.

Que tuas palavras expressem uma experiência com o Deus vivo. Que o próprio Deus se torne uma fonte para ti. Uma fonte da qual podes beber e quando se aproximar desta fonte divina, tudo que há de ressecado e petrificado em ti se dissolva tal como a rocha no deserto quando Moisés a tocou com a vara, e uma fonte brotou água fresca e vivificante.

Shalom!

Regina Lopes

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Published in: on Julho 16, 2009 at 8:07 am Comentários (0)

Entendendo os Avessos da Vida

Entendendo os Avessos da Vida

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“Quando chegou perto da porta da cidade, levavam um defunto, filho único de sua mãe, que era viúva. E com ela ia uma grande multidão da cidade. Vendo-a, o Senhor sentiu grande compaixão por ela, e lhe disse: Não chores”. Lc 7.12-13

Quantas vezes precisamos entender os avessos da vida. Mas muitas vezes não suportamos olhar para o lado certo, o lado direito, o lado convencional. Nós precisamos entrar nos avessos. Os avessos sustentam a trama da vida e nem sempre é fácil chegar até eles, sobretudo quando um coração precisa descobrir a graça para continuar de pé, a força para continuar viva quando tudo é tão contrário a ela. Reconciliar os contrários. Essas coisas miúdas do dia a dia - nós passamos pelas experiências todo o tempo. Quantas vezes acontecem coisas contrárias a nós: Palavras que nos dizem um olhar, um gesto, mas e quando um drama como o que aconteceu com a viúva de Naim se estabelece em nossas vidas? Perder um filho.

Sepultar alguém que você gerou e que há pouco tempo estava no mundo – esse contrário, ter que dar conta disso, ter que dar conta deste momento de vida, deste retalho.

A vida é semelhante a uma cocha de retalhos e nós precisamos ter a sabedoria de descobrir que ela não será feita apenas de retalhos felizes, mas a sabedoria consiste também em nós não deixarmos nenhum retalho de fora. É preciso colocar todos, precisamos colocar todos para que a nossa história seja completa.

A dor da viúva de Naim, a dor de tantos de nós, pessoas que nós nem sabemos que existem e neste processo de não saber quantas pessoas estão com a cocha da vida com  um retalhinho na mão se perguntando: “E agora? Onde eu irei costurar isso? Onde darei jeito de colocar este retalho uma vez que não posso jogá-lo fora?” Você já deve ter experimentado isto, quantas vezes você ficou com o retalho na mão sem saber onde colocá-lo. Quantas vezes você ficou ali no silêncio do seu tempo, do seu quarto, sua sala, sua cozinha – e agora? O que eu faço com isso?

Algum tempo atrás fiquei com o meu retalhinho na mão – meu amigo partiu no dia do meu aniversário. Havia saído para comprar meu presente, parou para tomar um suco e ali, naquela lanchonete do Méier (RJ) partiu. Uma semana antes havíamos estado juntos. Uma semana antes ele havia tocado violão na minha sala, tínhamos dado risadas, ele havia feito sua última surpresinha deixando um bloco com folhas coloridas com meu nome impresso em dourado em cada folha  e junto ao bloco um de seus bilhetinhos.

Quando corremos atrás do avesso daquilo que nos faz doer, quando corremos atrás do avesso daquilo que nós não entendemos,  não ficamos apenas com aquilo que conseguimos ver. Mas nesta corrida atrás dos avessos muitos encontram os mais estranhos caminhos: uns buscam as drogas, outros a solidão, outros a bebida, outros respostas mágicas. E nós? Para onde estamos correndo? Estamos buscando ser encontrados por pessoas que crêem na ressurreição e assim sermos tocados pela força deste contrário e prepararmos para celebrar a vida daqueles que um dia partiram?

Eu não sei o que você faz com a sua dor, o que eu sei é que muitas vezes buscamos um caminho errado para a solução dela e pode ser que você também esteja buscando errado. Muitos de nós podemos buscar no lugar errado, pessoas erradas, situações erradas, querendo dar solução aos problemas da vida.

Quantas são as semanas que encontro jovens drogados porque não sabem o que fazer com a vida. Quantas vezes encontramos pessoas alcoolizadas que transformaram o álcool num vício terrível na sua vida porque não sabem conviver com os problemas que tem. Caminhos errados. O avesso errado, O contrário errado. Quando a morte se estabelece, a perda se estabelece, o sofrimento se estabelece, nós devemos buscar ser os mais verdadeiros possíveis, nós não podemos entorpecer a nossa alma, nós não podemos entorpecer a nossa cabeça, a nossa mente. Nós precisamos erguer a nossa cabeça e buscar a solução. Nós temos como mudar o fato? Então nós permitimos que o fato nos modifique. Não podemos alterar os acontecimentos? Então vamos permitir que os acontecimentos nos alterem. Nós precisamos de sabedoria nestas horas. Nossos queridos não podem morrer em vão. Todo sofrimento não pode ter passado em vão por nós, alguma coisa nós teremos que aprender com tudo isso.

Assim como a viúva de Naim encontrou alívio para sua dor e reconciliar os contrários que a vida colocou dentro dela, quem sabe você hoje possa fazer o mesmo. Este texto é para você, mas também é para mim, pois não falo nada que não acredite, não falo nada do que não busque – é a dinâmica da vida, é a dinâmica da minha vida, tentar descobrir uma direção espiritual, algo que nos sustente no momento em que tudo parece ser frágil dentro de nós.

Mude a direção. Não vá encontrar uma solução fácil. Busque ainda que o caminho seja difícil, mas busque o que de fato possa lhe fazer bem. Não entorpeça a sua cabeça com medicamentos, drogas, com álcool. Não vá se entorpecer de coisas ruins. Queira a Palavra que faça bem, queira a Palavra de Jesus, queira o olhar redentor desse Deus maravilhoso que nos ajuda a colocar as coisas no lugar.

Dá trabalho! Mas é muito bom saber que Deus está do nosso lado nos ajudando a reconciliar os contrários

O Senhor te abençoe e te guarde. O Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti. O Senhor sobre ti levante o seu rosto, e te dê a paz.

 

Shalom!

Regina Lopes

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Published in: on Julho 8, 2009 at 8:37 am Comentários (0)

Olhe o problema objetivamente

Olhe o problema objetivamente.

 

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“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as saídas da vida”. Pv 4.23

Todas as vezes que sou convidada a falar sobre um tema ou quando estou preparando uma aula sempre vivo na prática o assunto que será abordado. Nesta sexta-feira ao voltar para casa o motorista distraiu-se e entrou na rua errada e imediatamente alguém começou a ofendê-lo e como toda ação gera uma reação… Ele pisou fundo no acelerador.

A nossa raiva nasce das nossas expectativas. Muitas vezes ficamos muito irritados porque nós criamos expectativas em torno das realidades e como nós esperamos que seja assim e geralmente a vida nos decepciona, porque as nossas expectativas são altas demais, o nosso processo de ira é sempre provocado pelas expectativas excessivas que nós temos.

O que é o excesso de expectativa? Muitas vezes a falta de simplicidade da vida. Quando percebemos que a simplicidade é um caminho seguro, ela nos indica para aquilo que pode ser - isto não significa que iremos viver sem sonhos, mas começaremos a ser um pouco mais realistas com aquilo que a vida pode ser e não ficaremos projetando demais.

Porque sentimos muita raiva do outro? Porque esperamos que o outro seja aquilo que nós queremos – ficamos esperando uma resposta – queremos que o outro seja como nós projetamos e muitas vezes isto irá nos irritar. Nós queremos a competência que o outro não tem. Nós acabamos projetando em cima do outro uma série de necessidades nossas que acabam prejudicando e provocando dentro de nós a raiva.

A raiva, a ira é um processo perigoso porque nos emburrece. É um processo que nos tira da racionalidade. Quando ficamos muito irritados perdemos a capacidade de ser racional. Dizemos o que não queríamos dizer, falamos bobagens, magoamos, machucamos.

Então controlar a raiva é em primeiro lugar baixar as expectativas. Ser um pouco mais humilde, ser um pouco mais simples. O mundo não tem que ser do jeito que nós queremos e quando começamos a mudar as relações com as outras pessoas permitindo que elas sejam elas mesmas sem as nossas projeções, quem sabe começaremos nos irritar menos.

Um outro aspecto, e aqui utilizarei uma fala do Reverendo Caio Fábio quando ele orienta como resistir ao perverso: “Quem se submete a este espírito ‘olho por olho, dente por dente’ fica como a humanidade está, cega e sem dente – não quebramos este ciclo que deixam todos cegos e sem dentes. Este ciclo só é quebrado quando resolvemos fazer diferente. Muitos se alimentam de ódio, amargura e provocam em nós outros ressentimentos, reações. O perverso come isto e para realizar este movimento ele precisa que fiquemos deste jeito, com raiva, com ódio e para que fiquemos assim nós precisamos nos deixar afetar por ele e ele vai perturbando até que você se afete e quando se sente afetado reage, e responde de maneira fociferante – vai atacar um pitbull como um pitbull. Virou e ganhou a natureza do outro, e como o perverso é um canibal ele quer comer carnes, ele quer comer a sua carne quando você se tornar como ele. E Jesus disse que para enfrentar este tipo de ser que perambula a nossa volta dia e de noite só fazendo diferente, fazendo com amor, só andando com liberdade e que liberdade é essa que decorre do amor? Jesus disse que não devemos resistir ao perverso, para não dar a ele a mesma energia, muito pelo contrário, é para devolver a ele com uma energia diferente de modo que se ele está tentando tirar, você dá: “Deus te abençoe, é isto que você quer? Tudo bem, é seu. Não quer levar mais alguma coisa? Isto aqui completa?”. E ele não vai mais saber tirar, ela vai começar a se desmontar, não tem a onde pegar, ele só terá alça quando nós oferecemos ódio, raiva, medo, timidez, arrogância, truculência. Quando nós devolvemos a mesma energia, seja reagindo ou engolindo a nossa vontade de reagir  pelo medo, mas com muito ódio por  dentro e  ele percebe que nos afetou, nós viramos bonequinho dele e ele continua manipulando, manipulando até a pessoa virar a outra como muitos estão. Jesus , porém disse: Se eu resolvo ouvir o Evangelho e fazer diferente dos antigos, fazer o novo, nós desconstruímos o poder do perverso em nossa vida, até porque ele não tem que pegar em nós, mesmo que ele não se converta, ele não nos converte até ele, nós não viramos mais a “coisa” dele, não nos transformamos mais no doente que ele quer fabricar para poder comer vivo. Saímos do poder dele. Ele não tem mais esta forma sobre nós e na hora que ele começa a querer nos obrigar – se ele vem e faz isto ou aquilo e nós começamos a proceder como Jesus ensina e manda, se ele tiver fome, eu dou a ele de comer, se ele tiver sede eu dou de beber nós vamos amontoando brasas vivas na consciência dele enquanto nós andamos livres. O importante nisso tudo é entender este começo. Jesus nos manda  fazer isto para que possamos seguir livres o nosso caminho, porque se nos entregarmos ao jugo do perverso, neste dia nós nos tornamos escravos dele”

 Um outro aspecto é que nós nos irritamos demais por causa do estilo de vida que temos. No tempo  de  nossos avós as luzes das casas apagavam mais cedo, elas eram desligadas mais cedo, as pessoas dormiam  mais tempo. Hoje as nossas cidades, nossas casas, são cada vez mais iluminadas e nós para dormirmos precisamos produzir um hormônio que é provocado pela ausência de luz – então se estamos num lugar muito estimulado por luzes, é muito provável que você faça a produção deste hormônio muito tardia. A melatonina é um calmante natural que o organismo produz, mas nós temos que permitir a produção. Se ficamos nos estimulando com TV, computador, luzes acessas, essa produção de melatonina é atrasada, então vai ficando mais tardia e nós dormimos cada vez menos e quem dorme menos, ao final de uma semana, é bem provável que a pessoa esteja com uma irritabilidade muito maior, então há todo um aspecto psicológico devido a projeção das expectativas sobre os outros – queremos que tudo seja perfeito e na hora que percebemos que não é nos irritamos, mas há também este aspecto biológico – nós estamos cada vez  dormindo menos, nossa irritação é cada vez maior, nós somos estimulados o tempo todo, nós nos cansamos muito, não damos ao corpo o devido descanso, e naturalmente estaremos prejudicando a qualidade das nossas relações.

Pensar na saúde e dormir um pouco mais cedo é preparar o nosso dia de amanhã quando dormimos mais cedo de forma disciplinada. Crie essa tranquilidade necessária. Trabalhe a saúde integrada. Seguir a Jesus é também dormir cedo, comer certo. E porque isto influencia no nosso seguimento a Jesus? Porque quando nós temos qualidade de vida, quando a nossa vida é saudável, nós ficamos melhor para o outro. Quando nós temos disciplina, quando comemos certo, dormimos certo nós ficamos melhor para lidar com o outro. Isto é biológico, é resultado, o corpo é programado. O corpo responderá para aquilo que nós o programamos. Ele dará uma resposta a partir daquilo que nós o programamos. A vida é desse jeito, ela é toda alinhavada. E não cabe mais usarmos como justificativa a nossa raiva para machucarmos os outros. Qual é a causa de sua irritação? Você consegue perceber que existe uma causa? Então vamos parar de dar respostas simplistas. Dê uma olhada em sua vida, comece a perceber se o seu jeito de viver está favorecendo ou não o processo desta ira, desta irritação. Gabriel Chalita costuma dizer que a raiva nos deixa burros - quando estamos com raiva perdemos tudo. Nós perdemos as estribeiras, ficamos ignorantes.

Ou nós nos disciplinamos ou daqui a pouco nós não daremos conta daquilo que precisamos fazer e esta disciplina é tão necessária quanto à oração. É um conjunto, é alinhavado. O ser humano não pode ser analisado a partir de respostas muito simples. Então se você está muito irritado (a) procure descobrir o que você pode mudar na sua rotina para melhorar a qualidade de sua vida e perder um pouquinho desta irritação.

Pense nisso!

Regina Lopes

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Published in: on Julho 4, 2009 at 11:11 am Comentários (0)

Aproveitando a Sombra do Teu Preconceito

Aproveitando a Sombra do Teu Preconceito

 

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“Pode vir alguma coisa boa de Nazaré”? ’ Jo 1.46

 

Você já parou para pensar que na vida não dá nenhum trabalho nós olharmos para aparência das coisas? Não requer muito esforço de nós. Olhar para o aspecto exterior é muito fácil. Emitir alguns comentários sobre aquilo que nós ouvimos, lemos, vimos, sobre aquilo que nossos olhos esbarraram.

São as superfícies da vida. Essa é a parte mais fácil de ser enxergada, essa parte externa que nós encontramos com muita facilidade. Agora se você começa a pensar que a realidade é muito mais do que isto que seus olhos podem revelar, você começa entrar no mistério das coisas. É ultrapassar os limites das aparências, daquilo que é o dado natural, daquilo que nós podemos ver sem muito esforço. Mas a sabedoria de Deus nos ensina que todas as vezes que nós ultrapassamos a superfície da realidade, nós somos presenteados com o pensamento de profundidade, com aquele conhecimento que vai além do que os nossos olhos podem enxergar.

Ultrapassar o limite das aparências é verdadeiramente conhecer; sobretudo quando tratamos de pessoas. Quantas vezes você já teve uma opinião formada sobre uma pessoa com quem você nem se quer trocou uma palavra? Quantas vezes você emitiu um comentário sobre alguém sem ter dito um conhecimento verdadeiro daquela pessoa? Essa é a tentação de toda hora. É aquela sensação de que nós vimos, nós sabemos só porque um dia casualmente nós passamos pelo outro.

Preconceito é aquilo que vem antes do conceito, é aquilo que nós formulamos antes de verdadeiramente ter dito um contato com a realidade. Ter um preconceito com relação a alguém é acharmos alguma coisa antes de conhecê-la. O preconceito é sempre uma forma de prisão: Prisão para mim que acho que conheci e prisão para o outro uma vez que eu o coloco dentro do meu achismo: “Eu acho que ele é isso” e  o aprisiono no preconceito que tive dele.

Jesus o tempo todo quebrava a regra dos preconceitos por uma razão simples: Jesus não sabia enxergar a margem, ele ia sempre além. Por isso Ele era capaz de convencer as pessoas de entrarem numa dinâmica de crescimento, de superação de limites, justamente por causa da sua capacidade de olhar com profundidade. Olhava para o pescador e enxergava o chefe da sua igreja, olhava para aquela pecadora envergonhada em público e enxergava a grande mulher que ela poderia se tornar, porque se Jesus parasse apenas na aparência das pessoas que Ele encontrou ao longo da Sua vida, não teria acontecido muita coisa. O Seu dom de enxergar com profundidade.

Você deve ter sido na vida muitas vezes vítima dos olhares apresados. Todos nós somos. E quanto mais vista é uma pessoa, maior é o número de preconceitos que existem em relação a ela e não há problema nisso. Não há problema em entender que o preconceito existe. O problema é quando nós permitimos que o preconceito do outro seja também o nosso. Ai nós incorremos no erro de repetir a história de maneira estranha, errada. Você deve ter sido vítima de muitos preconceitos e sabe o quanto dói na sua pele à pessoa achar que você é isso, achar que você é aquilo. Já sofreu na carne.

Então comece corrigindo os preconceitos no mundo deixando de achar sobre os outros e procurando, quem sabe, conhecê-los.

Ao invés de formular uma opinião a respeito daquela pessoa, dê-se o trabalho de uma primeira pergunta: Quem é você mesmo? Como é seu nome? Os grandes amigos da nossa vida entram a partir de perguntas simples. Quando nós quebramos aquela aparência, aquela margem, nós entramos então, na possibilidade de conhecer os avessos.

As costureiras quando compram tecidos elas não olham apenas a parte bonita do tecido, elas olham também o avesso  e sabe por quê? A qualidade do tecido não é só a aparência dele. O que vai fazer o tecido verdadeiramente valer, é o avesso, pois ele é quem dá sustentação. A beleza só é verdadeiramente duradoura se ela tem um avesso que segura,

Sabe esses tecidos de carnaval que na primeira lavada vai embora? É porque não tem fibra de sustentação. É tecido temporário, é coisa para durar pouco. Os carnavalescos não fazem uma roupa de carnaval para usar o ano inteiro. Ela precisa durar apenas três dias ou no máximo um dia.

Há pessoas que fazem da sua vida a mesma lógica dos tecidos de carnaval, não se preocupam muito com as fibras de sustentação. Vão apenas na aparência do tecido – para naquele aspecto superficial porque estão muito preocupadas com que os outros estão vendo. Há pessoas muito bonitas que quando nós conhecemos  podemos perceber que não se preocupam muito com as fibras de sustentação. Viveram artificialmente, foram preparadas para o artificial. Vivem de maneira artificial e por isso são tão infelizes, sobretudo depois que a “beleza foi lavada”. Passou o atrativo e só restaram às fibras frágeis daquilo que nunca sustentou.

Entrar na dinâmica e na mística dos avessos é pedir a Deus todos os dias a graça antes de nós cuidarmos da nossa exterioridade, de nós cultivarmos o mais profundo de nós. Esse lugar que os meus olhos não alcançam e que só poderão chegar à medida que nós nos conhecermos. Viver o cristianismo é viver o tempo todo a busca das fibras que nos sustentam para que se existir uma beleza, ela possa ser consistente e se não existir a beleza, pelo menos ela seja uma fibra resistente, de sustentação.

Todo tecido tem a sua validade, todo tecido tem a sua utilidade, a sua razão de ser. Não basta ser apenas bonito, precisa estar sustentado e essa é a busca da vida interior – nós chamamos de santidade, a Filosofia chama de sabedoria. O mais interessante é nós descobrirmos que na mística dos avessos há sempre a necessidade de tecer bem os fios que nos sustentam e que nos deixam de pé.

Hoje você é convidado a viver isto. Pode ser que você esteja muito acostumado a cuidar do seu artificial, da sua aparência, mas este texto quer ser para você um convite para pensar na sua sustentação, naquilo que te segura como pessoa, pois um dia a  beleza vai passar, os livros que leu ficará empoeirados na estante, à utilidade das coisas irá passar e só restarão as fibras humanas dos seus valores, do seu sustento. É isso que vale a pena. Ter Deus na nossa vida não é outra coisa senão nós buscarmos o tempo todo tecer bem essas fibras para que quando chegar o tempo das passagens nós consigamos sobreviver, para que não venhamos sucumbir, para que não venhamos morrer antes da hora.

Pense nisso!

Regina Lopes

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Published in: on Julho 2, 2009 at 9:54 am Comentários (0)

Fatores Imprescindíveis

Fatores imprescindíveis

 

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“Aprenda a ser sábio! Aprenda a fazer diferença entre o certo e o errado! E nunca se esqueça do que eu lhe ensinei; não se afaste das minhas palavras! Nunca deixe a sabedoria de lado, e ela cuidará de você; ame a sabedoria, e ela o protegerá. E para começar a ser sábio basta ter uma forte determinação, uma vontade firme de conseguir a sabedoria a qualquer preço. Dê a ela o devido valor, agarre-se a ela, e a sabedoria o cobrirá de honras. Dará a você uma valiosa coroa, admiração e respeito. Meu filho ouça e coloque em prática os meus conselhos; assim você terá uma vida longa e feliz”.

 

 Pv 4:5-9

 

 

Vivemos dias que exigem de cada ser humano garra, destemor, inteligência e junto com esta exigência recebemos diariamente um turbilhão de informações. O Sistema sinaliza suas ações com “armas de grosso calibre”. O próprio comportamento do ser humano irá ditar as regras e burilar novas tendências: O corpo transformou-se num capital e todo capital precisa ser cuidado, preservado e posto em movimento para dar dividendos. Há uma preocupação quase obsessiva em relação à não envelhecer, o que se traduz em malhar, vestir-se bem, submeter-se a operações plásticas (e o corpo ocupa uma posição central na construção da identidade do brasileiro). “Um alerta sobre o que ocorrerá em um futuro breve, no qual já vivemos. A história da humanidade, sua origem e seu destino. Em momento oportuno uma onda de calor cairá sobre o planeta, trazendo mudanças climáticas, geológicas e sociais, numa escala e velocidade sem precedentes. Fatores internos e externos concorrerão para tal fato. Tudo nos traz uma mensagem bastante curiosa”. (Gilberto Pompermayer).

E neste turbilhão somos convidados a pensar valores: “Nunca deixe a sabedoria de lado, e ela cuidará de você; ame a sabedoria, e ela o protegerá. E para começar a ser sábio basta ter uma forte determinação, uma vontade firme de conseguir a sabedoria a qualquer preço.”

 

Esta sabedoria irá requer primeiro o ajusto de rumo e o realinhamento da linguagem para que não haja distorção ao que Deus projetou originalmente.  A necessidade de tornarmo-nos visionários. Pois o que está reservado para aqueles que tiverem uma vontade firme de conseguir a sabedoria é uma exuberante vida, é cor, é luz é vida opulente, fértil, fecunda, uma vida que é maior do que a soma de seus divisores próprios, é afluente, jorra : “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância! (Jo 10.10).

 

Esta vida com significância é alcançada através de uma forte determinação, uma vontade firme de conseguir _ precisamos fazer uma analogia com os recordistas mundiais que vencem obstáculos, fruto de persistência, disciplina e autodeterminação. Isso pode perfeitamente ser empregado no dia a dia. Em bom português, significa usar toda perícia, assim como um atleta, buscar uma visão sistêmica da vida, conhecê-la profundamente, caminhar pelas veredas conflituosas dos altos e baixos. Assim poderemos visualizar cada palmo de sua trilha, evitando dissabores desnecessários. Devemos abraçar com sabedoria a vida que nos foi confiada. E mais que um atleta da vida, possamos enxergar os nossos limites e aprender com o inusitado. Administrar nossas emoções quando as coisas estão no prumo, é tarefa simplista, apegada aos acomodados. Mas gerir quando não se tem chão para pisar com firmeza é algo desafiador. É um semear contínuo, imprimindo a sabedoria de Deus dia após dia até ver a semente germinar: “basta ter uma forte determinação, uma vontade firme de conseguir a sabedoria…”.

 

Os formatos de vida deste século precisam ser repensados para o atingimento da alta performance (desempenho, forma). Que a Palavra de Deus fomente uma vida mais aplicada.

 

A vida abundante passa necessariamente pela formação de outras vidas, a partir dos exemplos que estes percebem. Sempre com esmero, imparcialidade. Evitando a corrida atrás do vento, discussões ridículas (perdoe-me o termo) com aqueles que se gabam de seu conhecimento e assim provam a sua própria falta dele. (1Tm 6.20). Evitando as preferências, mas não desprezando as competências que identificamos no caminho, as aproveitando com critérios transparentes.

 

Que a capacidade física, emocional e espiritual de cada ser humano, reflita sobre o grau de resolução e encaminhamentos demandas, sem se preocupar em agradar a todos, mas potencializar sua energia e redireciona-la para dar soluções, sem acumular pendências, mas vencer as montanhas que apresentam a sua frente sem jamais desanimar.

 

Quando observo o movimento desta sociedade, penso que seja indispensável à capacidade de analisar problemas, buscando direcionamento, equilíbrio emocional – estaremos frente às oscilações conflituosas de nossos afazeres relacionais. Verificar o desconhecido com equilíbrio, sem tomar partido, treinar a mente para uma auto-preservação – abastecê-la de instrumentos seguros para ir além dos limites, sem arrefecer (sem esfriar ou provocar o esfriamento). Estimular outros a uma espiritualidade saudável – isto implica muitas vezes que teremos que reescrever a história de nossa própria vida. Possivelmente deverá incomodar a muitos que estão na zona de conforto. Mas seguir em frente, promovendo as transformações que julgarmos necessárias, sem apresentar jamais escorar-se em desculpas. A vida é um eterno aprendizado.

Oxalá busquemos a sabedoria que nós é oferecida tal qual o artesão procura sua arte escondida nos excessos da matéria bruta de seu mármore. Que olhemos devagar para cada coisa aceitando o desafio de ver o que a multidão não viu.

 

Shalom!

Regina Lopes

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Published in: on Julho 1, 2009 at 10:48 am Comentários (0)

Eu, visto pelo outro, nem sempre sou eu mesmo

Eu, visto pelo outro, nem sempre sou eu mesmo

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Examine-se, pois o homem a si mesmo”. 1 Co 11:28

Ao compartilharmos diferenças  a partir de situações vividas, ouvidas, sentidas, esquivadas, pesquisadas …, que o cotidiano inscreve nas histórias/memórias das pessoas, na minha história/memória, e que nos deixa o desafio de lidar com as diferenças e com os corpos humanos com respeito, compreensão e criatividade.

Deus diariamente se propõe a fazer uma aliança com a nossa potência de vida, com nossa autonomia, com nossa criatividade de seres humanos. Ele pretende dialogar com nossa parcela, com nossa dimensão humana que se inquieta e se sente desafiada a cada dia, humano/dimensão desejante, que ora se alegra, ora se desespera, que se sente encantada pela vida, que não se cansa de ler no mundo palavras e ações que possam nos valer e nos possibilitam aprender a trabalhar pedagogicamente, numa perspectiva multicultural crítica, criativa e inclusiva, num mundo marcado por desigualdades e injustiças sociais, étnicas e culturais.

Ao observar vidas, pessoas, seus corpos, histórias e memórias, podemos focar no sentido de todas estas coisas -seu nome é diferença. Fascina-me perceber, pelo menos relacionado ao que meus sete sentidos podem captar, que a diferença é que é. Muitas vezes nos deparamos observando fascinados, por exemplo, as folhas de uma árvore aparentemente iguais, mas diferentes após uma observação mais detalhada, o por do sol, a cada dia um diferente do outro, as manhãs, os animais e dentre eles, nós, os seres humanos, diferentes por natureza, mas também marcados por igualdades classificáveis, categorizáveis. É de uma beleza inexplicável perceber que nenhum de nós é igual, nem os lados dos nossos corpos apresentam uma total simetria, nossas impressões digitais, nossas íris. Guimarães Rosa diria: “(…) o real não está na saída nem na chegada, ele se dispõe para gente é no meio da travessia. Mire e veja: o mais importante e bonito desse mundo é: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que estão sempre mudando. Afinam e desafinam. Verdade maior é o que a vida me ensinou”.

Por outro lado, é assustador perceber como as diferenças são escondidas, ou tratadas como excepcionalidade, dando lugar a uma igualdade invisibilizadora.  Tantos corpos em movimentos, tantos corpos dançantes da vida. Tanto as diferenças percebidas através de um simples olhar, como outras mais subjetivas ou não imediatamente visíveis. Todas são expressão da nossa humanidade, da nossa possibilidade de ser humano, da vida humana, mas constantemente classificados e muitas vezes catalogados de forma hierarquizada e pré-definidora do que é normal, padrão, em relação aos outros, visto como excepcionais, anormais, patológicos, cauterizados, distantes, frios, incrédulos.

Felizmente a vida se afirma a cada momento, ela não pede, ela é a potência, a força que nos move, ela surpreende, choca e nos abençoa ou condena a mudanças.

Interessante descoberta que passa o tempo todo pela experiência de ser e estar no mundo. O ser confuso, precário, esboço imperfeito de uma perfeição querida, desejada, amada.

De vez em quando, podemos nos ver no que os outros dizem e acham sobre nós. Um comentário que chega com o poder de confidenciar impressões. É interessante. Tudo é mecanismo de descoberta para afirmar o que somos, mas também para confirmar o que não somos.

Há coisas que dizem sobre nós que iluminam mais as nossas opções, sobretudo quando dizem o absolutamente contrário do que sabemos sobre nós mesmos. Reduções simplistas, frases apressadas que são próprias dos dias em que vivemos.

O mundo e suas complexidades. As pessoas e suas necessidades de notícias, fatos  novos, pessoas que se prestam a ocupar os espaços vazios, metáforas de almas que não buscam transcendências, mas que se aprisionam na imanência tortuosa do cotidiano. Tudo é vida a nos provocar reações.

Vozes ocultas que não publicamos, afrontas que fazemos um ponto de recomeço. É neste equilíbrio que vamos desvelando o que somos e o que ainda devemos ser, pela força do aprimoramento.

Eu, vista pelo outro, nem sempre sou eu mesma. Ou porque sou projetada melhor do que sou ou porque projetada pior. Não quero nenhum dos dois. Eu sei quem eu sou. Os outros nos imaginam. Inevitável destino de ser humano, de estabelecer vínculos, cruzar olhares, estender as mãos, encurtar distâncias.

Neste balé de corpos somos vítimas, mas também vitimamos. Não estamos fora dos preconceitos do mundo. Costumamos habitar a indesejada guarita de onde vigiamos a vida. Protegidos, lançamos nossos olhos curiosos sobre os que se aproximam, sobre os que de destacam, e instintivamente preparamos reações, opiniões. O desafio é não apontar as armas, mas permitir que a aproximação nos permita uma visão aprimorada.

Ninguém nos prometeu que seria fácil. Quem quiser fazer parte desta diferença e fazer diferença na história da humanidade terá que ser purificado nesse processo. Sigamos, mas sem imaginar muito o que o outro é. A realidade ainda é base sólida do ser.

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Pense nisso!

Regina Lopes

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Published in: on Junho 30, 2009 at 11:44 am Comentários (0)

Procura-se um Bode Expiatório

Procura-se um Bode Expiatório

 

Acima de tudo, meu filho, tome muito cuidado com suas emoções, porque elas afetam toda a sua vida”. Pv 4:23

 

 

Vivemos em uma sociedade competitiva e isto não é nenhuma novidade. Também não é novidade que esta competitividade gere desequilíbrio das emoções.

Costumo aproveitar o tempo que fico na condução para ler e outro dia minha leitura foi interrompida por um passageiro que se encontrava no fundo do ônibus e esbravejava às sete horas da manhã, num dia chuvoso porque o ar condicionado não estava ligado no número que ele desejava. Em instantes ele conseguiu inflamar outros passageiros que também começaram a reivindicar o ar.

O motorista conduzia o veículo sem expressar qualquer reação e isto deixava o passageiro mais e mais irritado até que começaram a dar socos no teto do ônibus e ameaçar a arrancar as janelas.

Eu comecei a ficar irritada com aquela situação, pois deseja que minha viagem fosse tranqüila e que nada impedisse a minha leitura. Até que o motorista informou que o ar estava com problemas, mas de nada adiantou – o passageiro continua a tagarelar. Então o motorista colocou o ar no máximo e todos se encolhiam em suas poltronas tentando se livrar do frio.

O ser humano normal é dotado de uma grande diversidade de tons, e de nuances nas emoções. Ele possui um equipamento bio-psicológico capaz de fazê-lo sentir alegria e tristeza, ansiedade e relaxamento. Portanto, uma situação de pressão, que o coloque frente a frente a um fator estressor, pode provocar-lhe reações fisiológicas intensas e desagradáveis, mas logo que tal situação se resolve, ele volta ao normal.

 

Mas o que temos assistido na sociedade é um total desequilíbrio. As pessoas gastam todo o paiol de energias, padecendo depois de falta de forças para realizar o trabalho diário ou servir a família e os semelhantes. Pessoas apáticas “põem” a personalidade numa senzala e a acorrenta com mil liames de preguiça e desleixo, o depressivo abre as portas para que qualquer contrariedade ou desatenção baste para deixá-lo abatido e incapaz do menor esforço e assim por diante.

 

A sociedade caminha anomicamente e não toma cuidado com as suas emoções cedendo habitualmente ao modo de ser e são arrastados por qualquer correnteza ocasional, por qualquer ativismo, por qualquer inclinação biológica, como uma jangada sem piloto no meio do mar, ou então ficam parados na vida por causa de uma calmaria tropical que deixa frouxas as velas das suas iniciativas e projetos.

 

Como se mexem as marionetes e os fantoches nesses teatrinhos que divertem as crianças, onde as mãos dos artistas que os manipulam estão escondidas puxando uma cordinha e o boneco move a cabeça, mexem outra e dá um pulo, assim fazem os impulsos temperamentais com os indivíduos. Estão escondidos, mas comanda-os com o seu poder. Puxam-nos pela corda do orgulho e gritam, reclamam, agridem.

Puxam-nos pelo cordel da preguiça e lá estão grudados na televisão ou na cama.

 

Somos uma sociedade dominada? Terrivelmente dominada? Escravos? Estamos precisando de um libertador: a nossa verdadeira vontade; e de um princípio reitor: uma vontade fortemente constituída.

Vidas instáveis, porque se deixam dominar pelos impulsos temperamentais. O comportamento imita o ziguezague de um bêbado que anda aos trancos e barrancos. Não chegarão a atingir uma autêntica maturidade se não conseguirem a hegemonia da vontade, à base de disciplina e de luta contra si mesmos.

Enrique Rojas disse: “Para adquirir a força de vontade, é preciso começar por negar-se ou vencer-se nos gostos, nos estímulos e nas inclinações imediatas”.

 

O filósofo Epíteto dirá: “As pessoas não são perturbadas pelas coisas, mas pelo como as vêem”.  Você vê o que vê?

O maior inimigo que nós podemos ter na vida não está do lado de fora, o maior inimigo que nós podemos ter esta dentro de nós. Sou eu. Eu é que faço perder. Durante muito tempo, muitos de nós pensávamos que os nossos maiores problemas eram causados pelas pessoas que estavam do lado de fora, mas isto não é verdade. Isto é muito injusto com as pessoas. O maior problema somos nós que causamos. É o tanto que nós deixamos o outro nos afetar, é o tanto que nós deixamos o outro nos dominar.  Se eu não estou lutando a meu favor, eu não posso esperar que o outro venha me beneficiar de alguma forma. O primeiro passo para mudança deve ser meu. Eu é que preciso tomar posse dessa mudança, reorientar a minha vida.

Se me sinto triste, irritada, irada, qual é a verdadeira razão deste sentimento? No caso do ônibus será que era realmente o ar condicionado ou o motorista era apenas um bode expiatório? Quantos de nós já fomos e já fizemos alguém de bode expiatório.

 

Aristóteles disse certa vez que qualquer um pode irritar-se. É fácil. Mas ficar irritado com a pessoa certa, na medida certa, na hora certa, com o propósito certo e da forma certa – isso não é fácil.

Não é possível continuarmos a vida sem fazer o processo da reciclagem.

Nós precisamos nos purificar todos os dias, caso contrário seremos um lugar insuportável para os outros, da mesma maneira como nós passamos por alguns rios e não sentimos vontade de estender uma toalha em sua margem e fazer um piquenique devido à sujeira, da mesma maneira existem pessoas que muitos passam longe, não querem estender uma toalha perto dela.

Pessoas são semelhantes aos rios – nós vamos vivendo um processo de poluição – passa um joga um lixo, passa outro joga uma garrafa. O ser humano é a mesma coisa. Observe!

Por onde você já passou por essa vida e os outros jogaram em você e que não foi retirado das águas?

Se não colocarmos em ordem os sentimentos do dia seja na nossa vida afetiva, espiritual, etc., se não fizermos uma triagem das coisas, nós iremos nos transformar num rio poluído.

Sou eu que tenho que acreditar em mim não é o outro que tem que ficar olhando para mim e dizendo: Eu acredito em você. O motorista daquele ônibus se limitou a dizer que o ar estava com problemas. Ele não conseguia regular – era o máximo ou nada e o passageiro esbravejava o tempo todo ameaçando o motorista.

Precisamos tomar as rédeas de nossas vidas, precisamos pegar as coisas na mão e dar conta delas. Não é o que falamos, é o que vivemos.

Talvez o que falte para esta sociedade que se irrita, que se entristece, que perde a paciência que abre a boca com tanta facilidade seja determinação de remover logo as coisas que estão incomodando, dando nome a cada uma delas. Para que ficar culpando os outros? Para que ficar buscando bodes expiatórios? Alguém jogou algum lixo em você? Dê um jeito nisso! Não negligencie. Essa limpeza você terá que fazer: “Acima de tudo, meu filho, tome muito cuidado com suas emoções, porque elas afetam toda a sua vida”.

O inimigo não está fora. O inimigo está dentro e se tem alguém que pode fazer você perder este jogo é você mesmo. Quem é que perde nas partidas de futebol? É aquele que derrota o time adversário ou o próprio time permite a derrota? Intessante isso!

Muitas vezes temos jogos em que o time permitiu a derrota – a derrota é como se você escancarasse as portas e dissesse: “Olha, nós estamos entregando os pontos, veja como me desequilibro com facilidade!”.

Quantas pessoas na vida não conseguem chegar lá, alcançar os objetivos porque entregam os pontos antes da hora, não insistem e quando nos debruçamos sobre as Escrituras encontramos Cristo nos estimulando a insistir: “Eu quero isso, eu vou lugar por isto porque eu acredito no seu valor!”.

Como tomaremos cuidado com as nossas emoções? Vivendo. Ora acertando, ora errando, mas sempre acreditando - é  na luta, é no dia a dia, é colocando confiança em nós mesmos, é acreditando que Deus acredita em nós e bola pra frente, vamos lá, vamos vencer esta partida porque ela está só começando. Há coisas maravilhosas que a vida nos reserva, então não percamos tempo procurando bodes expiatórios, mas conhecendo a nós mesmos, nos examinando. Se cada ser humano entender isto e fizer a sua parte, se cada um examinar somente a sua própria vida, deixando que o outro seja o outro, vendo o que realmente se apresenta, então, somente então poderemos acreditar numa sociedade que conseguiu caminhar de forma coesa, teremos uma sociedade que tem vida e vida com abundancia.

 

Paz!

Regina Lopes

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O Encontro do Eu e o Tu

O Encontro do Eu e o Tu

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“Disse-lhe, pois, a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana? (porque os judeus não se comunicam com os samaritanos). Jesus respondeu, e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus, e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva. Disse-lhe a mulher: Senhor, tu não tens com que a tirar, e o poço é fundo; onde, pois, tens a água viva? És tu maior do que o nosso pai Jacó, que nos deu o poço, bebendo ele próprio dele, e os seus filhos, e o seu gado? Jesus respondeu, e disse-lhe: Qualquer que beber desta água tornará a ter sede; Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna. Disse-lhe a mulher: Senhor dá-me dessa água, para que não mais tenha sede, e não venha aqui tirá-la” Jo 4:9-15.

 

Qualquer caminho trilhado no sentido de lidar com as diferenças não é neutro, nem ideal. Todos nós estamos marcados por nossas visões de mundo, por valores incorporados ao longo da nossa existência, por idéias e ideais construídos ou aprendidos, por concepções a respeito da vida e do mundo. A Vida, no singular e no plural, é muito mais abrangente do que nossa condição humana pode captar compreender, capturar.

Quando nos predispomos, quando somos fisgados pela percepção da existência da diferença como valor, como expansão da riqueza humana e não como um demérito, perdemos o chão das verdades, da razão, das certezas fechadas e absolutizadas e nos colocamos no campo da dúvida, do devir, da pergunta, da inquietação, da errante busca, da incerteza.

Se tudo é devir, se tudo é movimento, é dinâmica, o problema que nos coloca a Vida, o problema que nos desafia é como sermos capazes de ver, perceber, conhecer, interagir com o diferente em nós.

Somos diferentes, nossos corpos são diferentes, inclusive, de nós mesmos. Somos diferentes de nós mesmos a cada momento. Um livro que lemos, um filme que vemos, um acontecimento que vivenciamos, um carinho que recebemos ou damos, uma injustiça que presenciamos, praticamos ou sofremos, o tempo passado, o sol, o frio, o calor, o amor ou desamor, a violência, o dia-a-dia. Tudo altera, nos afeta a cada instante. “Tudo o que se vê não é igual ao que a gente viu a um segundo. Tudo muda o tempo todo no mundo. Não adianta fugir, nem mentir pra sim mesmo. Há tanta vida lá fora. Aqui dentro sempre como uma onda no mar” (Lulu santos – Nelson Mota).

 

Nós somos convidados diariamente a refletir sobre as posturas internas, que podem ser expressas em habilidades que facilitam o relacionamento em qualquer condição.

Ao observar Jesus percebemos que Ele tem como objetivo prestar uma compreensão melhor do relacionamento humano, desvendar parte do mistério que cerca este relacionamento e aumentar a chance de que seja construtivo para as pessoas que dele participam. A qualidade de nossas vidas está ligada aos relacionamentos interpessoais que estabelecemos.

Ele nos faz um convite à reflexão sobre as condutas adotadas no cotidiano, nas relações com pessoas com as quais se convive, e ainda discute através dos Evangelhos as habilidades que se pode desenvolver para que essas relações sejam bem sucedidas.

Cada ser humano que O encontrou se defrontou com o exercício da busca de si mesmo, perfazendo um caminho próprio, uma viagem ao seu mundo interior. Nesse exercício Ele proporciona busca e verificação interna da pessoa que faz a leitura (Dele), das ferramentas de que dispõe para entrar em sintonia com o outro.

Ele é como água no deserto, pois mata a sede de caminhos a seguir, Ele enfoca de maneira vívida e sistemática muitos dos elementos básicos da relação interpessoal, não apenas no âmbito terapêutico, mas na vida como um todo. É o encontro do eu e o tu, como diria o filósofo Martin Buber.

Quando nos debruçamos sobre o Evangelho percebemos que o sentido da vida é o estar com, o encontro entre as pessoas. E para que esse encontro se torne possível, é preciso desenvolver certas habilidades.

Martin Buber irá dizer que do encontre entre o eu e o tu, nascerá uma terceira pessoa: “Nós” e para que esta terceira pessoa seja formada há um derramar do eu e do tu e cada um extrai do outro o melhor ou o pior. Buber diz que o ser humano se torna eu pela relação com o você, à medida que me torno eu, digo você. Todo viver real é encontro.

Mas o que temos extraído desses encontros? Existem pessoas que conseguem extrair aquilo que há de melhor em nós e existem pessoas que conseguem extrair o que há de pior em nós. Há pessoas que derramam em nossas vidas o que há de melhor nelas e outros derramam o pior.  E quando aquilo que é derramado não gostamos, nos faz mal, simplesmente nos afastamos, pois não queremos estar impregnados do pior do outro. Mas será que temos nos esforçado para que os nossos maiores defeitos não prevaleçam sobre as nossas pobres qualidades? O que temos feito para que os defeitos não sejam prevalências na relação com o outro?

Em cada Evangelho Ele faz um convite: Constituam momentos de tanta profundidade com o outro que sua lembrança lhe permaneça fresca na mão com a vívida sensação do toque. Vivencie no encontro o outro, a imensa alteridade do outro, que, na proximidade com você, permita que o toque os torne intimos. Que sinta a vida palpitante sob a sua mão, como se aproximasse de sua pele o próprio elemento vital. Algo que não é você, que de modo algum lhe seja familiar, evidentemente o outro não é meramente o outro, mas verdadeiramente o próprio outro, que lhe permita que você se aproxime.

Jesus fez aquela mulher voltar-se para si mesmo e avaliar propósitos internos e a disponibilidade para utilizá-los, elucidar o encontrar-se, ou seja, o encontro do humano pertencia a ela.

Jesus respondeu, e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus, e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva. Disse-lhe a mulher: Senhor, tu não tens com que a tirar, e o poço é fundo; onde, pois, tens a água viva?  És tu maior do que o nosso pai Jacó, que nos deu o poço, bebendo ele próprio dele, e os seus filhos, e o seu gado? 

 

O que você escuta quando escuta? O que lê quando lê? O que vê quando vê? Temos utilizado nossas habilidades interpessoais para estabelecer relações saudáveis? Temos ido além das experiências? Temos nos revelado de forma transcendente, coesa parte de nossa essência, nossa pessoa, pois falamos, escrevemos, olhamos, ouvimos com alma, coração e inteligência?

Ele tem me levado a uma grande inquietação como um constante processo de criação, atividade, movimento e fluxos da vida, permitindo perceber que lidar interagir, relacionar, dialogar, na minha alteridade, em qualquer dimensão social, me coloca diante do desafio, talvez similar ao movimento que antecedeu a invenção da roda, talvez um desafio menos conceitual e mais prático, mais vivencial, mais visceral, que me coloca diante dos meus próprios temores, grandes defeitos, pequenas qualidades. Enfrentar dentro de mim, no meu sangue, no meu coração, na minha mente, em mim mesma, minha ambivalência, multiplicidade, multifacetas, em fim, minha complexidade.

“O ser humano é ao mesmo tempo singular e múltiplo. Dissemos que todo ser humano, tal como o ponto de um holograma, traz em si o cosmo. Devemos ver também que todo ser mesmo aquele fechado na mais banal das vidas, constitui ele próprio um cosmo. Traz em si multiplicidades interiores, personalidades virtuais, uma infinidade de personagens quiméricos, uma poliexistência no real e no imaginário, no sono e na vigília, na obediência e na transgressão, o ostensivo e no secreto, balbucios embrionários em suas cavidades e profundezas insondáveis. Cada qual contém em si galáxias de sonhos e de fantasias, impulsos de desejos e amores insatisfeitos, abismos de desgraças, imensidões de indiferença gélida, queimações de astro em fogo, acessos de ódio, desregramentos, lampejos de lucidez, tormentas dementes…” (Edgar Morin).

 

Ao tomar posse de si mesma, a pessoa torna-se livre para ser para o outro. Um movimento que gera o outro, de maneira que serei mais pessoa à medida que for mais livre, e mais livre à medida que for mais pessoa (Fábio de Melo).

 

Pense nisso!

Regina Lopes

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Published in: on Junho 29, 2009 at 10:02 am Comentários (0)

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